<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" version="2.0"><channel><title>&lt;![CDATA[Brasil - Economia - FecomercioSP]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticias/economia/brasil</link><description>&lt;![CDATA[]]</description><lastBuildDate>Mon, 12 Oct 2026 02:56:57 -0300</lastBuildDate><language>pt-br</language><image><title>&lt;![CDATA[Brasil - Economia - FecomercioSP]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticias/economia/brasil</link><url>http://fecomercio.com.br/assets/img/fecomercio-sp-image-share.jpg</url></image><category>&lt;![CDATA[Economia]]</category><category>&lt;![CDATA[Brasil]]</category><item><title>&lt;![CDATA[Safra recorde convive com gargalos que comprometem o abastecimento]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/safra-recorde-convive-com-gargalos-que-comprometem-o-abastecimento</link><description>&lt;![CDATA[Inovação e infraestrutura são vitais para reduzir perdas e garantir eficiência na cadeia de alimentos]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;No Dia Mundial da Alimentação, que se celebra em 16 de outubro, o Conselho do Comércio de Abastecimento da &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/"&gt;Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/a&gt;&lt;a id="_anchor_1" href="applewebdata://B28C3210-CF41-4705-A211-27D30AAFC0FD#_msocom_1" language="JavaScript" name="_msoanchor_1"&gt;&lt;/a&gt; adverte para uma contradição da cadeia de alimentos no Brasil: enquanto o País alcança safras recordes, &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/noticia/fecomerciosp-intensifica-combate-ao-desperdicio-de-alimentos-na-cadeia-de-abastecimento"&gt;parte relevante da produção ainda é perdida&lt;/a&gt; por falta de capacidade de armazenagem e por gargalos no transporte e na distribuição. Para o conselho, aumentar a produção sem ampliar a infraestrutura que sustenta o abastecimento limita os ganhos de eficiência e dificulta o acesso regular da população aos alimentos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A data foi criada para marcar a fundação da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em 1945. Neste ano, o tema escolhido pela organização é “Inovar hoje para nutrir o amanhã”, em referência ao papel da inovação tecnológica na construção de sistemas alimentares mais estáveis e eficazes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Produzir mais não resolve o problema sozinho se a estrutura para armazenar, transportar e distribuir esses alimentos não acompanha o mesmo ritmo. O Brasil tem, hoje, uma das maiores safras de grãos da sua história e, ainda assim, convive com déficit de armazenagem e perdas evitáveis ao longo da cadeia. É esse tipo de gargalo que o Conselho do Comércio de Abastecimento da FecomercioSP se propõe a mapear e transformar em propostas concretas junto ao poder público”, afirma João Roberto Ferraro, presidente do conselho.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo o colegiado, inovar e fazer investimentos em planejamento, armazenagem, rastreabilidade e distribuição não são apenas uma questão ambiental, mas também de eficiência econômica. A modernização da infraestrutura pode reduzir perdas, melhorar a competitividade da cadeia e contribuir para mais regularidade no abastecimento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Conselho do Comércio de Abastecimento seguirá acompanhando os investimentos em infraestrutura de armazenagem e logística, temas que permanecem em sua agenda de trabalho para as próximas reuniões e para 2027.&lt;/p&gt;&lt;div id="_com_2" language="JavaScript"&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;]]</content:encoded><pubDate>Fri, 09 Oct 2026 15:04:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Brasil]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Conformidade aduaneira começa dentro de casa]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/conformidade-aduaneira-comeca-dentro-de-casa</link><description>&lt;![CDATA[Em seminário, multinacional relata como rever processos internos levou à certificação OEA]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;Entrar no comércio exterior não depende apenas de encontrar compradores no exterior. Antes de tudo, a empresa deve estar preparada para cumprir regras, organizar processos e responder às exigências dos diferentes órgãos envolvidos na operação. Na prática, parte dos obstáculos pode estar dentro de casa. Nesse contexto, identificar essas falhas antes da fiscalização reduz custos, atrasos e incertezas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi essa a experiência de Leandro Costa Juvenal, diretor da área de Gestão da Cadeia de Suprimentos, Atendimento ao Cliente e Logística da LyondellBasell. Ao buscar a certificação de Operador Econômico Autorizado (OEA), a multinacional acreditava já estar preparada, mas precisou rever procedimentos e processos internos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“Observamos, num primeiro momento, que não estávamos corretos. É preciso se atentar a todos os processos, não somente de&amp;nbsp;&lt;strong&gt;supply chain&lt;/strong&gt;, mas procedimentos contábeis, fiscais, financeiros e aduaneiros. Observar se tudo isso está em conformidade com o que o programa exige", ponderou, durante seminário dedicado a Sindicatos afiliados à&amp;nbsp;&lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/"&gt;Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ainda assim, o esforço compensou. “Hoje, posso dizer que cerca de 90% do que ocorre nas operações da LyondellBasell é graças ao certificado”, explicou Juvenal. Além de estimular a governança corporativa, a companhia reestruturou processos internos que, segundo ele, chegaram a se tornar referência a outras operações do grupo no exterior.