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<rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" version="2.0"><channel><title>&lt;![CDATA[Artigos - Editorial - FecomercioSP]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticias/editorial/artigos</link><description>&lt;![CDATA[Descrição.]]</description><lastBuildDate>Sun, 11 Oct 2026 01:02:47 -0300</lastBuildDate><language>pt-br</language><image><title>&lt;![CDATA[Artigos - Editorial - FecomercioSP]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticias/editorial/artigos</link><url>http://fecomercio.com.br/assets/img/fecomercio-sp-image-share.jpg</url></image><category>&lt;![CDATA[Editorial]]</category><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category><item><title>&lt;![CDATA[Não existe proteção duradoura ao trabalhador sem empresas capazes de sobreviver]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/empregos-dependem-de-empresas</link><description>&lt;![CDATA[O dilema sobre a redução da jornada: o direito à qualidade de vida é legítimo, mas uma mudança generalizada com manutenção dos salários significa aumento imediato do custo do trabalho&#13;
]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;Em junho, o Brasil ultrapassou a marca recorde de 9,1 milhões de CNPJs inadimplentes, com R$ 232,9 bilhões em dívidas negativadas. O volume de negócios que entraram em recuperação judicial no ano passado chegou a 2.466, maior da série histórica, iniciada em 2012. Esses índices ajudam a descortinar o pano de fundo dos debates trabalhistas recentes: a preservação do emprego depende, antes de tudo, da capacidade de sobrevivência das empresas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando há queda nas vendas, crédito caro e margens comprimidas, o aumento de despesas afeta diretamente a capacidade de contratar. O varejo paulista já emite sinais de dificuldade, registrando um saldo negativo de mais de 17 mil vagas entre janeiro e julho de 2026, o pior resultado desde a pandemia. Por isso, a questão é (ou deveria ser) como proteger o trabalhador sem comprometer as empresas que geram os postos de trabalho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A discussão sobre a redução da jornada laboral ilustra esse dilema. O direito à qualidade de vida é legítimo. Contudo, uma mudança generalizada com manutenção dos salários significa aumento imediato do custo do trabalho. Uma pequena empresa, com margens estreitas, não dispõe das mesmas condições de uma grande corporação. Por isso, em situações excepcionais, soluções negociadas entre empregadores, trabalhadores e sindicatos podem ser mais eficazes do que regras uniformes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para além disso, há as decisões da Justiça do Trabalho, que nem sempre respeitam a realidade empresarial. É o caso da situação envolvendo a Casas Bahia, que, em recuperação judicial e com uma dívida bilionária, recebeu da Justiça do Trabalho a determinação de suspender as demissões e restabelecer provisoriamente os vínculos empregatícios. Ocorre que a legislação permite a dispensa coletiva sem autorização sindical prévia. O Supremo passou a exigir a intervenção sindical nas demissões em massa, mas sem condicioná-las à autorização ou a acordo coletivo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Justiça do Trabalho tem papel fundamental na proteção de direitos, mas há um problema grave quando interfere na reestruturação de uma empresa sem considerar que recontratar pessoas para uma empresa com sérias dificuldades financeiras não recria empregos sustentáveis. Direitos trabalhistas e empresas não são adversários. Um depende do outro e não existe proteção duradoura ao trabalhador sem empresas capazes de sobreviver. Por essa e tantas outas razões, o controle da dívida pública é fundamental. Caso contrário, continuaremos sujeitos a juros elevados, baixo investimento e crescimento insuficiente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Autores:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Ivo Dall’Acqua é presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Maria Cristina Mattioli é desembargadora aposentada da Justiça do Trabalho e presidente do Conselho Superior de Relações do Trabalho da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Fabio Pina é economista e assessor da FecomercioSP.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo publicado originalmente no Estado de S.Paulo em 06 de outubro de 2026.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Tue, 06 Oct 2026 09:10:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[El Niño exige um novo olhar sobre os riscos do negócio]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/el-nino-exige-um-novo-olhar-sobre-os-riscos-do-negocio</link><description>&lt;![CDATA[Com eventos climáticos mais intensos, adaptação deixa de ser apenas uma pauta ambiental e passa a fazer parte da estratégia empresarial]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;&lt;em&gt;Por José Goldemberg e Cristiane Cortez*&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pela elevação anormal da temperatura das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação das correntes marítimas e influencia o regime de chuvas e temperaturas em diferentes partes do planeta. Durante sua ocorrência, os ventos alísios enfraquecem, permitindo uma concentração maior de águas quentes no centro e no leste do Pacífico.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Embora faça parte da variabilidade natural do clima, o que preocupa atualmente é sua interação com um planeta cada vez mais quente. Estudo recente publicado na revista &lt;em&gt;Science&lt;/em&gt;, com base em registros de corais das Ilhas Galápagos, indica que os El Niño atuais estão, em média, 36,5% mais intensos que no período pré-industrial. Há ainda uma relação de mão dupla: as mudanças climáticas podem intensificar o El Niño, enquanto o próprio fenômeno pode contribuir para agravar o aumento da temperatura global.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No Brasil, seus efeitos incluem ondas de calor, chuvas torrenciais e enchentes (em algumas regiões) e secas, baixa umidade e pressão sobre os reservatórios (em outras). Para uma empresa, porém, a ameaça climática não termina na porta do estabelecimento. Uma enchente distante pode interromper uma rodovia, paralisar um fornecedor e impedir a chegada de mercadorias. Uma seca prolongada pode comprometer os fornecimentos de água e energia e a disponibilidade de matérias-primas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por isso, a adaptação climática precisa entrar definitivamente no planejamento empresarial. Não se trata apenas de uma pauta ambiental ou de ESG, mas de gestão, proteção do patrimônio e continuidade do negócio. Mapear instalações, fornecedores e rotas vulneráveis, avaliar a dependência de insumos essenciais (como água e energia), prever alternativas de abastecimento, revisar seguros e contratos e estabelecer responsáveis e protocolos para emergências são medidas capazes de reduzir vulnerabilidades e exposição a riscos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A experiência de organizações atingidas por eventos extremos mostra que improvisar durante uma crise custa mais caro. Recursos reservados, responsabilidades previamente definidas e redes de parceiros permitem respostas mais rápidas e reduzem danos às pessoas e às operações.