<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" version="2.0"><channel><title>&lt;![CDATA[Internacional - Economia - FecomercioSP]]</title><link>https://fecomercio.com.br/noticias/economia/internacional</link><description>&lt;![CDATA[Notícias relacionadas à área de atuação da Fecomercio Internacional.]]</description><lastBuildDate>Tue, 14 Apr 2026 05:22:37 -0300</lastBuildDate><language>pt-br</language><image><title>&lt;![CDATA[Internacional - Economia - FecomercioSP]]</title><link>https://fecomercio.com.br/noticias/economia/internacional</link><url>https://fecomercio.com.br/assets/img/fecomercio-sp-image-share.jpg</url></image><category>&lt;![CDATA[Economia]]</category><category>&lt;![CDATA[Internacional]]</category><item><title>&lt;![CDATA[Marco Legal do Comércio Exterior deve priorizar proporcionalidade e razoabilidade]]</title><link>https://fecomercio.com.br/noticia/marco-legal-do-comercio-exterior-deve-priorizar-proporcionalidade-e-razoabilidade</link><description>&lt;![CDATA[FecomercioSP propõe ajustes ao PL 4.423/2024 a fim de assegurar uma legislação moderna e eficiente para o fluxo aduaneiro]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;Para defender regras mais justas e promover o crescimento das Micro e Pequenas Empresas (MPE) no com&amp;eacute;rcio internacional, o Conselho de Rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es Internacionais da &lt;strong&gt;Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Com&amp;eacute;rcio de Bens, Servi&amp;ccedil;os e Turismo do Estado de S&amp;atilde;o Paulo (FecomercioSP)&lt;/strong&gt; apresentou ao Congresso Nacional, na &amp;uacute;ltima ter&amp;ccedil;a-feira (24), sugest&amp;otilde;es de aprimoramento do Projeto de Lei 4.423/2024. O texto, j&amp;aacute; aprovado no Senado Federal, est&amp;aacute; em tramita&amp;ccedil;&amp;atilde;o na C&amp;acirc;mara dos Deputados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Considerando a import&amp;acirc;ncia da consolida&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um marco regulat&amp;oacute;rio para o com&amp;eacute;rcio exterior, o projeto estabelece regras que, na avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o da Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, podem dificultar e inviabilizar a inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o competitiva das MPE no mercado internacional. As propostas de melhoria foram apresentadas para os deputados federais Luiz Philippe de Orl&amp;eacute;ans e Bragan&amp;ccedil;a, presidente da Comiss&amp;atilde;o de Rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es Exteriores&amp;nbsp;e de Defesa Nacional (CREDN), e Luiz Gast&amp;atilde;o (PSD-CE), com ampla atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o em defesa nos setores de Com&amp;eacute;rcio e Servi&amp;ccedil;os.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Entre os principais pontos de preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o est&amp;aacute; o car&amp;aacute;ter excessivamente punitivo da proposta, que imp&amp;otilde;e obriga&amp;ccedil;&amp;otilde;es r&amp;iacute;gidas e multas elevadas mesmo para operadores regulares e adimplentes. Representaram a &lt;strong&gt;FecomercioSP&lt;/strong&gt; o presidente do Conselho de Rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es Internacionais e vice-presidente da Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, Rubens Torres Medrano, acompanhado do assessor jur&amp;iacute;dico, Fernando Sousa, e do consultor aduaneiro, ex-auditor fiscal da Receita Federal e integrante desse conselho da FecomercioSP, Augusto Oliveira da Silva Neto. Eles defenderam a simplifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de processos, a redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de entraves burocr&amp;aacute;ticos e o fortalecimento da seguran&amp;ccedil;a jur&amp;iacute;dica.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;ldquo;Os ajustes propostos visam a garantir previsibilidade normativa, transpar&amp;ecirc;ncia e efici&amp;ecirc;ncia operacional, elementos fundamentais para contribuir com a constru&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um pa&amp;iacute;s mais justo, competitivo e integrado &amp;agrave;s cadeias globais de valor, e com o desenvolvimento sustent&amp;aacute;vel do com&amp;eacute;rcio exterior&amp;rdquo;, afirma Medrano.