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A partir do momento que se tornou OEA, a multinacional passou a ter mais previsibilidade. Juvenal avalia que a certificação também permitiu antecipar decisões sobre os produtos em trânsito e melhorar o planejamento da operação, criando condições para que a mercadoria chegasse ao mercado com vantagem competitiva.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A certificação também exigiu mudanças na forma de trabalhar e na preparação das equipes. A LyondellBasell passou a treinar os empregados de outras unidades no País, de forma a disseminar a cultura de&amp;nbsp;&lt;strong&gt;compliance&lt;/strong&gt;. Em poucos anos, essas unidades também receberam o certificado. "É importante entender que cada processo é individual e que essa cultura deve ser absorvida no DNA da empresa. Caso contrário, não trará a visibilidade que o programa proporciona", completou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Conformidade começa antes da fiscalização&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A experiência da LyondellBasell ajuda a explicar por que a conformidade vem ganhando espaço na administração aduaneira. Para Adriana Matone Ejchel, chefe da Divisão de Administração Aduaneira da Receita Federal do Brasil (RFB) na 8ª Região Fiscal, a lógica é cada vez mais preventiva. “A busca pela conformidade é anterior à fiscalização. Então, isso abre uma possibilidade muito grande aos importadores e exportadores de estarem em conformidade.”&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A mudança pode ser especialmente relevante para quem ainda não tenha experiência em operações internacionais. Em vez de tratar a aduana apenas como etapa burocrática da importação ou da exportação, o negócio passa a incluir a preparação dos processos internos na própria estratégia de comércio exterior.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Diálogo pode destravar problemas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro instrumento que pode ajudar nesse processo são as Comissões Locais de Facilitação de Comércio (Colfac), que aproximam empresas, órgãos públicos e demais intervenientes. Segundo Elson Isayama, presidente do &lt;a href="https://sindaspcg.org.br/"&gt;Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (Sindasp)&lt;/a&gt;, esses fóruns permitem levar problemas identificados no dia a dia para uma discussão mais ampla.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele ressaltou que a participação do setor produtivo é importante, porque é este que conhece, na prática, os obstáculos existentes nas operações e pode contribuir para a construção de soluções. Isayama também defende ampliar o conhecimento sobre comércio exterior e reduzir a percepção de que se trata de um processo excessivamente burocrático. “Temos a obrigação de disseminar a cultura de comércio exterior. Para que todo o ecossistema se beneficie do processo, é essencial a colaboração dos sindicatos, do governo e das entidades representativas, como temos visto aqui”, concluiu.&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Fri, 09 Oct 2026 10:11:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Brasil]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Endividamento, juros altos e El Niño podem gerar recessão em 2027]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/endividamento-juros-altos-e-el-nino-podem-gerar-recessao-em-2027</link><description>&lt;![CDATA[Existe sinal inequívoco de um esgotamento do modelo de crescimento baseado no endividamento]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;A economia brasileira j&amp;aacute; desacelera, embora os est&amp;iacute;mulos fiscais do governo ainda tornem esse fen&amp;ocirc;meno pouco vis&amp;iacute;vel, aponta a edi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de setembro da &lt;strong&gt;Carta de Conjuntura&lt;/strong&gt; do &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/conselhos/conselho-de-emprego-e-relacoes-de-trabalho"&gt;&lt;strong&gt;Conselho Superior de Economia, Sociologia e Pol&amp;iacute;tica&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; da &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/"&gt;&lt;strong&gt;Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Com&amp;eacute;rcio de Bens, Servi&amp;ccedil;os e Turismo do Estado de S&amp;atilde;o Paulo (FecomercioSP)&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/upload/file/4784a6ddf4853c567cb8f444ed5ff423f6c4bd38.pdf" target="_blank" class="fr-file" rel="noopener noreferrer"&gt;Acesse a Carta aqui.&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dados recentes da economia do Pa&amp;iacute;s d&amp;atilde;o ind&amp;iacute;cios claros dessa percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o. O Produto Interno Bruto (PIB) subiu 1,1% no primeiro trimestre e 0,5% no segundo, sustentado por setores n&amp;atilde;o c&amp;iacute;clicos &amp;mdash; Agroneg&amp;oacute;cio (alta de 6,8% em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao segundo trimestre de 2025) e a Ind&amp;uacute;stria Extrativa (eleva&amp;ccedil;&amp;atilde;o de 12%). Assim, a proje&amp;ccedil;&amp;atilde;o para o resultado de 2026 j&amp;aacute; caiu de 2% para 1,7%, no boletim Focus, do Banco Central (BC).