A FecomercioSP avalia como correta e prudente a decisão do Copom de manter a Selic em 13,75% ao ano, diante das pressões inflacionárias e das incertezas econômicas no cenário pós-eleitoral.
Inflação acima da meta: o IPCA-15 de outubro avançou 0,32%, levando o acumulado em 12 meses a 4,62%, acima do teto de 4,5% da meta de inflação.
Cenário econômico mais incerto: após as eleições, o dólar chegou a R$ 5,40 e os juros futuros subiram, aumentando as preocupações com a inflação e o custo de produtos importados.
Expectativas pioraram: o Boletim Focus elevou as projeções de inflação para 2026 (5,22%) e 2027 (4,76%), enquanto reduziu a estimativa de crescimento do PIB em 2026 para 1,76%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, na última quarta-feira (4), manter a Selic em 13,75% ao ano (a.a.), interrompendo o ciclo de flexibilização iniciado nos meses anteriores. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), avalia que a decisão foi correta e prudente para o momento. O cenário econômico mudou substancialmente desde a reunião de setembro, após o segundo turno das eleições presidenciais. A Entidade analisa que a autoridade monetária fez bem em manter a taxa inalterada e aguardar até que fiquem mais claros os desdobramentos do quadro pós-eleitoral, a definição da estratégia fiscal do governo reeleito e a composição de sua equipe econômica.
Os indicadores mais recentes de inflação justificam a cautela. O IPCA-15 de outubro subiu 0,32% e elevou o acumulado em 12 meses para 4,62%, acima dos 4,47% do mês anterior e do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta. A composição é preocupante, visto que o segmento de alimentação e bebidas avançou 0,88% e combustíveis, 1,2%, bem como o alívio veio de itens voláteis, como energia elétrica e passagens aéreas, que tendem a não se repetir. Diante de uma desaceleração de qualidade frágil, insistir nos cortes seria apostar em uma melhoria que os números ainda não mostram.
Além disso, o resultado das eleições provocou uma mudança importante nas expectativas do mercado. Após o segundo turno, o dólar registrou forte valorização, encerrando a R$ 5,40, enquanto os juros futuros avançaram expressivamente. Esse movimento amplia as preocupações com a inflação, uma vez que a desvalorização cambial encarece combustíveis e produtos importados, pressionando os preços internos e dificultando a convergência para a meta.
No front externo, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas na última terça-feira (3), acrescentam dúvidas sobre os rumos das políticas fiscal e comercial americana — inclusive as tarifas impostas ao Brasil — e, por consequência, sobre o comportamento do dólar e dos fluxos de capital a economias emergentes. Também nesse caso, esperar para avaliar os efeitos é mais sensato do que agir no escuro.
O boletim Focus desta semana já havia sintetizado a deterioração. A estimativa para o IPCA de 2026 passou de 5,19% para 5,22%, enquanto a de 2027 avançou de 4,34% para 4,76%, afastando-se ainda mais do centro da meta, de 3%. A Selic projetada para o fim de 2027 passou de 11,75% para 12,5%, enquanto a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano recuou para 1,76%. Com expectativas em processo de desancoragem, a pausa era o sinal que o mercado precisava receber.
Ao manter a taxa, o Copom preservou sua credibilidade e deixou aberta a possibilidade de retomar a flexibilização em bases mais sólidas. A FecomercioSP entende que, embora juros mais baixos seriam melhores para os empresários e para os consumidores, a conjuntura atual não oferece condições seguras à continuidade dos cortes. Uma redução adicional de 0,25 ponto porcentual (p.p.) teria efeito limitado sobre a atividade, mas poderia ser interpretada pelo mercado como um sinal de tolerância maior com os riscos inflacionários, pressionando ainda mais o câmbio e os juros de longo prazo, que determinam boa parte do custo dos financiamentos para empresas e famílias.
No entanto, a Federação analisa que a manutenção da Selic não resolve o problema de fundo e que a chave para juros estruturalmente menores está no lado fiscal, pois o Comércio, os Serviços e o Turismo, setores intensivos em crédito e dependentes da renda das famílias, sentem de imediato o peso de uma Selic elevada. Nesse contexto, é urgente que o governo reeleito defina o comando do Ministério da Fazenda e apresente medidas de contenção das despesas obrigatórias e de estabilização da dívida pública.A Federação destaca que a retomada dos cortes dependerá de maior estabilidade fiscal e de expectativas mais favoráveis.A Federação destaca que a retomada dos cortes dependerá de maior estabilidade fiscal e de expectativas mais favoráveis. Somente com esse compromisso será possível reduzir o prêmio de risco elevado e abrir espaço para um ciclo duradouro de queda dos juros.