A ampliação das relações comerciais entre São Paulo e outros países, com oportunidades também a pequenos negócios, foi o principal tema da recepção consular promovida pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O encontro reuniu representantes de 19 consulados na sede da Entidade para estreitar relações institucionais, apresentar sua estrutura e identificar possibilidades de cooperação internacional.
A iniciativa integra os esforços da Federação a fim de aproximar o setor produtivo paulista de novos mercados, estimular parcerias e ampliar o acesso das empresas brasileiras ao comércio exterior.
Ao receber os diplomatas, o presidente da FecomercioSP, Ivo Dall’Acqua, enfatizou a importância de ampliar o acesso das empresas nacionais ao mercado externo, sobretudo em um cenário de transformação das relações econômicas globais.
“Temos 1,8 milhão de empresas representadas, grande parte delas de pequeno porte. Nem todas vão partir para o comércio externo, mas é um trabalho que precisa começar. Estamos investindo na qualificação da nossa representação justamente para facilitar esse processo e superar as preocupações que ainda existem”, afirmou.
O presidente também defendeu a cooperação entre empresas como alternativa para conquistar novos mercados. “As cadeias globais de valor já mostraram que ninguém trilha o caminho sozinho. Queremos implementar essa cultura dos pequenos se juntarem para ganhar escala, com suporte técnico e segurança”, acrescentou.
Segundo o vice-presidente da FecomercioSP e presidente do Conselho de Relações Internacionais, Rubens Torres Medrano, a aproximação com o corpo consular integra o esforço da Federação para fortalecer a sua atuação internacional e levar oportunidades comerciais também ao interior paulista.
“A FecomercioSP não realiza operações comerciais, mas coloca sua infraestrutura à disposição das missões que nos visitam. Queremos ampliar esse trabalho com os nossos Sindicatos no interior e, para isso, precisamos do apoio dos consulados. Esse é um primeiro contato que esperamos transformar em uma relação permanente”, ressaltou.
A proposta inclui o apoio técnico às delegações estrangeiras, com a participação das assessorias especializadas da Entidade. O Conselho de Relações Internacionais também poderá receber representantes diplomáticos em suas reuniões para discutir projetos de interesse comum.
Um dos articuladores da recepção, o cônsul honorário da República da Moldávia em São Paulo, Flávio Mendes Bitelman, destacou a importância de apresentar a estrutura da Federação aos representantes recém-chegados ao Brasil, incluindo as atuações do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).
O encontro também permitiu aos diplomatas conhecer melhor essas instituições. Dall’Acqua explicou o papel de ambas na formação profissional e na promoção do bem-estar dos trabalhadores, além de salientar sua contribuição para o desenvolvimento social do País.
Em nome da representação consular, o cônsul-geral do Paraguai em São Paulo, Luis Fernando Ávalos Giménez, agradeceu a iniciativa e ressaltou as possibilidades de aproximação econômica entre Brasil e Paraguai. O diplomata apontou a integração produtiva como uma estratégia importante para países com mercados menores.
“Estamos construindo um caso de sucesso com o Brasil. Essa é a estratégia do governo do Paraguai. Estamos dispostos a cooperar, organizar novas visitas e missões comerciais, além de receber representantes brasileiros. É uma relação de ganhos para os dois lados, porque o comércio também cria oportunidades de trabalho”, afirmou.
O cônsul-geral mencionou ainda a importância do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e as perspectivas de ampliação das relações comerciais com países europeus, embora tenha ressaltado os obstáculos que ainda precisam ser superados.
Durante a recepção, representantes de diferentes países compartilharam experiências e apresentaram demandas específicas. Dentre os temas discutidos, destaques para a possibilidade de ampliar a presença de produtos brasileiros na África e o interesse de empresas estrangeiras de estabelecer novas parcerias no País. Ao encerrar a participação, Dall’Acqua reforçou que o relacionamento institucional deve ser construído a partir do diálogo e da confiança. “A aproximação das pessoas por meio dos negócios é uma vocação do Comércio. Vamos trabalhar para buscar resultados que nos aproximem e sejam bons para todos”, concluiu.