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o equilibrada&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A &lt;strong&gt;FecomercioSP&lt;/strong&gt; prop&amp;otilde;e a revis&amp;atilde;o do cap&amp;iacute;tulo de infra&amp;ccedil;&amp;otilde;es e penalidades, com a exclus&amp;atilde;o de infra&amp;ccedil;&amp;otilde;es desproporcionais; a ado&amp;ccedil;&amp;atilde;o de crit&amp;eacute;rios de dupla visita, com a possibilidade de corre&amp;ccedil;&amp;atilde;o de eventuais irregularidades; a imposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o de prazos para libera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mercadorias pelos agentes alfandeg&amp;aacute;rios; e a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de regime simplificado de importa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Dentre outras sugest&amp;otilde;es, est&amp;atilde;o a inclus&amp;atilde;o de diretrizes como a continuidade dos servi&amp;ccedil;os aduaneiros, o tratamento diferenciado para pequenas empresas e a valoriza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos operadores log&amp;iacute;sticos e despachantes aduaneiros.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo Silva Neto, &amp;eacute; necess&amp;aacute;rio trazer para a mat&amp;eacute;ria regras mais justas para estabelecer direitos dos operadores e deveres da Receita Federal, assegurando prazos razo&amp;aacute;veis, tratamento ison&amp;ocirc;mico e estabelecendo san&amp;ccedil;&amp;otilde;es pelo descumprimento de obriga&amp;ccedil;&amp;otilde;es administrativas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro ponto defendido &amp;eacute; a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de um cap&amp;iacute;tulo espec&amp;iacute;fico que trate dos direitos dos operadores e dos deveres da Administra&amp;ccedil;&amp;atilde;o Aduaneira, assegurando prazos adequados, contradit&amp;oacute;rio nos processos e maior equil&amp;iacute;brio na rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre o setor privado e o Poder P&amp;uacute;blico.&lt;/p&gt;&lt;div id="_com_1" language="JavaScript"&gt;&lt;br&gt;&lt;/div&gt;]]</content:encoded><pubDate>Fri, 27 Mar 2026 07:39:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Internacional]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[FecomercioSP reúne-se com autoridades da Lituânia para debater nova fase de relação comercial]]</title><link>https://fecomercio.com.br/noticia/fecomerciosp-reune-se-com-autoridades-da-lituania-para-debater-nova-fase-de-relacao-comercial</link><description>&lt;![CDATA[Criação de câmara bilateral e acordo Mercosul-UE devem fortalecer frentes de negócios voltadas à economia digital]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;A recente criação da Câmara de Comércio Brasil-Lituânia, no dia 12 de março, marca um novo momento na relação entre os dois países e deve impulsionar a agenda de negócios bilaterais. Nesse contexto, o Conselho de Relações Internacionais da &lt;strong&gt;Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;recebeu, na sede da Entidade, representantes do governo lituano para discutir oportunidades de aproximação econômica e comercial.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Atualmente, os dados do intercâmbio comercial entre as duas nações indicam o quanto ainda há espaço para crescer. Em 2024, a corrente de exportações entre Brasil e Lituânia somou cerca de US$ 130 milhões, com saldo de US$ 50 milhões favorável ao país europeu. Os números são modestos diante do tamanho das duas economias — o Brasil, com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,17 trilhões, e a Lituânia, com US$ 80 bilhões.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A delegação foi composta pelo vice-ministro de Relações Exteriores da&amp;nbsp;Lituânia, Taurimas Valys; pela cônsul-geral da Lituânia em São Paulo, Audra Čiapienė; e pelo diretor de Relações Econômicas Externas do país, Donatas Tamulaitis. Do lado da Federação, participaram o presidente do&amp;nbsp;&amp;nbsp;Conselho de Relações Internacionais, Rubens Medrano, e os assessores Natália Tafarello, Douglas Dias e Pedro Silveira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O vice-ministro Valys classificou o volume atual de trocas como “inacreditavelmente pequeno” e acredita que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, combinado à criação da câmara bilateral, será um ponto de inflexão para mudar esse quadro. “Vemos a América Latina — e o Brasil, seu maior país — como uma das regiões mais promissoras para a exportação de bens e serviços lituanos”, afirmou. Além do potencial de crescimento, o interesse na região também está ligado à estratégia de diversificação de mercados, com o objetivo de reduzir dependências e ampliar a presença em economias emergentes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tamulaitis destacou que, nos últimos 20 anos, desde a entrada da Lituânia na União Europeia, na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), na zona do euro e na&amp;nbsp;Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico&amp;nbsp;(OCDE), o PIB&amp;nbsp;&lt;em&gt;per capita&amp;nbsp;&lt;/em&gt;do país cresceu sete vezes mais rápido do que a média europeia. Atualmente, a Lituânia ocupa o primeiro lugar no continente em número de licenças&amp;nbsp;&lt;em&gt;fintech&lt;/em&gt; emitidas e também se destaca em cibersegurança e no índice internacional de empreendedorismo, além de figurar entre as economias mais abertas do bloco econômico, com forte inserção no comércio internacional de bens e serviços, tecnologias avançadas e Inteligência Artificial (IA).