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A adaptação também precisa avançar no âmbito das políticas públicas. O Plano Clima Adaptação — Cidades já apresenta um diagnóstico das vulnerabilidades urbanas, identifica as principais ameaças climáticas aos municípios brasileiros e propõe ações intersetoriais. Governos locais também vêm avançando nessa agenda, com iniciativas para incorporar a adaptação climática ao planejamento, como ocorre em Gramado (RS) e Petrópolis (RJ). Do mesmo modo, o setor privado precisa fazer a sua parte, incorporando esses riscos às decisões e aos planos de contingência e de continuidade dos negócios.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Preparar-se para o El Niño não significa prever exatamente onde ocorrerá a próxima enchente ou seca. Implica reconhecer que o clima já integra a matriz de riscos empresariais. A antecipação permite às empresas proteger pessoas, reduzir perdas e ampliar sua capacidade de manter as operações diante do próximo evento extremo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;* Respectivamente, presidente e assessora do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo originalmente publicado no&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;a href="https://dcomercio.com.br/publicacao/s/onibus-eletrico-opcao-eficiente-para-descarbonizar-grandes-centros-urbanos" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;&lt;em&gt;jornal Diário do Comércio&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;em 14 de setembro de 2026.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Tue, 15 Sep 2026 14:44:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Irresponsabilidade fiscal limita o crescimento]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/irresponsabilidade-fiscal-limita-o-crescimento</link><description>&lt;![CDATA[Ao ampliar os gastos, o governo pressiona a demanda da economia e obriga o BC a elevar as taxas de juros ]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;&lt;em id="isPasted"&gt;Antonio Lanzana*&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma das caracter&amp;iacute;sticas da pol&amp;iacute;tica econ&amp;ocirc;mica atual &amp;eacute; a preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o aumento da arrecada&amp;ccedil;&amp;atilde;o. As medidas adotadas com esse objetivo s&amp;atilde;o tantas que enumer&amp;aacute;-las, certamente, n&amp;atilde;o caberia neste espa&amp;ccedil;o. De forma simplificada, nota-se que a carga tribut&amp;aacute;ria subiu mais de 2 pontos porcentuais (p.p.) em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao&amp;nbsp;Produto Interno Bruto (PIB)&amp;nbsp;&amp;mdash; 2025 sobre 2022 &amp;mdash;, o equivalente a cerca de R$ 255 bilh&amp;otilde;es, em pre&amp;ccedil;os de 2025. Mais recentemente, dados do Tesouro Nacional mostram um crescimento real da receita bruta do Governo Central de 5,2% no primeiro semestre deste ano e de 10% em junho, sempre em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a iguais per&amp;iacute;odos de 2025.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Aumentos de impostos afetam diretamente a capacidade de crescimento do Pa&amp;iacute;s, na medida em que reduzem a gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de recursos por parte das empresas e diminuem as taxas de retorno dos investimentos. Embora ainda com consequ&amp;ecirc;ncias negativas, a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o seria diferente se a eleva&amp;ccedil;&amp;atilde;o da carga tribut&amp;aacute;ria resultasse em redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre d&amp;iacute;vida e PIB, o que viabilizaria a queda das taxas de juros. Mas o que ocorreu foi exatamente o contr&amp;aacute;rio, com essa rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o passando de 71,7% no in&amp;iacute;cio da gest&amp;atilde;o atual, e devendo encerrar 2026 com 83%. Por que isso ocorreu mesmo com o aumento da carga tribut&amp;aacute;ria?&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O objetivo do governo ao aumentar a arrecada&amp;ccedil;&amp;atilde;o foi gerar recursos para ampliar os gastos p&amp;uacute;blicos, conflitando com a pol&amp;iacute;tica do Banco Central (BC) de levar a infla&amp;ccedil;&amp;atilde;o para dentro da meta. Ao ampliar os gastos, o governo pressiona a demanda da economia e obriga o BC a elevar as taxas de juros para reduzir o gasto privado. A manuten&amp;ccedil;&amp;atilde;o de juros extremamente elevados e por longo per&amp;iacute;odo influencia as contas do setor p&amp;uacute;blico e a situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do setor privado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Frequentemente, o governo destaca que as metas do arcabou&amp;ccedil;o fiscal est&amp;atilde;o sendo cumpridas ao se referir ao super&amp;aacute;vit prim&amp;aacute;rio. Vale observar, por&amp;eacute;m, que essas metas s&amp;oacute; foram alcan&amp;ccedil;adas pela retirada de v&amp;aacute;rias despesas do c&amp;aacute;lculo. Al&amp;eacute;m disso, o que &amp;eacute; relevante para a din&amp;acirc;mica da d&amp;iacute;vida &amp;eacute; o d&amp;eacute;ficit nominal (que inclui as despesas com juros), atualmente acima de 8% do PIB, um dos maiores do mundo. Esse quadro aumenta o risco Brasil e pressiona ainda mais as taxas de juros.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os desdobramentos dessa pol&amp;iacute;tica n&amp;atilde;o se limitam ao setor p&amp;uacute;blico. Taxas elevadas de juros e incentivos &amp;agrave; tomada de cr&amp;eacute;dito, com a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de v&amp;aacute;rias linhas especiais em ano eleitoral, levam a um quadro recorde de inadimpl&amp;ecirc;ncia das pessoas f&amp;iacute;sicas, sendo que o Desenrola 2.0 &amp;eacute; apenas um paliativo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Do lado empresarial, os reflexos encontram-se no n&amp;uacute;mero recorde de pedidos de recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o judicial, com crescimento de 80% no primeiro trimestre de 2026, em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o ao mesmo per&amp;iacute;odo de 2023, e nos pedidos de recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o extrajudicial, com expans&amp;atilde;o de 425% em 2025, relativamente a 2021, de acordo com a plataforma Monitor RGF de Recupera&amp;ccedil;&amp;atilde;o Judicial.