A FecomercioSP reuniu-se com representantes da Embaixada do Chile para ampliar o comércio bilateral, atrair investimentos e abrir novos mercados para produtos chilenos, com foco em alimentos, serviços e turismo. O Brasil é o terceiro maior parceiro comercial do Chile no mundo e o principal na América Latina, com intercâmbio de cerca de US$ 12 bilhões anuais e investimentos chilenos de aproximadamente US$ 40 bilhões no País.





A ampliação do comércio bilateral, a atração de investimentos e a abertura de novos mercados para produtos chilenos estiveram no centro de reunião realizada na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com representantes da Embaixada do Chile no Brasil. O encontro abriu uma agenda de aproximação com empresários e sindicatos paulistas para identificar oportunidades de negócios nos segmentos de alimentos, serviços e turismo.
A reunião contou com a participação do embaixador do Chile no Brasil, Issa Kort, acompanhado por Carolina Faune, primeira-secretária da Embaixada do Chile em Brasília; Hugo Corales, diretor do ProChile em São Paulo; e Álvaro Camargo, trade manager do ProChile. Pela FecomercioSP, a reunião foi conduzida por Rubens Medrano, primeiro vice-presidente da Entidade e presidente do Conselho de Relações Internacionais, com a presença de Natália Tafarello, Douglas Dias e Pedro Henrique Silveira, assessores da Federação.
Durante a visita, Kort destacou a importância econômica da relação bilateral, sustentada pela complementaridade das atividades produtivas e pelos investimentos entre os dois países. Segundo os dados apresentados pelo diplomata, o Brasil é o terceiro maior parceiro comercial do Chile no mundo e o principal na América Latina, com intercâmbio próximo de US$ 12 bilhões anuais. O País também é o principal destino dos investimentos chilenos no exterior, que somam aproximadamente US$ 40 bilhões.
A presença empresarial chilena no mercado brasileiro abrange atividades como celulose, serviços e transporte aéreo. Como exemplo dessa integração, o embaixador mencionou a atuação da Latam e a aquisição de 50 aeronaves da Embraer, operação que reforça os vínculos comerciais e industriais entre os dois países.
Alimentos ganham espaço na agenda de expansão comercial
Dentre os segmentos com potencial de crescimento, destaque para o comércio de alimentos. No mercado brasileiro, o Chile deve ampliar o espaço de itens como azeite e frutas frescas, especialmente cerejas. Embora a China seja um dos principais destinos das cerejas chilenas, a proximidade geográfica com o Brasil representa uma oportunidade para diversificar as exportações, com menos tempo de transporte para produtos perecíveis.
O salmão também ganhou destaque. Segundo Kort, aproximadamente 95% do produto comercializado no Brasil tem origem chilena, com presença expressiva em supermercados e restaurantes japoneses. A representação diplomática pretende ampliar o consumo por meio de iniciativas de capacitação de profissionais do varejo e de aproximação com o setor de alimentação fora do lar.
Sindicatos podem aproximar pequenas empresas do comércio exterior
A ampliação das relações comerciais está alinhada com a estratégia da FecomercioSP de fortalecer a internacionalização das empresas representadas, especialmente Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs).
Medrano ressaltou que a Federação pretende utilizar sua rede de sindicatos para identificar negócios interessados em acessar mercados externos e estabelecer relações com fornecedores, importadores e prestadores de serviços chilenos.
Como primeiro encaminhamento, foi discutida a organização de uma reunião com representantes dos segmentos de frutas e alimentos, envolvendo sindicatos e empresas com potencial para desenvolver novas operações comerciais.
A Federação também colocou suas assessorias técnicas à disposição para fornecer informações econômicas, tributárias e trabalhistas importantes a empresas interessadas em investir ou negociar entre ambas as nações.
Turismo e investimentos ampliam oportunidades de negócios
O Turismo representa outra frente de expansão. Segundo o embaixador, cerca de 800 mil chilenos visitaram o Brasil no último ano, consolidando o País como principal destino internacional dos turistas da nação sul-americana.
A intenção é ampliar o fluxo de brasileiros em direção ao país vizinho, especialmente para destinos além de Santiago, como a Patagônia, o Deserto do Atacama e as regiões produtoras de vinho. Kort ressaltou que a oferta turística chilena complementa a brasileira, abrindo espaço para iniciativas conjuntas de promoção e negócios.
Nesse contexto, a representação diplomática propôs uma aproximação com a área de Turismo da FecomercioSP para identificar possibilidades de cooperação, incluindo eventos e rodadas de negócios destinados à promoção regional.
Na área de Investimentos, Kort apresentou a intenção do governo chileno de atrair mais empresas brasileiras, mencionando medidas tributárias que estimulem a atividade econômica e ofereçam mais previsibilidade aos investidores. A embaixada também pretende promover novas agendas empresariais em São Paulo, reunindo representantes dos setores produtivos e potenciais investidores. A FecomercioSP, por sua vez, reforçou a disposição de manter um canal permanente de diálogo com a representação chilena, inclusive por meio de sua atuação na Câmara Brasileira do Comércio Exterior (CBCEX) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A próxima etapa será aproximar sindicatos e empresas dos dois países por meio de reuniões setoriais, com foco na identificação de fornecedores, compradores e oportunidades de investimento capazes de ampliar a relação comercial entre Brasil e Chile.