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para Medrano, áreas como cibersegurança,&amp;nbsp;&lt;em&gt;fintechs&lt;/em&gt; e outros segmentos da economia digital são estratégicas para o Brasil fortalecer sua competitividade e a segurança digital, de modo que uma aproximação comercial representa um trunfo para ambos os lados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O presidente do Conselho apresentou a estrutura da &lt;strong&gt;FecomercioSP&lt;/strong&gt; e sua capacidade de apoiar empresas estrangeiras interessadas no mercado paulista. “Se precisarem de dados econômicos, informações sobre legislação trabalhista, tributação ou mesmo a organização de uma agenda de negócios, as portas da Federação estão abertas, inclusive para receber delegações com suas empresas”, enfatizou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Durante a reunião, Natália detalhou os serviços do Conselho de Relações Internacionais e da Fecomercio Internacional, que apoiam empresas na simplificação de processos. A equipe atua desde o mapeamento de mercado até a organização de agendas com importadores, distribuidores e certificadores, além de auxiliar exportadores brasileiros na busca por novos mercados. “Trabalhamos tanto para trazer empresas para o Brasil, quanto para ajudar empresas brasileiras a se internacionalizarem”, concluiu.&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Thu, 26 Mar 2026 09:44:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Internacional]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Receita Federal propõe mudanças no Programa OEA e amplia benefícios para empresas com maior regularidade]]</title><link>https://fecomercio.com.br/noticia/receita-federal-propoe-mudancas-no-programa-oea-e-amplia-beneficios-para-empresas-com-maior-regularidade</link><description>&lt;![CDATA[Principal mudança sugerida pelo órgão é a criação de três níveis de certificação dentro da modalidade OEA-Conformidade]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;Com o objetivo de fortalecer a conformidade no com&amp;eacute;rcio exterior, aumentar a previsibilidade das opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es e incentivar melhores pr&amp;aacute;ticas de governan&amp;ccedil;a aduaneira e tribut&amp;aacute;ria, a Receita Federal apresentou proposta de atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Programa Brasileiro de Operador Econ&amp;ocirc;mico Autorizado (Programa OEA), ampliando benef&amp;iacute;cios para empresas com maior n&amp;iacute;vel de regularidade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A proposta, formalizada por meio de minutas de Instru&amp;ccedil;&amp;atilde;o Normativa, introduz um novo modelo de certifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o escalonado, no qual empresas com maior n&amp;iacute;vel de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o, governan&amp;ccedil;a e conformidade passam a ter acesso a vantagens operacionais e financeiras mais relevantes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O OEA &amp;eacute; um programa de ades&amp;atilde;o volunt&amp;aacute;ria voltado a empresas que atuam em opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de importa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e exporta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A certifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o reconhece operadores que demonstram cumprimento consistente da legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o aduaneira, gest&amp;atilde;o estruturada de riscos e controle adequado de suas opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es, o que tende a resultar em maior previsibilidade e menor incid&amp;ecirc;ncia de interven&amp;ccedil;&amp;otilde;es fiscais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Novo modelo de certifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A principal mudan&amp;ccedil;a proposta &amp;eacute; a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tr&amp;ecirc;s n&amp;iacute;veis de certifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o dentro da modalidade OEA-Conformidade (OEA-C).