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As consequ&amp;ecirc;ncias desse cen&amp;aacute;rio sobre as decis&amp;otilde;es de investimento s&amp;atilde;o dram&amp;aacute;ticas. No per&amp;iacute;odo de janeiro a maio deste ano, em compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o com os mesmos meses de 2025, enquanto a Ind&amp;uacute;stria como um todo cresceu 1,4%, a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o de bens de capital caiu 4,8%. E mais: dados da Associa&amp;ccedil;&amp;atilde;o Brasileira da Ind&amp;uacute;stria de M&amp;aacute;quinas e Equipamentos (Abimaq) mostram que, no primeiro semestre deste ano, houve uma queda no consumo aparente de bens de capital (produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o industrial nacional mais importa&amp;ccedil;&amp;otilde;es menos exporta&amp;ccedil;&amp;otilde;es) de 15%.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A taxa de investimento, ao lado da produtividade, &amp;eacute; crucial para a determina&amp;ccedil;&amp;atilde;o da capacidade de crescimento da economia, o que explica a expectativa de crescimento do PIB de apenas 2% em 2026, refor&amp;ccedil;ando a tend&amp;ecirc;ncia que acompanha o Brasil de crescer sistematicamente abaixo do restante do mundo nos &amp;uacute;ltimos anos. Em outras palavras, estamos ficando relativamente cada vez mais pobres.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Presidente do Conselho Superior de Economia, Sociologia e Pol&amp;iacute;tica da FecomercioSP e professor na Universidade de S&amp;atilde;o Paulo (USP) e na Funda&amp;ccedil;&amp;atilde;o Dom Cabral (FDC)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo publicado originalmente na Revista Problemas Brasileiros&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Fri, 04 Sep 2026 14:40:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Simples Nacional: um modelo que arrecada, emprega e promove inclusão]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/simples-nacional-um-modelo-que-arrecada-emprega-e-promove-inclusao</link><description>&lt;![CDATA[Regime concentra 34% das empresas do País e responde por quase um terço dos empregos formais do Brasil]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;&lt;em&gt;*Ivo Dall'Acqua&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Poucas políticas públicas brasileiras conseguem reunir, ao mesmo tempo, eficiência econômica, elevada capacidade de arrecadação e forte impacto social. O Simples Nacional é uma delas. Criado para reduzir a burocracia e estimular a formalização dos pequenos negócios, tornou-se um instrumento decisivo à geração de empregos, renda e oportunidades.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os números falam por si. O regime tributário reúne 6,2 milhões de empresas, cerca de 34% de todos os negócios brasileiros. Embora responda por apenas 7,2% da receita bruta nacional, o segmento é responsável por 18,8% de toda a arrecadação federal. Esses números apontam que, proporcionalmente ao faturamento, essas empresas contribuem muito mais para os cofres públicos do que normalmente se imagina, desmontando a ideia de que o Simples representa apenas um benefício fiscal.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A contribuição social é ainda mais expressiva. As empresas optantes pelo regime empregam 23,3 milhões de trabalhadores, o equivalente a 33,3% de todos os empregos formais do Brasil, além de responderem por 14,2% da massa salarial. Presentes em praticamente todos os municípios, esses negócios impulsionam a economia local, distribuem renda e fazem do Simples um propulsor de emprego, inclusão produtiva e desenvolvimento econômico.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não é exagero afirmar que o Simples funciona como um dos maiores programas sociais do Brasil. A diferença é que, em vez de distribuir renda por meio de transferências governamentais, cria condições para que milhões de brasileiros obtenham renda pelo trabalho, pelo empreendedorismo e pela atividade produtiva.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As Micro e Pequenas Empresas (MPEs) dão a tônica da economia nacional, representando o pequeno comércio do bairro, a padaria, a oficina, o restaurante, o salão de beleza, a empresa familiar, enfim, o comerciante que conhece seus clientes pelo nome. É essa capilaridade que faz com que o crescimento econômico alcance regiões onde grandes investimentos dificilmente chegariam.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por todas essas razões, qualquer proposta que reduza a competitividade do Simples Nacional precisa ser analisada com extrema cautela. Enfraquecer esse regime significa aumentar a carga tributária sobre pequenos negócios, dificultar a formalização, ampliar a informalidade e comprometer milhares de empresas que sustentam economias locais.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O ministro da Fazenda, Dario Durigan, garantiu a parlamentares que o governo deve apresentar, no início de agosto, um estudo sobre o impacto fiscal da atualização do Simples. Por sua vez, o relator do Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/2021, que atualiza os limites de receita do Microempreendedor Empresarial (MEI), deputado Jorge Goetten (Rep/SC), entende que o mesmo pode ser feito em relação às demais empresas do Simples Nacional, pois se trataria de apenas de uma reposição da inflação, sem comprometimento do equilíbrio fiscal.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para o relator, a atualização exclusiva do MEI criaria uma distorção no regime, pois esvaziaria, na prática, a primeira faixa de enquadramento das Microempresas (MEs), comprometendo a coerência da estrutura do regime.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O certo é que o Brasil carece de uma agenda voltada para o aumento da produtividade, a simplificação do ambiente de negócios e o acesso ao crédito a os pequenos empreendedores, e não para a redução dos instrumentos que vêm funcionando. O Simples Nacional mostrou, ao longo de quase duas décadas, que é possível conciliar arrecadação, desenvolvimento econômico e inclusão social.