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo o conselho, trata-se do sinal inequ&amp;iacute;voco de um &lt;strong&gt;esgotamento do modelo de crescimento baseado no endividamento&lt;/strong&gt;. A renda m&amp;eacute;dia subiu 4%, enquanto a massa real de sal&amp;aacute;rios, da mesma forma, cresceu 4,9%, impulsionada pelos programas previdenci&amp;aacute;rios (3,2%), pelo Benef&amp;iacute;cio de Presta&amp;ccedil;&amp;atilde;o Continuada (BPC) (3,8%) e pelo abono do seguro-desemprego (9,7%). Esses recursos, por&amp;eacute;m, est&amp;atilde;o sendo absorvidos por despesas financeiras e por fen&amp;ocirc;menos como as apostas online,&lt;em&gt;&amp;nbsp;&lt;/em&gt;que acabaram de ser proibidas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/noticia/um-terco-dos-paulistanos-ja-faz-apostas-buscando-aumentar-a-renda-domestica-aponta-pesquisa-da-fecomerciosp"&gt;sondagem da FecomercioSP&lt;/a&gt;, realizada h&amp;aacute; alguns meses, mostrou que 35% dos paulistanos apostavam nessas plataformas com o objetivo de aumentar a renda dom&amp;eacute;stica, um salto de 10 pontos porcentuais (p.p.) em compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o mesmo estudo que a Entidade fez em 2024. Foi assim que o comprometimento da renda com d&amp;iacute;vidas chegou a 28,9%. O endividamento em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; renda chegou &amp;agrave; casa dos 49%. Hoje, o Brasil tem 83,5 milh&amp;otilde;es de endividados, segundo os dados da Serasa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas se o governo tem estimulado o consumo, n&amp;atilde;o o faz para o investimento: os bens de capital, n&amp;atilde;o &amp;agrave; toa, recuaram 5%, e bens dur&amp;aacute;veis cresceram 1,9%, puxados pelos autom&amp;oacute;veis.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O desempenho setorial tamb&amp;eacute;m confirma o quadro. No acumulado de 12 meses at&amp;eacute; julho, o setor de Servi&amp;ccedil;os desacelerou de 3% para 2,4%, enquanto o Com&amp;eacute;rcio ficou est&amp;aacute;vel em torno de 1,5%, ao passo que a Ind&amp;uacute;stria cresceu 0,5%, com o peso da extra&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;mdash; j&amp;aacute; que a ind&amp;uacute;stria de transforma&amp;ccedil;&amp;atilde;o recuou 0,5%. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O desafio, aponta o conselho, &amp;eacute; que o fen&amp;ocirc;meno El Ni&amp;ntilde;o dever&amp;aacute; pressionar os pre&amp;ccedil;os e manter os juros reais elevados, o que reduzir&amp;aacute; esse impulso fiscal. Como o Agroneg&amp;oacute;cio, que sustentou o crescimento at&amp;eacute; agora, recuar&amp;aacute; (0,2%, dizem as proje&amp;ccedil;&amp;otilde;es), n&amp;atilde;o &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel afastar a hip&amp;oacute;tese de recess&amp;atilde;o. Acesse:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/upload/file/4784a6ddf4853c567cb8f444ed5ff423f6c4bd38.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;&lt;strong id="isPasted"&gt;Carta de Conjuntura de setembro&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Thu, 08 Oct 2026 13:52:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Brasil]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Segurança no Brasil exige dados integrados e avaliação de políticas públicas]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/seguranca-no-brasil-exige-dados-integrados-e-avaliacao-de-politicas-publicas</link><description>&lt;![CDATA[Escolas de Direito e Economia da FGV-SP, FecomercioSP e Canal UM BRASIL debatem os dilemas dos combates à violência e à criminalidade]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;A segurança pública brasileira ainda lida com um problema básico: o País não tem informações suficientemente integradas e completas para conhecer com precisão a dimensão da violência e avaliar a efetividade das políticas adotadas. A pouca conexão entre as bases de dados das polícias, do Judiciário e de outras instituições dificulta acompanhar a trajetória de um crime desde o registro até a investigação, o julgamento e a execução da pena.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa foi uma das principais conclusões da quarta aula do curso &lt;strong&gt;O Futuro do Brasil em Debate: um Olhar Interdisciplinar&lt;/strong&gt;, promovido pelas Escolas de Direito e Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV Direito SP e FGV EESP), em parceria com o &lt;a href="https://umbrasil.com/"&gt;Canal UM BRASIL&lt;/a&gt; e a &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/"&gt;Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/a&gt;. O debate sobre o tema reuniu os professores Vitor Possebon, da FGV EESP, e Eloísa Machado, da FGV Direito SP.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Possebon ressaltou que o Brasil dispõe de dados importantes, mas ainda de forma fragmentada. Informações de diferentes órgãos não são suficientemente conectadas, enquanto as bases do Judiciário permanecem separadas das bases policiais, tornando difícil saber se uma ação da polícia efetivamente chegou ao Ministério Público e à Justiça e qual foi seu resultado. Também faltam informações sobre as vítimas e dados mais detalhados a respeito da localização dos crimes.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para Eloísa, os diagnósticos são incompletos e precisam ser permanentemente atualizados, inclusive porque diferentes Estados e instituições organizam seus dados de maneiras distintas. Os professores destacaram ainda o problema da subnotificação. O aumento dos registros de um crime não significa, necessariamente, expansão da criminalidade. Possebon citou como exemplo a adoção do boletim de ocorrência online, que provocou forte crescimento dos registros de furtos sem que isso significasse, por si só, um aumento equivalente dos crimes. No caso dos feminicídios, segundo o professor, o crescimento dos registros precisa ser analisado em conjunto com outros indicadores, como os dados de mortes violentas produzidos pela área da Saúde.