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O n&amp;iacute;vel inicial, denominado&amp;nbsp;&lt;strong&gt;OEA-C Essencial&lt;/strong&gt;, foi estruturado para ampliar o acesso ao programa, principalmente de empresas comerciais exportadoras. Nesse caso, a avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o ser&amp;aacute; mais automatizada, baseada em crit&amp;eacute;rios como regularidade cadastral, situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o fiscal b&amp;aacute;sica e aus&amp;ecirc;ncia de pend&amp;ecirc;ncias impeditivas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O segundo n&amp;iacute;vel,&amp;nbsp;&lt;strong&gt;OEA-C Qualificado&lt;/strong&gt;, mant&amp;eacute;m o modelo atualmente vigente, exigindo comprova&amp;ccedil;&amp;atilde;o de controles internos estruturados nas opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de com&amp;eacute;rcio exterior, incluindo procedimentos formais de classifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o fiscal, confer&amp;ecirc;ncia de documentos, rastreabilidade e mecanismos de preven&amp;ccedil;&amp;atilde;o de inconsist&amp;ecirc;ncias.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E o n&amp;iacute;vel mais elevado,&amp;nbsp;&lt;strong&gt;OEA-C de Excel&amp;ecirc;ncia&lt;/strong&gt;, passa a concentrar os principais benef&amp;iacute;cios do programa. Para alcan&amp;ccedil;&amp;aacute;-lo, al&amp;eacute;m do cumprimento das exig&amp;ecirc;ncias aduaneiras, a empresa dever&amp;aacute; demonstrar elevado grau de regularidade tribut&amp;aacute;ria, seja por meio de certifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o no Programa Confia ou pela classifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o A+ no sistema Sintonia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com isso, o programa passa a operar de forma progressiva &amp;mdash; quanto maior o n&amp;iacute;vel de conformidade e governan&amp;ccedil;a, maiores os benef&amp;iacute;cios concedidos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Diferimento de tributos e efeito financeiro&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dentre as mudan&amp;ccedil;as mais relevantes est&amp;aacute; a possibilidade de diferimento do prazo de pagamento de tributos federais na importa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que pode chegar at&amp;eacute; o dia 20 do m&amp;ecirc;s seguinte ao desembara&amp;ccedil;o aduaneiro para empresas certificadas no n&amp;iacute;vel&amp;nbsp;&lt;strong&gt;de Excel&amp;ecirc;ncia&lt;/strong&gt;, o patamar mais elevado do programa.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse benef&amp;iacute;cio pode gerar resultado relevante no fluxo de caixa, em especial para empresas com grande volume de opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Atualmente, os tributos incidentes na importa&amp;ccedil;&amp;atilde;o s&amp;atilde;o recolhidos no momento do registro da declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A implementa&amp;ccedil;&amp;atilde;o da mudan&amp;ccedil;a dever&amp;aacute; ocorrer inicialmente por meio de projeto-piloto com n&amp;uacute;mero limitado de empresas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Maior previsibilidade nas opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro avan&amp;ccedil;o previsto &amp;eacute; o aumento da previsibilidade no despacho aduaneiro. Empresas certificadas no n&amp;iacute;vel&amp;nbsp;&lt;strong&gt;OEA-C de Excel&amp;ecirc;ncia&lt;/strong&gt; poder&amp;atilde;o ter suas declara&amp;ccedil;&amp;otilde;es direcionadas ao canal verde, no qual a libera&amp;ccedil;&amp;atilde;o da mercadoria ocorre de forma autom&amp;aacute;tica, sem an&amp;aacute;lise documental ou inspe&amp;ccedil;&amp;atilde;o f&amp;iacute;sica, salvo exce&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Esse direcionamento reduz o tempo de perman&amp;ecirc;ncia de cargas em portos e aeroportos, diminui custos log&amp;iacute;sticos e amplia a previsibilidade das opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es. No canal amarelo, h&amp;aacute; confer&amp;ecirc;ncia de documentos. No canal vermelho, al&amp;eacute;m da an&amp;aacute;lise documental, pode ocorrer inspe&amp;ccedil;&amp;atilde;o f&amp;iacute;sica da carga.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dados do Programa OEA evidenciam esses ganhos. Em 2025, importadores certificados apresentaram taxa m&amp;eacute;dia de sele&amp;ccedil;&amp;atilde;o para confer&amp;ecirc;ncia de apenas 0,32%, enquanto importadores n&amp;atilde;o certificados registraram 23,15%. No modal mar&amp;iacute;timo, o tempo m&amp;eacute;dio de desembara&amp;ccedil;o foi de 1 hora e 13 minutos para empresas OEA, contra 24 horas e 22 minutos para n&amp;atilde;o certificadas. No a&amp;eacute;reo, a m&amp;eacute;dia foi de 43 minutos para OEA e 18 horas e 43 minutos para n&amp;atilde;o OEA. Em termos de representatividade, operadores certificados responderam por 28,55% do valor total das declara&amp;ccedil;&amp;otilde;es de importa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e exporta&amp;ccedil;&amp;atilde;o registradas no Pa&amp;iacute;s em 2025.