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Num momento em que o País busca crescer de forma sustentável, fortalecer quem mais emprega deveria ser uma prioridade nacional. Defender o Simples é defender milhões de empreendedores, milhões de trabalhadores e um modelo que produz riqueza, amplia oportunidades e contribui para um Brasil mais dinâmico, competitivo e socialmente inclusivo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Ivo Dall’Acqua é presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo originalmente publicado no portal Jota em 28 de agosto de 2026&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Fri, 28 Aug 2026 07:26:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[A disputa pelo bolso do consumidor e os desafios do comércio atacadista]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/a-disputa-pelo-bolso-do-consumidor-e-os-desafios-do-comercio-atacadista</link><description>&lt;![CDATA[Novas despesas, como apostas, streaming e serviços digitais, reduzem a renda disponível das famílias e exigem mais eficiência, inteligência de dados e inovação do setor]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;&lt;em id="isPasted"&gt;Ronaldo Jamar Taboada*&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p id="isPasted"&gt;Atualmente, o orçamento familiar não é pressionado apenas por alimentação, moradia e transporte, mas também por novos mercados digitais e serviços. Plataformas de &lt;strong&gt;streaming&lt;/strong&gt;, aplicativos, compras internacionais, apostas online, academias, medicamentos voltados para o emagrecimento e serviços de entretenimento disputam os mesmos recursos do varejo tradicional.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O avanço de apostas esportivas e jogos virtuais é um dos exemplos mais evidentes dessa transformação. Segundo pesquisa da FecomercioSP, 35% dos paulistanos fazem apostas para tentar aumentar a renda doméstica, enquanto parte significativa usaria os recursos para consumo essencial, como pagar contas (14%) e comprar alimentos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para o comércio atacadista e distribuidor, os impactos são preocupantes. O setor atua justamente na distribuição de bens de consumo que vêm sendo fortemente afetados por essas tendências. Quando novas despesas passam a ocupar espaço no orçamento, o consumidor reduz o volume de compras, e o varejista &amp;nbsp;diminui frequência de reposição, ou, ainda, buscam-se alternativas de menor valor agregado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Diante dessa situação, o setor precisará combinar escala, eficiência logística, inteligência de dados e resiliência. Identificar quais categorias ganham prioridade, os canais que preservam crescimento e as regiões que mantêm mais dinamismo passa a ser decisivo para sustentar o avanço do comércio atacadista em um ambiente de consumo fragmentado e fragilizado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Presidente do Conselho de Comércio Atacadista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo originalmente publicado na Revista Eletrolar News em 20 de agosto de 2026.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Fri, 21 Aug 2026 16:23:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Quando a gestão de resíduos deixa de ser opção e passa a ser obrigação]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/quando-a-gestao-de-residuos-deixa-de-ser-opcao-e-passa-a-ser-obrigacao</link><description>&lt;![CDATA[Dispensa do plano de gerenciamento não livra empresas de responsabilidades sobre resíduos; desconhecer as regras pode aumentar riscos legais e custos]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;&lt;em&gt;Por José Goldemberg e Cristiane Cortez*&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) completou 16 anos, mas muitos comerciantes ainda desconhecem que a gestão adequada dos rejeitos gerados em seus estabelecimentos não é apenas uma boa prática ambiental, mas uma obrigação legal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Toda empresa gera resíduos sólidos, independentemente do porte ou do ramo de atividade. A diferença está no tipo e na quantidade produzida, fatores que determinam as responsabilidades do gerador. Um dos equívocos mais comuns é acreditar que todas estão obrigadas a elaborar um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). Não é assim.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Decreto Federal 10.936/2022 dispensou dessa obrigação Microempresas (MEs) e Empresas de Pequeno Porte (EPPs) que gerem apenas resíduos domiciliares ou equiparados a estes pelo Poder Público municipal, desde que respeitado o limite estabelecido pelo município. Quando não houver regulamentação municipal específica, aplica-se o limite de 200 litros de rejeitos por estabelecimento por dia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse ponto merece atenção. Muitos negócios utilizam o parâmetro de 200 litros como regra geral, quando, na verdade, cabe a cada município definir o volume considerado equivalente ao resíduo domiciliar. Há municípios que adotam limites inferiores, ampliando o número de estabelecimentos obrigados a elaborar o PGRS e contratar a destinação ambientalmente adequada de seus resíduos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na capital paulista, por exemplo, o limite também é de 200 litros por dia, mas essa realidade não se repete em todos os municípios do Estado. Por isso, antes de concluir que está dispensado do plano, o comerciante deve verificar a legislação municipal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;As obrigações vão além do PGRS&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estar dispensado do PGRS não significa estar dispensado de gerir corretamente os resíduos. A responsabilidade do gerador permanece. A empresa deve reduzir a geração de resíduos, promover sua segregação, armazená-los adequadamente e destiná-los aos sistemas apropriados de coleta, reciclagem, compostagem ou logística reversa, conforme o caso.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro aspecto frequentemente negligenciado é a logística reversa. Diversos produtos comercializados contam com sistemas específicos para o retorno pós-consumo, como eletroeletrônicos, pilhas, baterias, lâmpadas, medicamentos, pneus, embalagens de óleo lubrificante e outros itens definidos na legislação. Assim, os comerciantes têm obrigações relacionadas à participação nesses sistemas, como ponto de entrega ou de divulgação, de forma isolada ou em sistemas coletivos, mediante adesão às entidades gestoras responsáveis.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com o avanço das exigências ambientais e da fiscalização, cresce também a importância de instrumentos que facilitem o cumprimento dessas obrigações. Nesse contexto, a &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/a&gt; desenvolveu uma &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/projeto-especial/logistica-reversa" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;Plataforma de Logística Reversa&lt;/a&gt;, que permite a sindicatos, varejistas, distribuidores, importadores, atacadistas e consumidores obterem informações e aderirem gratuitamente a diversos Sistemas de Logística Reversa (SLRs), além de receberem orientação técnica especializada. A Federação também promove o &lt;a href="https://lab.fecomercio.com.br/parcerias-fecomerciosp/green-eletron/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;Selo Parceiro Green Eletron&lt;/a&gt; e disponibiliza &lt;a href="https://lab.fecomercio.com.br/ferramentas/checklist-esg/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;gratuitamente um Checklist ESG&lt;/a&gt;, apoiando as empresas no gerenciamento sustentável de seus negócios.