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Todo ano, milhões de celulares, pilhas, lâmpadas e eletrodomésticos param de funcionar ou são trocados por modelos mais novos. A maioria vai parar em uma gaveta, em um armário esquecido ou, pior, no lixo comum. Esse “problema invisível” é, na verdade, um dos maiores desafios — e também uma das maiores oportunidades — para o Comércio brasileiro.

Para Andressa Borba, diretora de Impacto Positivo e Comunicação Corporativa da Leroy Merlin, a inserção da cultura do descarte consciente no consumidor é fundamental para o sucesso da logística reversa, tema ainda tratado com distância por muitos empresários, mas que já bate à porta com força de lei.

“A Leroy Merlin começou a estruturar logística reversa muito antes da legislação, por volta de 2008, inicialmente com lâmpadas, e hoje o cliente procura nossas lojas e sabe que ali tem pontos de coleta. Cada vez mais temos colocado esses pontos mais próximos da jornada do cliente em um local visível”, afirma ao mesacast Mercado & Perspectivas.

Aprender com os erros

Há quase 18 anos investindo na cultura da logística reversa, a Leroy Merlin soma mais de 390 toneladas de resíduos destinados. Entretanto, essa jornada foi marcada por erros e acertos até se tornar referência. “Como a rede fechou parcerias com diferentes entidades gestoras ao longo do tempo, o cliente se perdia entre displays distintos — um da Green Eletron, outro da Reciclos. A solução foi unificar as estações com linguagem visual única, deixando claro aonde vai cada tipo de resíduo. Nós ainda, às vezes, chegamos a estações que têm itens que estão no chão ou em locais diferentes daquele que é o destino, mas o consumidor já começa a buscar espontaneamente os pontos de coleta”, aponta Andressa, demonstrando a aderência dos clientes.

Começar é preciso

Se ainda existe comerciante que acha que logística reversa é coisa de grande rede, melhor repensar a atuação, porque o descumprimento da legislação pode pesar no bolso. Segundo Alexsandra Ricci, assessora do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o descumprimento pode resultar em multas previstas no Decreto 6.514/2008. “Se o comerciante for fiscalizado, terá aplicação de multa que varia de R$ 5 mil a R$ 50 milhões. Então, é importante ficar atento”, afirma.

Mesmo para quem ainda está de fora da logística reversa, a Federação conta com orientações a empresas de todos os portes. Para começar, basta avaliar os produtos comercializados no estabelecimento e buscar parcerias com negócios que já prestem esse serviço, e muitas vezes de forma gratuita.

“Vende pilhas e baterias portáteis? Então, a sua participação é obrigatória como ponto de entrega. Esse segmento é o único sistema que é obrigado a ser um Ponto de Entrega Voluntária (PEV). Nos demais vai variar: pode ser um PEV ou pode ser simplesmente um ponto de divulgação”, aponta Alexsandra.

A boa notícia é que não há custo ao empresário nesse processo. Para eletroeletrônicos, a Green Eletron fornece o coletor e faz a retirada dos resíduos. Para pilhas, o comerciante confecciona o próprio coletor, adere à plataforma da FecomercioSP e, quando o recipiente atinge a capacidade máxima, leva a um ponto de entrega. Assista na íntegra!


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