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img src="https://www.fecomercio.com.br/upload/img/b2d8babba46e2f57878939078e5bf30afed62cba.png" class="fr-fic fr-dii" style="width: 733px;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Governan&amp;ccedil;a como fator de competitividade&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A proposta refor&amp;ccedil;a a l&amp;oacute;gica de vincular benef&amp;iacute;cios operacionais e financeiros ao grau de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e regularidade das empresas, com as governan&amp;ccedil;as aduaneira e tribut&amp;aacute;ria deixando de ser apenas uma exig&amp;ecirc;ncia regulat&amp;oacute;ria para atuar como elemento estrat&amp;eacute;gico para ganho de competitividade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Num cen&amp;aacute;rio de custos log&amp;iacute;sticos elevados e maior complexidade no com&amp;eacute;rcio internacional, a redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de atrasos, o aumento de efici&amp;ecirc;ncia e a melhoria no fluxo de caixa podem representar diferenciais relevantes para as empresas brasileiras.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao mesmo tempo, iniciativas como o Programa OEA ganham ainda mais import&amp;acirc;ncia diante da amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o de acordos comerciais internacionais, como o tratado entre o Mercosul e a Uni&amp;atilde;o Europeia, que tende a aumentar a exposi&amp;ccedil;&amp;atilde;o das empresas brasileiras &amp;agrave; concorr&amp;ecirc;ncia global e exigir maior n&amp;iacute;vel de organiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e conformidade para atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o no mercado externo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesse contexto, o Programa OEA consolida-se n&amp;atilde;o apenas como um selo de conformidade, mas tamb&amp;eacute;m como um instrumento de posicionamento competitivo no com&amp;eacute;rcio internacional.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Thu, 26 Mar 2026 09:33:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Internacional]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[FecomercioSP leva à Receita Federal alerta sobre distorções de nova penalidade no comércio exterior e abre diálogo para aprimorar sanções]]</title><link>https://fecomercio.com.br/noticia/fecomerciosp-leva-a-receita-federal-alerta-sobre-distorcoes-de-nova-penalidade-e-abre-dialogo-para-aprimorar-sancoes-no-comercio-exterior</link><description>&lt;![CDATA[Em reunião em Brasília, Entidade defende revisão de punições e propõe construção conjunta de soluções com foco em proporcionalidade e segurança jurídica]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;Num cenário em que o Brasil busca ampliar sua participação no comércio internacional, a legislação parece caminhar no sentido contrário. No comércio exterior, a forma como a regulamentação da lei é estruturada pode ser determinante para uma decisão importantíssima do empresário — se o seu modelo de negócio seguirá adiante ou se desistirá de operar fora do País. Foi com esse diagnóstico que a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), por meio do seu Conselho de Relações Internacionais, alertou a Receita Federal sobre os prejuízos que poderão ser causados às operações internacionais com o advento da nova penalidade do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Lei Complementar (LC) 227/2026 alterou o regime de penalidades no comércio exterior ao extinguir a antiga multa de 1% sobre o valor aduaneiro por erros ou omissões na declaração de importação. Em seu lugar, passou a prever uma nova multa, por meio do Artigo 341-G, Inciso XIX, baseada em valores mínimos elevados, e que devem encarecer o custo de conformidade dos contribuintes. A mudança altera a lógica anterior, ao combinar valores fixos com piso mínimo elevado, o que poderá gerar distorções e aumentar o impacto sobre operações de menor porte.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O ponto central é a repercussão nas operações realizadas por pequenos empresários, em evidente ofensa ao tratamento favorecido e diferenciado previsto na Constituição Federal, como no exemplo a seguir. Em uma operação com mercadorias avaliadas em R$ 50 mil, a multa mínima de R$ 10 mil pode consumir 20% do valor negociado. Já em uma operação de R$ 2 milhões em produtos, a penalidade máxima de R$ 20 mil representa apenas 1% no total do negócio. Segundo a Entidade, essa assimetria penaliza sobretudo micro e pequenas empresas, justamente aquelas que se busca inserir no comércio internacional.