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A boa gestão de resíduos deixou de ser apenas uma questão ambiental, uma vez que também reduz desperdícios, melhora a eficiência operacional, fortalece a imagem da empresa perante consumidores e investidores e minimiza riscos decorrentes do descumprimento da legislação.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Competitividade e sustentabilidade, cada vez mais, caminham juntas. Para o Comércio, conhecer suas obrigações legais e adotar práticas responsáveis na gestão de resíduos representa, além de conformidade com a lei, uma oportunidade de agregar valor ao negócio e contribuir para cidades mais limpas, uma economia mais circular e um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;* Respectivamente, presidente e assessora do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo originalmente publicado no&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;a href="https://dcomercio.com.br/publicacao/s/onibus-eletrico-opcao-eficiente-para-descarbonizar-grandes-centros-urbanos" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;&lt;em&gt;jornal Diário do Comércio&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;em 18 de agosto de 2026.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Tue, 18 Aug 2026 14:25:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[O peso do ‘pacote de bondades’]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/o-peso-do-pacote-de-bondades</link><description>&lt;![CDATA[Medidas anunciadas às vésperas do período eleitoral superam R$ 200 bilhões e cobrarão seu preço em inflação, juros e dívida pública]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;&lt;em&gt;Antonio Lanzana*&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto não começam a vigorar as regras de conduta do período eleitoral, o governo federal vem anunciando uma série de medidas eleitoreiras com o objetivo de aumentar a popularidade. Além da redução da jornada 6x1, da reforma do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF) — com isenção para rendimentos de até R$ 5 mil — e da eliminação da “taxa das blusinhas”, pode-se destacar um conjunto enorme de outros anúncios, tanto no âmbito dos gastos públicos como no da ampliação do crédito. No primeiro caso, tem-se pagamento de precatórios em março no valor de R$ 70 bilhões; antecipação do décimo terceiro salário de aposentados e pensionistas; e subsídios para famílias de baixa renda, como os programas Luz do Povo e Gás do Povo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na área de crédito, os segmentos beneficiados são vários: motoristas de aplicativos e taxistas; consignado para trabalhadores do setor privado; programa de renegociação de dívidas (Desenrola 2.0); crédito subsidiado para empresas (Brasil Soberano); renovação das frotas de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas; novo crédito imobiliário, que oferece recursos para reformas residenciais (Reforma Casa Brasil); e ampliação do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Ainda estão no radar duas novas iniciativas — a segunda fase do Desenrola 2.0, desta vez voltada para correntistas adimplentes, e um novo estímulo à construção civil industrializada, com objetivo de acelerar a entrega de moradias do MCMV, a custos e prazos reduzidos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O montante dessas iniciativas deve superar a casa dos R$ 200 bilhões. As consequências sobre a economia serão inevitáveis. A ampliação da demanda deve levar a uma revisão para cima das projeções de crescimento do&amp;nbsp;Produto Interno Bruto (PIB)&amp;nbsp;em 2026, atualmente em 1,89%, segundo o relatório Focus, do Banco Central (BC). Considerando, no entanto, que a capacidade de resposta da produção é limitada pelo reduzido nível de investimentos, as pressões inflacionárias serão crescentes. Esse contexto agrava-se por causa do quadro externo, com a manutenção do preço do petróleo em níveis elevados e demais efeitos sobre o Agronegócio. O mercado já vem revisando as projeções de inflação para 2026 (no início do ano, estavam em 3,7%) e a variação do IPCA deste ano pode chegar perto dos 6%, distanciando-se significativamente da meta (centro de 3% e teto de 4,5%).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Diante disso, o BC vê-se “obrigado” a encurtar o ciclo de redução da taxa Selic, que pode encerrar 2026 com 14%, contra uma expectativa criada no início do ano de 12%. A manutenção de juros mais elevados vai continuar agravando a situação financeira das empresas, com possíveis novos recordes de pedidos de recuperação judicial.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É interessante chamar a atenção de que o governo vai cumprir as metas de superávit primário em 2026, que deve ficar em 0,25% do PIB, porque exclui algumas despesas do cálculo e usa medidas parafiscais para financiar as decisões anunciadas. Indicadores mais relevantes da situação das contas públicas, porém, mostram um cenário muito preocupante. É o caso do elevado déficit nominal, que inclui o pagamento de juros, atingindo 9,4% do PIB em março, além de forte deterioração da relação entre dívida e PIB, que deve encerrar o ano em torno de 82% a 83%, contra 71,7% no início do atual governo. É um quadro insustentável, mas nada muda até as eleições. As esperanças ficam para 2027.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Presidente do Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política da FecomercioSP e professor na Universidade de São Paulo (USP) e na Fundação Dom Cabral (FDC)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo publicado originalmente na&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;a href="https://revistapb.com.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;&lt;em&gt;revista Problemas Brasileiros&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Thu, 23 Jul 2026 15:15:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Para onde vai a renda?]