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Medo pode distorcer políticas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A professora de Direito ainda chamou a atenção para os riscos do uso isolado de indicadores de segurança pública. Segundo ela, dados e diagnósticos são fundamentais para políticas baseadas em evidências, mas precisam ser contextualizados, pois uma informação bruta ou uma porcentagem não permite, sozinha, estabelecer conclusões acerca das causas e consequências de determinado fenômeno. Ela explicou que os indicadores de segurança mobilizam um sentimento poderoso, o medo, o que pode favorecer respostas rápidas e pouco avaliadas. Para os professores, portanto, não basta anunciar uma política pública ou registrar uma mudança nos números; é preciso saber se a política foi efetivamente implementada e, posteriormente, se produziu o resultado esperado. Possebon, por sua vez, defendeu análises que combinam variações no tempo com diferenças geográficas ou entre indivíduos, permitindo identificar com mais precisão possíveis relações de causa e efeito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O debate apresentou exemplos de políticas que podem ser avaliadas empiricamente em diferentes regiões do país. O professor citou pesquisas sobre patrulhamento no Ceará, câmeras corporais em Santa Catarina, fiscalização do garimpo na Amazônia e combate aos desmanches em São Paulo. No caso das câmeras corporais em território catarinense, uma parceria entre universidade e Secretaria de Segurança Pública permitiu avaliar a política com base em registros das polícias Militar e Civil. A pesquisa encontrou redução da violência policial e aumento dos encaminhamentos de ocorrências à Polícia Civil, inclusive em casos de violência doméstica, nos quais as imagens forneciam evidências concretas do crime. O exemplo foi apresentado como uma demonstração de que políticas de segurança podem, simultaneamente, contribuir para reduzir a violência policial e melhorar os resultados da atuação estatal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro eixo do debate foi a necessidade de combinar prevenção e repressão e avaliar resultados. Eloísa salientou que as duas dimensões são complementares e que a repressão, isoladamente, não é suficiente para enfrentar a criminalidade. Possebon abordou o efeito inibidor da possibilidade de punição e citou estudos sobre câmeras de vigilância que apontam para seu potencial de reduzir crimes, e não apenas aumentar prisões. Os professores também chamaram a atenção para os limites dos rankings de segurança: diferenças na capacidade de registrar ocorrências e nas características de Estados e municípios podem distorcer comparações. Para ambos, políticas de segurança precisam ser avaliadas com dados contextualizados, considerando a efetiva implementação e os resultados.&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Wed, 23 Sep 2026 14:32:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Brasil]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Como medir a produtividade sem cair na vigilância?]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/produtividade-exige-metodo-nao-vigilancia</link><description>&lt;![CDATA[Empresas podem vincular resultados à remuneração variável sem transformar indicadores em pressão excessiva, conflito trabalhista ou monitoramento invasivo]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;A produtividade voltou ao centro da agenda das empresas, mas sua utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o como crit&amp;eacute;rio para remunera&amp;ccedil;&amp;atilde;o vari&amp;aacute;vel exige mais que a defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o de metas. &amp;Eacute; necess&amp;aacute;rio estabelecer com precis&amp;atilde;o o que ser&amp;aacute; medido, como os resultados ser&amp;atilde;o apurados e de que maneira estar&amp;atilde;o relacionados ao pagamento. Essa &amp;eacute; uma das principais conclus&amp;otilde;es do e-book &lt;strong&gt;Produtividade e renda vari&amp;aacute;vel &amp;mdash; como transformar resultados em remunera&amp;ccedil;&amp;atilde;o com seguran&amp;ccedil;a&lt;/strong&gt;, produzido a partir da exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o do professor S&amp;oacute;lon Cunha no semin&amp;aacute;rio &lt;strong&gt;Produtividade e Rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es de Trabalho&lt;/strong&gt;, promovido pelo &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/conselhos/conselho-de-emprego-e-relacoes-de-trabalho"&gt;Conselho de Emprego e Rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es do Trabalho&lt;/a&gt; da &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/"&gt;Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Com&amp;eacute;rcio de Bens, Servi&amp;ccedil;os e Turismo do Estado de S&amp;atilde;o Paulo (FecomercioSP)&lt;/a&gt;. Acesse o ebook:&lt;/p&gt;&lt;p id="isPasted"&gt;&lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/upload/file/56b50ccf78111290d298de7b0f1381ea3aade8b7.pdf" target="_blank" class="fr-file botao" rel="noopener noreferrer"&gt;Produtividade e renda vari&amp;aacute;vel&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o alerta &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/noticia/produtividade-baixa-acende-alerta-para-custos-e-jornada-de-trabalho"&gt;que produtividade n&amp;atilde;o deve ser confundida com trabalhar mais, mais r&amp;aacute;pido ou por mais tempo&lt;/a&gt;. O foco deve estar na efici&amp;ecirc;ncia e na obten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de melhores resultados com os recursos utilizados. Por isso, indicadores precisam considerar fatores como qualidade, desperd&amp;iacute;cio, retrabalho, prazo e satisfa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do cliente, evitando que a busca por volume ou velocidade gere incentivos que comprometam o resultado final. O e-book tamb&amp;eacute;m destaca que cada atividade exige m&amp;eacute;tricas pr&amp;oacute;prias &amp;mdash; os indicadores adequados &amp;agrave; Ind&amp;uacute;stria, ao Com&amp;eacute;rcio e aos