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Resumo da matéria

Famílias gastam mais com juros e inadimplência cresce: as pessoas físicas pagaram R$ 515,4 bilhões em juros no 1º semestre de 2026, alta de 9,8%, em relação ao mesmo período de 2025.

  • Famílias e empresas somam R$ 674 bilhões em juros: o total pago por pessoas físicas e jurídicas cresceu 7,4% acima do registrado no primeiro semestre de 2025.
  • Crédito segue crescendo, mas fica mais caro: o saldo real do crédito livre às pessoas físicas subiu 6,1% (R$ 2,353 trilhões) e as concessões avançaram 5,1%. Em contrapartida, a taxa nominal ponderada acumulada passou de 24,3% para 25,3%, e a inadimplência acima de 90 dias subiu de 6,5% para 7,37% — deterioração de 1,78 ponto percentual em dois anos.
  • Empresas também sentem o aperto: os juros pagos pelas empresas somaram R$ 158,6 bilhões. Apesar de não ter registrado um crescimento elevado em relação aos R$ 158,1 bilhões pagos no mesmo período de 2025, o saldo real do crédito caiu 2,4% e houve encarecimento das operações.

As famílias brasileiras gastaram cerca de R$ 515,4 bilhões com o pagamento de juros no primeiro semestre de 2026 — altas de 9,8%, em relação ao mesmo período de 2025, e de quase 17%, na comparação com o primeiro semestre de 2024. Os dados são da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

De acordo com o levantamento, a parcela da renda comprometida com o pagamento de juros chegou a 14,64% nos primeiros seis meses do ano, enquanto a inadimplência avançou 20,3%, totalizando R$ 186,9 bilhões [tabela 1].

[TABELA 1]

Valor pago em juros e inadimplência

Pessoas físicas — comparação entre os primeiros semestres de 2024,2025 e 2026

Fonte: BCB/SGS, IBGE e FecomercioSP

No total, os juros pagos por famílias e empresas somaram R$ 674 bilhões nos primeiros seis meses do ano, 7,4% acima do registrado no primeiro semestre de 2025 [tabela 2]. Já o estoque de valores em atraso há mais de 90 dias alcançou R$ 251,4 bilhões, alta de 17,7% em um ano. A deterioração das condições financeiras das pessoas físicas e jurídicas fica ainda mais evidente na comparação com 2024: o estoque de valores inadimplentes cresceu 39,4% em termos reais. Os juros, por sua vez, subiram 13%.

[TABELA 2]

Valor pago em juros e inadimplência

Pessoas físicas e jurídicas — comparação entre os primeiros semestres de 2024,2025 e 2026

Fonte: BCB/SGS, IBGE e FecomercioSP

Crédito às famílias cresce, mas juros ficam mais caros

Os dados mostram que, apesar do aumento de 7,4% na renda familiar (de R$ 3,278 trilhões para R$ 3,521 trilhões), uma parcela relevante dos recursos foi destinada ao pagamento de juros, reduzindo o espaço disponível para consumo ou poupança na primeira metade do ano. Segundo a FecomercioSP, o cenário atual difere daquele observado dois anos atrás. Em 2024, apesar do crescimento dos gastos com juros, a inadimplência apresentava trajetória mais controlada. Em 2026, contudo, os indicadores revelam que as famílias gastam mais com juros e, simultaneamente, acumulam um volume maior de dívidas em atraso.

Apesar disso, o estoque de crédito destinado às pessoas físicas continua crescendo. Em termos reais (descontada a inflação), o saldo consolidado do crédito livre aumentou 6,1% em relação aos primeiros seis meses de 2025, somando R$ 2,353 trilhões. Também cresceram as concessões de novos empréstimos, que avançaram 5,1%, para R$ 2,025 trilhões. Os números revelam que, apesar das condições financeiras mais restritivas, o crédito continua sendo usado, sustentando parte importante do consumo.

A Federação chama a atenção, contudo, para o preço desse financiamento. O levantamento da Entidade aponta que ataxa nominal ponderada acumulada no período aumentou de 24,3% para 25,3%, entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Já a taxa média mensal equivalente avançou de 3,69% para 3,83%. Outro ponto importante é a elevação da taxa de inadimplência das operações com atraso superior a 90 dias, que passou de 6,5% para 7,37%, alta de 13,4% entre os primeiros seis meses de 2025 e 2026 [tabela 3].

[TABELA 3]

Evolução do crédito livre, juros e inadimplência

Pessoas físicas — comparação entre os primeiros semestres de 2024,2025 e 2026

Fonte: Banco Central do Brasil / IBGE

Em apenas dois anos, houve uma deterioração expressiva da capacidade de pagamento. A inadimplência era de 5,59%, no primeiro semestre de 2024; passou para 6,5%, em 2025; e chegou a 7,37%, neste ano — alta de 1,78 ponto porcentual (p.p.). Olhando para o cenário mais recente da capital paulista, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), outro indicador produzido pela FecomercioSP, registrou leve recuo da inadimplência, de 20,4% para 20,1%, com aproximadamente 903 mil famílias nessa condição, recuo de 2,6 p.p. em 12 meses.

Os lares com dívidas permanecem em patamar elevado, com porcentual de 75,4% e cerca de 3,4 milhões em números absolutos, maior nível desde 2022. No acumulado do ano, o indicador subiu 6,5 p.p. frente aos 68,9% de janeiro, enquanto na comparação interanual, ficou 2,8 p.p. acima. A parcela de famílias que se declaram sem condições de quitar as dívidas em atraso subiu ligeiramente (de 8,4% para 8,7%), mas continua abaixo dos 9,6% de um ano atrás.

Valor inadimplente das empresas cresce 10,7%

Isoladamente, os juros pagos pelas empresas no primeiro semestre somaram R$ 158,6 bilhões. Apesar de não ter registrado um crescimento elevado em relação aos R$ 158,1 bilhões pagos no mesmo período de 2025, o saldo real do crédito caiu 2,4% e houve encarecimento das operações. A taxa nominal ponderada passou de 10,5% para 11%, ao passo que a taxa média mensal equivalente avançou de 1,68% para 1,76%.

Nessa conjuntura, o valor total inadimplente subiu de R$ 58,3 bilhões para R$ 64,5 bilhões, um avanço de 10,7%. Como reflexo, a taxa de inadimplência empresarial saltou de 3,51% para 3,98% — o que representa uma alta relativa de 13,4% —, consolidando a tendência de alta observada desde 2024, quando o indicador se chegava a 3,36% [tabela 4].

[TABELA 4]

Evolução do crédito livre, juros e inadimplência

Pessoas jurídicas — comparação entre os primeiros semestres de 2024,2025 e 2026

Fonte: Banco Central do Brasil / IBGE


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