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/para-onde-vai-a-renda</link><description>&lt;![CDATA[Estimativas apontam que os brasileiros podem movimentar entre R$ 300 bilhões e R$ 400 bilhões por ano em apostas online]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;&lt;em&gt;Fabio Pina*&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os indicadores econ&amp;ocirc;micos recentes mostram um cen&amp;aacute;rio aparentemente positivo para o Brasil. A renda m&amp;eacute;dia do trabalhador cresceu nos &amp;uacute;ltimos anos, assim como a massa de rendimentos, e o mercado de trabalho permaneceu relativamente resiliente. Ainda assim, a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o predominante continua distante de uma percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o concreta de melhoria financeira. A explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o para esse paradoxo passa por um conjunto de fatores que vem comprimindo o or&amp;ccedil;amento das fam&amp;iacute;lias e reduzindo a capacidade de consumo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O primeiro deles &amp;eacute; o elevado endividamento. Dados da Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Com&amp;eacute;rcio de Bens, Servi&amp;ccedil;os e Turismo do Estado de S&amp;atilde;o Paulo (FecomercioSP)&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;mostram que cerca de 80% das fam&amp;iacute;lias brasileiras est&amp;atilde;o endividadas, muitas pagando juros elevados, sobretudo em modalidades como cart&amp;atilde;o de cr&amp;eacute;dito e cr&amp;eacute;dito pessoal &amp;mdash; e em muitos casos, as taxas anuais superam 100%. Esse cen&amp;aacute;rio indica que uma parcela importante do aumento da renda n&amp;atilde;o se transforma em consumo ou poupan&amp;ccedil;a, mas &amp;eacute; absorvida pelo pagamento de presta&amp;ccedil;&amp;otilde;es, juros e d&amp;iacute;vidas acumuladas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro ponto relevante &amp;eacute; a infla&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos alimentos. Entre janeiro de 2022 e abril de 2025, o &amp;Iacute;ndice Nacional de Pre&amp;ccedil;os ao Consumidor Amplo (IPCA) geral subiu 23% enquanto a alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o aumentou 29%. Ao olharmos para o per&amp;iacute;odo entre janeiro e abril de 2026, a infla&amp;ccedil;&amp;atilde;o geral foi de 1,5%, com os alimentos subindo quase 3%. Mesmo em per&amp;iacute;odos de desacelera&amp;ccedil;&amp;atilde;o inflacion&amp;aacute;ria, os pre&amp;ccedil;os de itens essenciais da cesta b&amp;aacute;sica avan&amp;ccedil;aram acima da m&amp;eacute;dia geral da infla&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Como os gastos com alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o pesam proporcionalmente mais no or&amp;ccedil;amento das fam&amp;iacute;lias de baixa renda, o efeito sobre a percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica &amp;eacute; muito mais intenso do que sugerem os &amp;iacute;ndices agregados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora, soma-se a isso um novo fen&amp;ocirc;meno: o avan&amp;ccedil;o explosivo das apostas online. Pesquisa recente da FecomercioSP mostrou que 35% dos paulistanos fazem apostas buscando aumentar rapidamente a renda dom&amp;eacute;stica, um salto de 10 pontos porcentuais (p.p.) em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a 2024. Entre as fam&amp;iacute;lias com renda de at&amp;eacute; dois sal&amp;aacute;rios m&amp;iacute;nimos, esse porcentual chega a 40%. Esse dado revela um fato preocupante: parte crescente da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o passou a enxergar as &lt;em&gt;bets&lt;/em&gt; n&amp;atilde;o como entretenimento controlado, mas como tentativa de sobreviv&amp;ecirc;ncia financeira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;[veja_tambem]&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O estudo traz outros sinais alarmantes. Um quarto dos entrevistados afirmou que, se n&amp;atilde;o apostasse, guardaria esse dinheiro. Outros disseram que destinariam os recursos para pagar contas ou comprar alimentos. Isto &amp;eacute;, as apostas passaram a disputar espa&amp;ccedil;o diretamente com o consumo tradicional das fam&amp;iacute;lias e at&amp;eacute; com a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de poupan&amp;ccedil;a.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o torna-se ainda mais grave quando se observa que 12% dos entrevistados afirmaram j&amp;aacute; ter buscado ajuda financeira para continuar apostando, incluindo empr&amp;eacute;stimos banc&amp;aacute;rios e pedidos de dinheiro para familiares ou amigos. Trata-se de um processo que pode aprofundar o endividamento e ampliar a vulnerabilidade social.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As cifras envolvidas ajudam a dimensionar o problema. Estimativas apontam que os brasileiros podem movimentar entre R$ 300 bilh&amp;otilde;es e R$ 400 bilh&amp;otilde;es por ano em apostas online. Mesmo considerando uma reten&amp;ccedil;&amp;atilde;o m&amp;eacute;dia de 15% pelas plataformas, porcentual previsto no modelo regulat&amp;oacute;rio, essa movimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o representaria algo pr&amp;oacute;ximo de R$ 50 bilh&amp;otilde;es drenados do consumo das fam&amp;iacute;lias para empresas de apostas. Para efeito de compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o, esse valor equivale a cerca de um ter&amp;ccedil;o do or&amp;ccedil;amento anual do Bolsa Fam&amp;iacute;lia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Al&amp;eacute;m disso, parte relevante dessas opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es ocorre em plataformas ilegais ou sediadas fora do Pa&amp;iacute;s, ampliando o vazamento de renda da economia. Diferentemente de atividades presenciais, como cassinos e&amp;nbsp;&lt;em&gt;resorts&lt;/em&gt;, que ao menos geram empregos, turismo e arrecada&amp;ccedil;&amp;atilde;o local, as apostas virtuais t&amp;ecirc;m baix&amp;iacute;ssima capacidade de multiplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O resultado &amp;eacute; uma economia em que a renda cresce estatisticamente, mas uma parcela relevante desse ganho &amp;eacute; capturada por juros, infla&amp;ccedil;&amp;atilde;o de itens essenciais e apostas online. O consumidor sente menos melhoria porque, na pr&amp;aacute;tica, sobra menos dinheiro dispon&amp;iacute;vel para consumir, investir ou construir patrim&amp;ocirc;nio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Economista e assessor t&amp;eacute;cnico da&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Com&amp;eacute;rcio de Bens, Servi&amp;ccedil;os e Turismo do Estado de S&amp;atilde;o Paulo (FecomercioSP)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Fri, 17 Jul 2026 10:07:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[NR-1 e o direito do luto: a dor que se tornou ofício]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/nr-1-e-o-direito-do-luto-a-dor-que-se-tornou-oficio</link><description>&lt;![CDATA[Norma amplia a atenção aos riscos psicossociais e impõe ao setor funerário o desafio de proteger a saúde mental de quem convive diariamente com a dor e o luto]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;&lt;em&gt;Eduardo Pastore, Luiza Melo e Leonardo Battistuzzo&lt;sup&gt;*&lt;/sup&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;“Nascemos morrendo. O fim de cada dia é um passo a mais em direção ao fim.