Servi&amp;ccedil;os podem ser bastante diferentes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro ponto central &amp;eacute; a rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre metas e aquilo que efetivamente pode ser influenciado pelo trabalhador. Segundo o material, n&amp;atilde;o &amp;eacute; adequado utilizar isoladamente indicadores determinados por fatores externos ou por decis&amp;otilde;es da pr&amp;oacute;pria empresa, como problemas de processos, tecnologia, log&amp;iacute;stica, organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou gest&amp;atilde;o. A publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m recomenda que as f&amp;oacute;rmulas de remunera&amp;ccedil;&amp;atilde;o vari&amp;aacute;vel sejam simples, transparentes e verific&amp;aacute;veis, deixando claros o indicador, a fonte dos dados, a periodicidade, a meta, os pesos, os limites e os mecanismos de contesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O avan&amp;ccedil;o das &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/noticia/fecomerciosp-lanca-livro-na-proxima-semana-sobre-o-impacto-dos-algoritmos-para-a-gestao-trabalhista?%2Fnoticia%2Ffecomerciosp-lanca-livro-na-proxima-semana-sobre-o-impacto-dos-algoritmos-para-a-gestao-trabalhista="&gt;ferramentas digitais amplia as possibilidades de medi&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/a&gt;, mas tamb&amp;eacute;m cria novos riscos. O material chama a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o para o fato de que quantidade de dados n&amp;atilde;o significa qualidade da medi&amp;ccedil;&amp;atilde;o: tempo online, cliques, movimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o do mouse e n&amp;uacute;mero de acessos, por exemplo, n&amp;atilde;o s&amp;atilde;o necessariamente indicadores de produtividade. No trabalho remoto, o cuidado deve ser ainda maior, evitando mecanismos como &lt;strong&gt;screenshots&lt;/strong&gt; frequentes, c&amp;acirc;meras permanentemente ligadas e monitoramento constante de teclado e mouse. O material ressalta ainda que dados de desempenho, acesso e utiliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de sistemas podem envolver dados pessoais, exigindo tratamento adequado e aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; LGPD.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Importante salientar que a seguran&amp;ccedil;a do sistema passa tamb&amp;eacute;m pela possibilidade de auditoria e contesta&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos resultados. O empregado deve conseguir compreender como determinado pagamento foi calculado e questionar eventuais diverg&amp;ecirc;ncias. Na negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva, portanto, a discuss&amp;atilde;o n&amp;atilde;o deveria se limitar ao valor ou porcentual do b&amp;ocirc;nus, mas incluir o pr&amp;oacute;prio m&amp;eacute;todo de medi&amp;ccedil;&amp;atilde;o, suas fontes de dados, pesos, padr&amp;otilde;es de qualidade, fatores externos, mecanismos de revis&amp;atilde;o e tratamento de diverg&amp;ecirc;ncias. A publica&amp;ccedil;&amp;atilde;o resume essa orienta&amp;ccedil;&amp;atilde;o em uma regra de cinco perguntas: o que est&amp;aacute; sendo medido, se o empregado consegue influenciar o resultado, como a medi&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; feita, se o resultado pode ser comprovado e se o sistema pode ser utilizado sem transformar gest&amp;atilde;o em vigil&amp;acirc;ncia. Acesse:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a id="isPasted" class="botao" href="https://www.fecomercio.com.br/upload/file/56b50ccf78111290d298de7b0f1381ea3aade8b7.pdf"&gt;Produtividade e renda vari&amp;aacute;vel&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Fri, 18 Sep 2026 15:07:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Brasil]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Mesmo com corte, espaço para reduções adicionais na Selic permanece estreito]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/mesmo-com-corte-espaco-para-reducoes-adicionais-na-selic-permanece-estreito</link><description>&lt;![CDATA[Política fiscal, inflação acima da meta e riscos geopolíticos limitam capacidade de atuação do Banco Central]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;Mesmo com a redução da taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto porcentual (p.p.), anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (16), que levou a Selic de 14% para 13,75%, a conjuntura é de que novos cortes ocorram de forma mais lenta e limitada do que o mercado chegou a antecipar. Na avaliação da &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/"&gt;&lt;strong&gt;Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, a expectativa é que a Selic permaneça alta por mais tempo, em resposta à política fiscal expansionista, à falta de contenção das despesas obrigatórias (atrelada à inflação acima da meta) e às incertezas do cenário geopolítico.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na visão da FecomercioSP, para que o Banco Central (BC) pudesse aprofundar o ciclo de cortes, seria necessário que o governo assumisse um compromisso com o equilíbrio fiscal, o que é improvável em ano eleitoral. Com a continuidade da política fiscal expansionista, a fragilidade das contas públicas e um ambiente de inflação acima da meta, o BC acaba obrigado a manter os juros altos por mais tempo, reduzindo a eficácia da política monetária e elevando o custo social do controle inflacionário.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A principal justificativa para a continuidade do corte dos juros está no comportamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que, em agosto, registrou deflação de 0,32%, o melhor resultado para o ano, em um sinal claro de arrefecimento da inflação corrente. Contudo, o indicador, acumulado em 12 meses, segue em torno de 4,1%, acima da meta de 3% para 2026, e a inflação de serviços permanece próxima de 6% ao ano (a.a.).