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para discutir o assunto, a agenda foi realizada com Carlos Eduardo da Costa Oliveira, coordenador-geral substituto de Administração Aduaneira da Receita Federal do Brasil, e outros representantes do órgão. Pela FecomercioSP, participaram Rubens Torres Medrano, presidente do Conselho de Relações Internacionais e vice-presidente da Federação; Augusto Oliveira da Silva Neto, consultor aduaneiro, ex-auditor fiscal da Receita Federal, integrante do conselho da FecomercioSP e sócio da Solução Integrada Assessoria Aduaneira; Elson Isayama, presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (Sindasp); Fernando Sousa, assessor jurídico; e Maria Izabel Collor de Mello, head de Relações Governamentais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A iniciativa foi debatida recentemente pelo Conselho de Relações Internacionais da FecomercioSP, que tem intensificado a atuação em temas ligados à inserção internacional das empresas brasileiras e buscado abrir canais institucionais para tratar de entraves regulatórios junto ao Poder Público, além de estimular a contínua abertura comercial do País.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Medrano destacou a necessidade de ampliação da presença das micro e pequenas empresas no mercado internacional. Segundo ele, a concentração das operações nas grandes companhias ainda limita o potencial do Brasil. “A nossa preocupação é com a pequena e média empresa, que acaba sendo a grande prejudicada pelos efeitos regressivos dessa penalidade. Para uma operação pequena, uma multa desse porte pode representar até 100% daquilo que está sendo realizado”, argumentou. “Este foi um primeiro passo para abrir um canal de diálogo com a Receita, com o objetivo de construir soluções conjuntas por meio da regulamentação dessa penalidade, a fim de buscar estimular a internacionalização dessas empresas no comércio exterior”, observou. Na sua visão, o crescimento das operações no comércio exterior exige não só estímulo comercial, mas também suporte técnico e segurança regulatória.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;img src="https://www.fecomercio.com.br/upload/img/981af87d8e2f4f3c8505bf8b5b19c4f00bdde959.jpg" style="width: 733px;" class="fr-fic fr-dib"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Efeito regressivo&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No centro do debate está o efeito regressivo da nova sistemática. Na realidade, o peso recai com mais força sobre quem tem menos escala, menos estrutura e menor capacidade de absorver riscos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Segundo Augusto Neto, um dos pontos que mais chama atenção é a subjetividade da legislação e as consequências para o operador de menor porte. “Criou-se uma multa com conceitos abertos e indeterminados, com problemas de regressividade e maior efeito sobre o pequeno comerciante do que sobre o grande”, apontou. Na sua opinião, é indispensável que a regulamentação seja objetiva e reduza margens de interpretação que possam transformar erros formais em sanções excessivas. “O que nós queremos, pelo menos neste primeiro momento, é que essa regulamentação seja mais precisa e proporcional”, ressaltou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Saída institucional&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesse sentido, a FecomercioSP defende uma agenda de aperfeiçoamento da penalidade baseada em três eixos: redução do piso da multa, visita orientadora e prazo para regularização dos contribuintes, além da necessária diferenciação entre erro escusável e conduta dolosa, a fim de distinguir o bom contribuinte do devedor contumaz. A proposta conecta-se à ideia de conformidade cooperativa, que privilegia orientação, previsibilidade e boa-fé.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De acordo com o presidente do Sindasp, Elson Isayama, a discussão passa também pela construção conjunta de soluções entre Poder Público e setor produtivo. “O ponto fundamental é como a gente pode contribuir nessa construção”, enfatizou. E acrescentou que, além do ajuste normativo, será necessário traduzir esse debate para a realidade das empresas, de modo a fortalecer a conformidade e evitar que a penalidade funcione como barreira de entrada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Do lado da Receita, Carlos Eduardo da Costa Oliveira reconheceu a pertinência da contribuição técnica e afirmou que a regulamentação da multa ainda exigirá discussão. “Essa preocupação de vocês é válida também para que possam contribuir auxiliando-nos na regulamentação da norma”, pontuou.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mais do que contestar uma nova sanção, o Conselho de Relações Internacionais propôs uma agenda estratégica: manter o diálogo aberto para corrigir distorções que afetam diretamente a competitividade do País. A reunião marcou o início desse processo, com a abertura de um canal direto entre a FecomercioSP e a Receita Federal, com a perspectiva de novos encontros e a construção conjunta de propostas. Segundo a Entidade, em um cenário de maior abertura comercial, é preciso combinar rigor no combate a irregularidades com regras proporcionais, que não desestimulem a boa-fé e nem afastem as empresas do comércio exterior.