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;— Sêneca,&amp;nbsp;&lt;em&gt;Cartas a Lucílio&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não conhecemos sociedade humana que não tenha inventado algum rito para seus mortos. Há mais de 60 mil anos, neandertais já depositavam flores junto aos corpos de seus companheiros — porque cuidar do morto parece mais antigo do que muita coisa que chamamos de “civilização”. Os egípcios fizeram da morte uma política de Estado; Roma tinha os&amp;nbsp;&lt;em&gt;pollinctores&lt;/em&gt;, que preparavam os corpos para o funeral.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A função é, portanto, velha como a espécie. A novidade é que, no Brasil de hoje, ela tem CNPJ, convenção coletiva e sindicato — o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep).&amp;nbsp;&amp;nbsp;Agora, precisa responder a seus representados à Norma Regulamentadora 1 (NR-1). Não qualquer norma, mas a que coloca os riscos psicossociais no centro da agenda de saúde ocupacional brasileira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Existe uma curiosa lei da visibilidade social: quanto mais essencial um serviço, menos se fala dele. Cemitérios, crematórios e funerárias formam um setor econômico sólido porque sua “demanda” é a única absolutamente garantida da economia. Todos nós, sem exceção, seremos seus clientes um dia. A questão é que, enquanto ignoramos esse setor, homens e mulheres que nele trabalham carregam, dia após dia, o peso que a sociedade não quer ver.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É um setor que vive da urgência alheia. Ninguém telefona para um&amp;nbsp;cemitério&amp;nbsp;com calma, com antecedência, com tempo para cotação. O cliente chega em pânico, em choque, ainda com a notícia da morte ecoando como um zumbido dentro da cabeça. É nesse encontro entre a urgência de um lado e a rotina do outro que nasce o problema que este artigo quer iluminar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pense nos profissionais da linha de frente — o sepultador, que lida diretamente com&amp;nbsp;a&amp;nbsp;urna funerária&amp;nbsp;(a morte em sua face mais concreta, física, irrevogável); o atendente do cemitério ou crematório, que recebe famílias em choque, muitas vezes agressivas não por maldade, mas porque a dor precisa escoar em algum lugar (e o balcão de atendimento está ali, presente, humano); o motorista do carro funerário; e o administrativo, que, todos os dias, transforma burocracia em acolhimento. Todos compartilham algo raro em qualquer outra profissão: o cliente está, por definição, vivendo o pior dia de sua vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se a dor do trabalho já é, por si, objeto da NR-1 em qualquer setor — operário de fábrica, atendente de telemarketing, motorista de ônibus etc. —, imagine essa mesma dor quando o pano de fundo cotidiano é a morte de outra pessoa, repetida, sem pausa, dia após dia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A modernidade empurra a morte para o hospital; depois, para o cemitério, criando uma cadeia de profissionais cuja função é nos proteger do contato com a finitude. Pagamos para que outros lidem, em nosso lugar, com o que mais tememos. E aqui está o nó do problema. Terceirizamos as providências que a morte exige, mas o luto não se terceiriza. Continua pertencendo a quem ama e perde. E apenas ganha, nesse encontro, uma testemunha diária e involuntária — o profissional do setor funerário.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;São eles que acolhem os primeiros choros, escutam histórias interrompidas, administram conflitos familiares exacerbados pela dor, orientam decisões difíceis quando a capacidade de decidir está comprometida pelo sofrimento. Enfim, permanecem presentes (serenos, profissionais e contínuos) quando a dor do outro se manifesta em sua forma mais intensa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agimos coletivamente como se esses trabalhadores fossem blindados ao impacto emocional dessa convivência permanente com a perda.&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Não há blindagem.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; O que pode haver (e, muitas vezes, há) é adoecimento silencioso. E é justamente esse silêncio que a NR-1 vem, finalmente, obrigar a romper. O adoecimento no setor do luto não é um problema individual, tampouco fragilidade do sepultador nem sensibilidade excessiva do atendente. Trata-se de um problema da organização do trabalho, reconhecer isso é o que muda tudo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A pergunta deixa de ser “por que este trabalhador adoeceu?” e passa a ser “quais aspectos da organização do trabalho produziram esse adoecimento?”. Essa é a mudança de paradigma que a ergonomia contemporânea propõe — e que a NR-1 atualizada incorpora como obrigação legal. Ergonomia, aqui, não é sobre cadeiras ou bancadas, mas sobre escalas, previsibilidade de demandas, protocolos de acolhimento após atendimentos especialmente dolorosos, existência (ou ausência) de espaços seguros para elaborar o que foi vivido. É sobre a relação entre as cargas cognitiva e emocional do trabalho e a capacidade humana de sustentá-la com saúde. Mais do que nunca, sobre a saúde da organização do trabalho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A NR-1 atualizada rompe com décadas de invisibilidade do sofrimento psíquico no trabalho. Durante muito tempo, a proteção à saúde ocupacional concentrou-se, legitimamente, nos riscos físicos, químicos e biológicos. O sofrimento psíquico ficou de fora, tratado como questão pessoal. A nova abordagem da norma reconhece que saúde ocupacional e saúde mental são indissociáveis. O adoecimento psicológico produz efeitos concretos: aumento do absenteísmo, afastamentos previdenciários e elevação da rotatividade, passivos trabalhistas decorrentes da omissão diante de riscos conhecidos. A prevenção não é custo; é investimento.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando prevenção trabalhista,&amp;nbsp;&lt;em&gt;compliance&lt;/em&gt;, saúde ocupacional e ergonomia atuam de forma integrada, a empresa deixa de enxergar o adoecimento como problema individual e passa a compreendê-lo como indicador da própria organização laboral. No setor do luto, essa integração é especialmente urgente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Este artigo fala em “direito do luto” em dois sentidos que se completam. O primeiro é&amp;nbsp;&lt;strong&gt;existencial&lt;/strong&gt;: o direito ao luto como experiência humana legítima; não apenas de quem perde um ente querido, mas, inclusive — e este é o ponto que com frequência se esquece —, de quem trabalha todos os dias absorvendo o luto alheio. Sepultadores, atendentes, motoristas e administrativos também têm direito a elaborar, processar e sofrer com o que testemunham. Negar-lhes esse direito, tratando-os como peças neutras de uma engrenagem operacional, é, em si, uma forma de violência silenciosa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O segundo é&amp;nbsp;&lt;strong&gt;jurídico&lt;/strong&gt;. A NR-1 impõe um conjunto de obrigações a esse setor por reconhecer a sua exposição, de forma estrutural e contínua, a riscos psicossociais de elevada intensidade. Poucos estão tão expostos quanto. Para o setor do luto, isso significa avançar para além do cumprimento formal: mapear quais funções estão mais expostas (e todas, em alguma medida, estão), capacitar lideranças para reconhecer sinais de adoecimento, estabelecer canais seguros de escuta e desenvolver protocolos de acolhimento interno. As duas faces convergem num ponto inegociável. O setor só cumprirá bem as obrigações da NR-1 se compreender, antes, a dimensão existencial do problema. Não é planilha. É gente. E gente precisa ser vista.