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O próprio boletim Focus trouxe uma previsão menos otimista, com a projeção mediana para o IPCA subindo para cerca de 4,86%, neste ano, e para 4%, em 2027. Com as expectativas desancoradas, o BC tem uma margem reduzida para acelerar os cortes sem comprometer a convergência da inflação.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No campo internacional, há ainda outro componente dificultando a intensificação do ciclo de cortes: o conflito envolvendo o Irã e as ameaças de fechamento ou interrupção do Estreito de Ormuz. Aproximadamente 20% do petróleo consumido no mundo passa por esse canal marítimo. Qualquer interrupção do tráfego no local, portanto, provocaria um choque de oferta de energia, com impacto imediato aos custos de produção e transporte em todo o mundo, especialmente no Brasil, onde o petróleo e derivados têm peso significativo tanto na inflação ao produtor quanto no IPCA, via combustíveis. Assim, a dúvida quanto aos rumos dos acontecimentos, exige que o BC preserve um diferencial de juros capaz de reagir ao reflexo inflacionário do setor externo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesse cenário, o corte de 0,25 p.p. não decorreu de uma melhoria do cenário macroeconômico, mas da necessidade de o BC preservar a consistência e a credibilidade do ciclo de afrouxamento que o próprio iniciou. Interromper o processo sem uma deterioração clara das expectativas criaria ruídos desnecessários na comunicação e poderia ser interpretado como falta de clareza sobre os fundamentos da política monetária. Juros estruturalmente mais baixos, porém, só serão possíveis com um ajuste fiscal consistente. Sem essa base, qualquer ciclo de afrouxamento corre o risco de ser revertido, com custos que recaem sobre empresas e consumidores.&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Thu, 17 Sep 2026 09:13:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Brasil]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Brasil carece de estratégia para liderar transição energética]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/brasil-carece-de-estrategia-para-liderar-transicao-energetica</link><description>&lt;![CDATA[Apesar das vantagens em energia renovável, faltam coordenação e estabilidade nas políticas públicas]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;O Brasil tem recursos naturais e condições para se tornar um dos protagonistas da transição energética mundial, mas precisa transformar essas vantagens em uma estratégia de desenvolvimento. A falta de coordenação entre políticas públicas e a instabilidade das regras estão entre os principais obstáculos para que o País atraia investimentos, desenvolva tecnologia e conquiste mercados na nova economia de baixo carbono.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa foi uma das principais conclusões da terceira aula do curso &lt;strong&gt;O Futuro do Brasil em Debate: um Olhar Interdisciplinar&lt;/strong&gt;, promovido pelas Escolas de Direito e Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV Direito SP e FGV EESP), em parceria com o &lt;a href="https://umbrasil.com/"&gt;Canal UM BRASIL&lt;/a&gt; e a &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/"&gt;Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/a&gt;. O debate sobre transição energética reuniu os professores Amanda Schutze, da FGV EESP, e Mário Shapiro, da FGV Direito SP.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Amanda ressaltou que o Brasil parte de uma posição privilegiada. Cerca de 90% da matriz elétrica brasileira é renovável, contra aproximadamente 30% no mundo. Na matriz energética, a participação das fontes renováveis chega a cerca de 50%, ante 15% globalmente. Além da hidreletricidade e dos biocombustíveis, o País dispõe de abundância de sol, água e ventos. Para a professora, esse conjunto de vantagens pode ser convertido em crescimento econômico, aumento da produtividade e geração de renda, inclusive com a exportação de energia renovável, hidrogênio de baixo carbono e produtos com menos intensidade de emissões.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O problema, segundo Amanda, é que o Brasil ainda não consegue coordenar as políticas necessárias para aproveitar esse potencial. Medidas nas áreas de Energia, Indústria, Meio Ambiente e Clima precisam estar alinhadas, assim como as ações de União, Estados e municípios. Sem essa coordenação, políticas podem se sobrepor, perder eficiência ou até produzir efeitos contrários. A professora também enfatizou a necessidade de planejamento de longo prazo e de regras claras e estáveis. Como os projetos de transição energética exigem grandes volumes de capital e têm maturação prolongada, regulação sólida, estabilidade e segurança jurídica são condições fundamentais para atrair o investimento privado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Shapiro, por sua vez, usou a experiência recente do setor elétrico para mostrar os custos da falta de planejamento. O professor classificou como um “fracasso de uma política que foi muito bem-sucedida” a trajetória que levou o Brasil da construção de uma indústria eólica nacional, apoiada pelo BNDES e por políticas de conteúdo local, à expansão descoordenada da energia solar. O crescimento acelerado das fontes solar e eólica acabou produzindo excesso de geração em determinados momentos e a necessidade de desligar usinas, no fenômeno conhecido como &lt;em&gt;curtailment&lt;/em&gt;. A mudança de orientação entre governos também contribuiu para desorganizar uma cadeia industrial que havia sido construída no setor eólico.