&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Tue, 24 Mar 2026 14:45:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Internacional]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Acordo Mercosul-União Europeia abre grandes oportunidades para PMEs no comércio internacional]]</title><link>https://fecomercio.com.br/noticia/acordo-mercosul-uniao-europeia-abre-grandes-oportunidades-para-pmes-no-comercio-internacional-1</link><description>&lt;![CDATA[Promulgado no Brasil, tratado criará um ambiente mais estável e previsível em temas como sustentabilidade, regulação e solução de controvérsias]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;Ap&amp;oacute;s mais de duas d&amp;eacute;cadas de negocia&amp;ccedil;&amp;otilde;es e a conclus&amp;atilde;o t&amp;eacute;cnica em 2019, o acordo entre Mercosul e Uni&amp;atilde;o Europeia foi promulgado pelo Congresso Nacional, na &amp;uacute;ltima ter&amp;ccedil;a-feira (17), em um marco hist&amp;oacute;rico para o processo de integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o entre os blocos. Considerado o maior acordo comercial j&amp;aacute; negociado pelo Brasil, o tratado conecta o Pa&amp;iacute;s a um mercado de cerca de 450 milh&amp;otilde;es de consumidores com alto poder aquisitivo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Com&amp;eacute;rcio de Bens, Servi&amp;ccedil;os e Turismo do Estado de S&amp;atilde;o Paulo (FecomercioSP) acompanhou o processo ao longo de d&amp;eacute;cadas e pleiteou seu avan&amp;ccedil;o, por entender que se trata de uma oportunidade estrat&amp;eacute;gica para o Brasil ampliar sua participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o no com&amp;eacute;rcio global e fortalecer a cultura exportadora.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesse contexto, o acordo cria condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es mais favor&amp;aacute;veis para neg&amp;oacute;cios internacionais ao reduzir barreiras comerciais e ampliar a previsibilidade regulat&amp;oacute;ria. Entre os principais efeitos esperados est&amp;atilde;o a redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou elimina&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tarifas, a simplifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de regras de origem e a diminui&amp;ccedil;&amp;atilde;o da burocracia aduaneira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na pr&amp;aacute;tica, o tratado pode tornar produtos brasileiros mais competitivos no mercado europeu, ao mesmo tempo em que reduz custos para empresas que dependem de insumos importados. O acordo tamb&amp;eacute;m abre espa&amp;ccedil;o para a participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o de empresas brasileiras em compras governamentais na Uni&amp;atilde;o Europeia e fortalece a prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o de marcas, de inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o e de propriedade intelectual.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Incid&amp;ecirc;ncia para pequenas empresas&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para as Micro, Pequenas e M&amp;eacute;dias Empresas (PMEs), que historicamente enfrentam maiores barreiras para acessar mercados externos, o acordo representa uma oportunidade concreta de expans&amp;atilde;o dos neg&amp;oacute;cios. A redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tarifas, a simplifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de processos e a maior previsibilidade regulat&amp;oacute;ria tendem a diminuir custos e riscos associados &amp;agrave; internacionaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O tratado tamb&amp;eacute;m incorpora mecanismos espec&amp;iacute;ficos voltados para esse p&amp;uacute;blico, como acesso a informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es mais claras sobre exig&amp;ecirc;ncias regulat&amp;oacute;rias, tarifas e procedimentos, reduzindo uma das principais barreiras &amp;agrave; atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o internacional &amp;mdash; justamente o custo da informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Al&amp;eacute;m disso, a simplifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de regras de origem e a moderniza&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos procedimentos aduaneiros facilitam a exporta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, inclusive para empresas que utilizam insumos importados em sua produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o. A possibilidade de participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o em compras governamentais na Uni&amp;atilde;o Europeia e o fortalecimento da prote&amp;ccedil;&amp;atilde;o de marcas e de propriedade intelectual tamb&amp;eacute;m ampliam o potencial competitivo dessas companhias.