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sêneca escreveu que morremos um pouco todos os dias —&amp;nbsp;&lt;em&gt;cotidie morimur&lt;/em&gt; —, porque cada dia que passa também é um dia que não volta. Epicuro lembrava que “a morte não é nada para nós: enquanto existimos, ela não está presente; quando está presente, já não existimos”, consolo lógico que pouco ajuda às 3 da manhã, mas que aponta para algo que importa — o medo da morte é, na maior parte das vezes, medo de&amp;nbsp;&lt;em&gt;pensar&lt;/em&gt; nela.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os trabalhadores do setor do luto não têm esse privilégio. Estão lá, todos os dias, diante da morte com nome e sobrenome, com família e história, com alguém que chora do outro lado do balcão. Praticam, involuntária e cotidianamente, o que a filosofia trata como exercício de sabedoria: conviver com a finitude. Mas conviver com a finitude sem suporte, sem reconhecimento, sem estrutura organizacional que acolha esse peso não é sabedoria, mas sofrimento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não se trata apenas de cumprir uma exigência regulamentária, elaborar relatórios ou atualizar documentos internos. Trata-se de construir uma cultura organizacional que reconheça a saúde mental dos trabalhadores e de todos que lidam com o setor do luto como ativo estratégico e condição indispensável para a prestação de um serviço digno à população. Afinal, uma sociedade que deseja ser acolhida em seus momentos mais difíceis precisa começar por acolher quem dedica sua vida profissional a cuidar da dor dos outros&lt;strong&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rendemos nossa homenagem a todos que compõem esse setor — sepultadores, atendentes, motoristas, administrativos, empresários, profissionais de RH etc. —, que, todos os dias, emprestam seus ombros para que o resto de nós atravesse, com um pouco menos de peso, o momento mais difícil da vida. E a NR-1 assume papel fundamental para o setor do luto em acolher quem acolhe.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Eduardo Pastore, assessor da FecomercioSP e advogado trabalhista; Leonardo Battistuzzo, advogado especializado em Direito do Luto e Direito Funerário; e Luiza Melo, ergonomista e especialista em saúde ocupacional e gestão de riscos psicossociais.&lt;br&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;Artigo publicado originalmente no portal Contábeis em 13 de julho de 2026.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Tue, 14 Jul 2026 15:54:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Copa 2026, bets e turismo]]</title><link>http://fecomercio.com.br/noticia/copa-2026-bets-e-turismo</link><description>&lt;![CDATA[Mundial pode intensificar disputa pelos recursos destinados ao lazer]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;&lt;em&gt;Guilherme Dietze*&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Copa do Mundo de 2026 está prestes a se tornar o maior evento de apostas esportivas da história. Segundo projeções da Sportradar, o torneio deve movimentar mais de US$ 50 bilhões em apostas ao redor do mundo — salto de mais de 40% em relação aos US$ 35 bilhões registrados no Catar, em 2022. O Brasil deve responder por cerca de 10% desse volume global, algo em torno de US$ 5 bilhões apenas durante o período do torneio. São números que impressionam, mas que ganham dimensão ainda mais relevante quando cruzados com dados recentes sobre o perfil dos apostadores brasileiros — e o que esse comportamento representa para o turismo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pesquisa da FecomercioSP revela que 35% dos paulistanos apostam com o objetivo de aumentar a renda doméstica, não por entretenimento. É uma estratégia de alto risco: a natureza probabilística das plataformas garante que, no longo prazo, a casa sempre vence. Mais preocupante ainda: 4 em cada 10 pessoas nas faixas de menor renda apostam diariamente ou toda semana. Não se trata de um hábito esporádico, mas de um fluxo contínuo de recursos saindo do orçamento de quem tem menos margem para perdas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É justamente aí que o turismo entra como variável diretamente afetada. Quando perguntados o que fariam com o dinheiro das apostas caso não apostassem, 39% dos entrevistados responderam que gastariam com lazer — e viagens certamente integram esse universo. Trata-se de uma demanda potencial sistematicamente desviada para as plataformas digitais, deixando de circular em destinos turísticos, meios de hospedagem, agências de viagem e atrativos locais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao contrário de uma viagem — que distribui renda ao longo de uma cadeia que envolve transporte, hospedagem, alimentação e comércio local —, as apostas concentram o fluxo financeiro em plataformas frequentemente sediadas fora do Brasil, com baixíssima capacidade de gerar emprego e renda no território nacional. O dinheiro que entra nas bets não ocupa quartos de hotel, não enche restaurantes, não movimenta o comércio de destinos turísticos. Vale destacar que a FecomercioSP é favorável à operação de cassinos em resorts no Brasil, gerando impacto econômico concreto para o país, com emprego e renda.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com a Copa do Mundo, esse quadro se intensifica. Grandes eventos esportivos historicamente ampliam o volume de apostas e incorporam novos apostadores. A expectativa de recorde global em 2026 sugere que o Brasil será um dos mercados com maior crescimento — reforçando uma concorrência silenciosa, mas concreta, com o setor de turismo. O setor que souber ler esse movimento com antecedência e desenvolver propostas capazes de disputar a atenção e os recursos desse consumidor estará mais bem posicionado. Ignorar esse concorrente, a essa altura, é um risco que o turismo brasileiro não pode se dar ao luxo de correr.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Economista e Presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo publicado originalmente no portal HotelierNews em junho de 2026&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Fri, 26 Jun 2026 14:41:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item></channel></rss>