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo Shapiro, o Brasil corre o risco de repetir um padrão histórico — fornecer recursos a nova economia mundial sem conseguir capturar uma parcela relevante do valor gerado por ela. O professor citou a Holanda, que se tornou referência e exportadora de competências no setor eólico, e a China, hoje dominante na produção de placas fotovoltaicas, como exemplos de países que transformaram escolhas estratégicas em vantagens competitivas. O Brasil, afirmou, não deveria se limitar à exportação de minerais críticos, mas buscar desenvolver tecnologia, indústria, inovação, empregos e produtos de maior valor agregado. Para isso, seria necessário recuperar capacidade de planejamento e construir políticas que sobrevivam às mudanças de governo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A discussão também apontou para um desafio institucional: como construir políticas de transição energética capazes de atravessar ciclos eleitorais e mudanças de governo. Shapiro ressaltou a crescente fragmentação da capacidade de planejamento e execução do Estado e chamou a atenção para a mudança na distribuição de recursos e poder entre Executivo e Legislativo. Já Amanda defendeu o monitoramento, a avaliação e a revisão permanente das políticas de transição energética, com participação da sociedade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Tue, 15 Sep 2026 09:32:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Brasil]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Corda bamba: Comércio paulista sofre pressão de estoques, dívidas e juros altos]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/corda-bamba-comercio-paulista-sofre-pressao-de-estoques-dividas-e-juros-altos</link><description>&lt;![CDATA[Varejo perde R$ 44,7 bilhões em faturamento no primeiro semestre, em um cenário de maior endividamento de empresas e famílias; confira no Panorama do Comércio]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;O Comércio paulista anda na corda bamba, com estoques cheios, juros no topo, famílias sem espaço para se endividar mais e confiança do consumidor em queda. Esse é o retrato analisado na última edição do &lt;strong&gt;Panorama do Comércio&lt;/strong&gt;. &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/upload/file/b6a82ea002ae4e27b747fbf8a2671859958aa87a.pdf" target="_blank" class="fr-file" rel="noopener noreferrer"&gt;Acesse aqui!&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Hoje, 28,8% do empresariado paulistano diz ter excesso de mercadorias nas prateleiras. É o maior nível desde março de 2023. Esse acúmulo já reduz pedidos a fornecedores, aperta margens e começa a cobrar o preço em empregos e investimentos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As dívidas apertam dos dois lados. Empresas somam R$ 86,1 bilhões em atrasos há três meses, o maior volume da série histórica do Banco Central (BC). Micro, pequenos e médios negócios respondem por R$ 3 a cada R$ 4 em atraso. Entre as famílias, 75% estão endividadas e 20,4% já são inadimplentes. A Serasa Experian alerta que há 9,1 milhões de CPNJs negativados no País, somando, juntos, mais de R$ 230 bilhões.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O varejo tem sentido isso no bolso. O faturamento bruto do setor caiu 5,7% no primeiro semestre, R$ 44,7 bilhões a menos que em 2025. Oito das nove atividades centrais recuaram. Eletrodomésticos e lojas de departamento caíram 25,6%.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A edição traz também o radar de indicadores do mês (Selic, IPCA, INPC, ICC), a queda nos empregos no varejo e a análise da &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/"&gt;Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/a&gt; para proteger o negócio neste momento: revisão de planos, corte de estoque, crédito e controle de investimentos. Acesse!&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/upload/file/b6a82ea002ae4e27b747fbf8a2671859958aa87a.pdf" class="botao"&gt;&lt;strong id="isPasted"&gt;Panorama do Comércio&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Fri, 11 Sep 2026 11:49:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Brasil]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[PEC da Segurança Pública deve ser aprovada, mas sem deixar responsabilidade fiscal de lado]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/pec-da-seguranca-publica-precisa-ser-aprovada-mas-sem-deixar-responsabilidade-fiscal-de-lado</link><description>&lt;![CDATA[Proposta amplia integração e combate ao crime organizado, mas Senado deve resistir às pressões de categorias para a concessão de benefícios que aumentem gastos públicos]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;A &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/"&gt;Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/a&gt;entende como fundamental a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 18/2025, ou “PEC da Segurança Pública”, em tramitação no Senado Federal, mas alerta para que essa Casa Legislativa resista a eventuais pressões de categorias por concessão de benefícios ou aposentadorias especiais que resultariam em aumento dos gastos públicos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Texto aprimora combate ao crime organizado&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O substitutivo aprovado na Câmara dos Deputados trouxe melhorias significativas em relação ao que havia sido proposto inicialmente pelo Executivo. Ao manter um equilíbrio federativo e estruturar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), com coordenação nacional e uma execução descentralizada, o projeto preserva autonomia dos Estados e valoriza a cooperação com os municípios.