Tamanho do texto
Compartilhar

Corte nas despesas públicas e equilíbrio fiscal atrairiam investidores estrangeiros
(Arte: TUTU)

A Reforma Administrativa busca tornar o Estado mais eficiente e essa mudança impactaria numa melhora do ambiente de negócios. Isso porque ao controlar as despesas públicas e aperfeiçoar a qualidade do serviço público, é possível facilitar a atividade empresarial e estimular a economia. O tema, debatido no webinário Os Impactos da Reforma Administrativa para o Setor Privado, na quarta-feira (4), tratou destas e outras questões apontadas por Fábio Pina, economista e assessor da FecomercioSP; Luiz Felipe d’Avila, fundador do CLP – Liderança Pública e publisher do Virtù News; e Tiago Mitraud, deputado federal (Novo/MG) e líder da Frente Parlamentar Mista da Reforma Administrativa.

“O sistema tributário ficou maluco justamente pela necessidade de precisar de mais dinheiro para manter a máquina pública (que não para de crescer), então, criou-se mais um tributo aqui e outro ali, mais um sistema de fiscalização, mais um substituto tributário… Este sistema monstruoso de tributação oprime na carga e nas obrigações. Redesenhar o Estado vai criar condições para melhorar até indicadores do Doing Business”, ressalta Pina. Ele lembra que no ranking que avalia aspectos pertinentes ao ambiente empreendedor, publicado neste ano, o País caiu para a 124ª posição.

Leia mais sobre o tema:
Precisamos inverter a lógica e reduzir o tamanho do Estado antes de fazer a Reforma Tributária
Reforma Administrativa só mudará ambiente fiscal do País se alcançar todo o Estado
Reforma tributária sem reforma administrativa?, por José Pastore
Limitada a futuros servidores, Reforma Administrativa ideal envolveria funcionários públicos atuais
FecomercioSP envia propostas ao projeto de Reforma Administrativa do Estado para evitar aumento de carga tributária

Para Pina, o cidadão não está disposto a continuar pagando o custo estatal por meio da inflação, tampouco o empresário quer pagar por meio de tributos. Ele destaca, ainda, que o Brasil é formado majoritariamente por pequenas empresas, que não aguentam mais conviver com uma carga tributária elevada e uma estrutura que não os permite evoluir de forma adequada com baixo investimento.

“A Reforma Administrativa deve corrigir onde o Estado ultrapassou os limites de atuação e onde ele falta atuar, para simplesmente encaixá-lo no tamanho que o Brasil tem. Assim, o investidor que está em Nova York, em Londres ou em Tóquio, e que pouco conhece o Brasil, vai olhar para aqueles países e ver que, mesmo tendo gastado muito com a pandemia de covid-19, eles estarão com as contas equilibradas daqui a cinco ou dez anos, ou com uma trajetória de longo prazo de equilíbrio. Isso só pode ser feito com a Reforma Administrativa. Se o País mostrar ao investidor estrangeiro que está preocupado com o Estado que dispõe e em como o financia, além de salientar que esse Estado cabe no orçamento público, certamente esse investidor ficará interessado no País, porque o Brasil oferece muitas oportunidades. O investidor não vai se arriscar em um país que não sabe se vai pagar as contas daqui a um ano ou dois”, explica.

De olho na produtividade

Luiz Felipe d’Avila enfatiza que apenas com melhorias significativas do capital humano e do ambiente de negócios será possível resolver outro problema antigo: a estagnação da produtividade. “A produtividade do País está estagnada há 20 anos, e parte dessa estagnação se refere justamente à baixa produtividade do setor público. Estamos tirando dinheiro do setor produtivo para financiar um serviço público de péssima qualidade. Então, uma reforma que melhore a qualidade do serviço público e valorize o bom servidor é vital para a produtividade, para reduzir o gasto com a máquina pública e para resolver a desigualdade do País”, afirma.

Na visão do deputado federal Tiago Mitraud, governo e sociedade demoraram para entrar em um debate mais profundo sobre o assunto, entretanto, a oportunidade de levar o tema adiante deve ser aproveitada. “Muito se fala das reformas Tributária, Previdenciária e Trabalhista, que são pontos importantes e estão no dia a dia do comerciante e do empreendedor, mas acabamos por deixar a Administrativa por décadas em segundo plano. A questão é que, mesmo que o assunto não esteja tão próximo da sociedade, as implicações são diárias. O serviço público não é propício para a produtividade e não tem os incentivos corretos para que a máquina brasileira entregue resultados. Precisamos de mais produtividade no setor público brasileiro, porque os Estados que ainda não estão quebrados vão quebrar em pouco tempo.”

 



Conteúdo de qualidade direto no seu e-mail

Concordo em receber comunicações da FecomercioSP.
Veja como nós tratamos os seus dados pessoais em nosso Aviso Externo de Privacidade