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O resultado é mais interoperabilidade tecnológica, com compartilhamento de informações e maior atuação integrada por meio de forças-tarefas, que diminuem o excesso de burocracias desnecessárias. Outra alteração importante foi a previsão de criação de um regime jurídico especial a organizações de alta periculosidade, que inclui sanções rigorosas, restrições a benefícios e instrumentos eficazes de apreensão de bens obtidos com atividades criminosas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Também merece destaque a previsão de modernização e fortalecimento da gestão do sistema prisional, que deve ajudar a combater um dos problemas estruturais da segurança pública no País: a utilização de presídios como centros de comando e articulação criminosa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por fim, a vinculação de recursos ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e ao Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), com critérios de distribuição e vedação de contingenciamento, permite previsibilidade orçamentária, fundamental aos setores produtivos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Insegurança afeta empresas e investimentos&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/upload/file/028533dd95e5f6a2d75a425e48a9a64b76c93338.pdf"&gt;sondagem realizada pela FecomercioSP&lt;/a&gt; há um mês mostrou, por exemplo, que 52,2% dos negócios do Comércio paulistano gastaram com segurança privada para se protegerem da violência,&amp;nbsp;função que deveria ser garantida pelo Estado. Desses, 25,6% investiram em câmeras e monitoramento; 6,4%, em vigilância ou rondas; e 3%, em reforço físico, enquanto outros 15,6% adotam mais de uma dessas medidas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais do que investimentos nesses mecanismos de proteção, o crime organizado também desestimula as empresas a injetarem mais recursos nas operações, encarece os seguros, amplia perdas logísticas e compromete a criação de postos de trabalho e de renda.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em setores como o Turismo e Comércio, altamente dependentes da circulação de pessoas e de mercadorias, o impacto dessa insegurança pode ser observado na diminuição da competitividade do País em comparação com outras nações quando o assunto é a escolha de destinos para viagens.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Desde o início da discussão, a FecomercioSP tem defendido a PEC como uma oportunidade para o Estado brasileiro reorganizar competências, integrar estruturas e fortalecer instrumentos de enfrentamento do crime organizado. A Entidade segue atuante no Congresso a fim de que a proposta final consolide uma política para segurança pública integrada e sustentável fiscalmente. Para saber mais sobre a agenda da FecomercioSP para a segurança pública, clique &lt;a href="https://feclink.fecomercio.net.br/cl/PXwJ_/A/2211/0/BMNv/CO6sRegC3ch/1/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Tue, 08 Sep 2026 16:06:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Brasil]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Indústria automobilística vai na contramão da perda de ritmo dos setores produtivos]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/industria-automobilistica-sustenta-perda-de-ritmo-dos-setores-produtivos</link><description>&lt;![CDATA[Crédito para o segmento está próximo de R$ 300 bilhões]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;Em meio a um cenário de incertezas internas e externas – que vão do ajuste fiscal pós-período eleitoral à guerra no Oriente Médio –, os setores produtivos do País já dão sinais de exaustão, observa o Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política (CSESP) da FecomercioSP.&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dados e a análise estão na &lt;strong&gt;Carta de Conjuntura&lt;/strong&gt; do conselho, divulgada nesta semana. &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/upload/file/39f3501c0b9f137755fbe06df834e03a32462d8b.pdf" target="_blank" class="fr-file" rel="noopener noreferrer"&gt;Acesse aqui!&amp;nbsp;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A indústria cresceu 1,5% no acumulado dos 12 meses até junho, o mesmo ritmo do comércio restrito. Os serviços, que costumam puxar a direção da economia, subiram 2,5% no mesmo período.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No entanto, o comércio ampliado caminha bem, muito por conta do ótimo momento das lojas de carros. As vendas nesse segmento cresceram 11% entre junho de 2026 e o mesmo período do ano passado, e os emplacamentos já atingiram marca de 1,6 milhão de unidades até julho – em 2025 todo, o número foi de 2,5 milhões.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso está acontecendo por causa do crédito que, no caso desse mercado, está perto de bater na casa dos R$ 300 bilhões. Não é trivial que a Fenabrave Federação Nacional Distribuição Veículos Automotores (Fenabrave) tenha revisado a projeção de crescimento de 2026 de 3%, no começo do ano, para 8,8% agora.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A &lt;strong&gt;Carta de Conjuntura&lt;/strong&gt; ainda aborda como a política econômica de Donald Trump, nos Estados Unidos, já preocupa o mercado global a longo prazo, à medida em que o presidente norte-americano tem expandido gastos em busca de um resultado mais favorável nas &lt;em&gt;midterms&lt;/em&gt;, as eleições legislativas de novembro. &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/upload/file/39f3501c0b9f137755fbe06df834e03a32462d8b.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;Acesse!&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Thu, 27 Aug 2026 16:14:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Brasil]]</category></item></channel></rss>