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro ponto relevante &amp;eacute; a maior previsibilidade em temas como sustentabilidade, regula&amp;ccedil;&amp;atilde;o e solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de controv&amp;eacute;rsias. O acordo criar&amp;aacute; um ambiente mais est&amp;aacute;vel e seguro para opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es internacionais, fator particularmente relevante para empresas de menor porte.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No Brasil, o texto foi aprovado pela C&amp;acirc;mara dos Deputados no final de fevereiro e pelo Senado Federal, no dia 4 de mar&amp;ccedil;o. Com a promulga&amp;ccedil;&amp;atilde;o, em se&amp;ccedil;&amp;atilde;o conjunta do Congresso Nacional, seguir&amp;aacute; para as formaliza&amp;ccedil;&amp;otilde;es finais que permitir&amp;atilde;o sua comunica&amp;ccedil;&amp;atilde;o oficial &amp;agrave; Uni&amp;atilde;o Europeia. Argentina e Uruguai tamb&amp;eacute;m conclu&amp;iacute;ram seus processos legislativos, restando apenas o Paraguai para finalizar o ciclo no bloco. Com esse avan&amp;ccedil;o, a expectativa passa a se concentrar na entrada em vigor provis&amp;oacute;ria do tratado, que pode ocorrer j&amp;aacute; a partir de maio de 2026, caso o cronograma europeu avance sem atrasos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No continente europeu, o cen&amp;aacute;rio &amp;eacute; mais complexo. O acordo enfrenta resist&amp;ecirc;ncias, especialmente relacionadas a quest&amp;otilde;es ambientais, al&amp;eacute;m de an&amp;aacute;lises jur&amp;iacute;dicas em andamento. Ainda assim, a Comiss&amp;atilde;o Europeia j&amp;aacute; sinalizou a possibilidade de aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o provis&amp;oacute;ria a partir de 2026, ao menos nas &amp;aacute;reas de compet&amp;ecirc;ncia exclusiva do bloco, como com&amp;eacute;rcio de bens.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Oportunidades e desafios&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De acordo com a FecomercioSP, o aproveitamento dessas oportunidades depender&amp;aacute; da capacidade de adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o das empresas &amp;agrave;s exig&amp;ecirc;ncias do mercado europeu, incluindo padr&amp;otilde;es t&amp;eacute;cnicos, ambientais e regulat&amp;oacute;rios mais rigorosos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O acordo tamb&amp;eacute;m pode acelerar transforma&amp;ccedil;&amp;otilde;es internas, incentivando inova&amp;ccedil;&amp;atilde;o e maior integra&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s cadeias globais de valor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Thu, 19 Mar 2026 12:40:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Internacional]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Entenda o decreto que regulamenta salvaguardas contra importações que ameacem a indústria nacional]]</title><link>https://fecomercio.com.br/noticia/entenda-o-decreto-que-regulamenta-salvaguardas-contra-importacoes-que-ameacem-a-industria-nacional</link><description>&lt;![CDATA[Medida é uma defesa do Brasil contra potenciais sanções vindas da União Europeia, mas demanda cuidado para não se tornar uma base para intentos protecionistas]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;Num momento em que o com&amp;eacute;rcio internacional enfrenta maior volatilidade e diversos pa&amp;iacute;ses recorrem a instrumentos de defesa comercial para proteger setores produtivos, o governo federal publicou o Decreto 12.866/2026, que regulamenta a aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o de medidas de salvaguardas bilaterais previstas em acordos de livre com&amp;eacute;rcio firmados pelo Brasil &amp;mdash; como o tratado entre o Mercosul e a Uni&amp;atilde;o Europeia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Publicada em mar&amp;ccedil;o, a norma organiza as regras para que o Pa&amp;iacute;s possa reagir quando o aumento das importa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de determinado produto for uma amea&amp;ccedil;a para a ind&amp;uacute;stria brasileira. A an&amp;aacute;lise dever&amp;aacute; considerar dados objetivos sobre o comportamento das importa&amp;ccedil;&amp;otilde;es e seus efeitos sobre a produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o nacional, geralmente com base em informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es referentes aos &amp;uacute;ltimos 36 meses.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Etapas da investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O processo de investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o pode ser iniciado a partir de uma peti&amp;ccedil;&amp;atilde;o apresentada pela ind&amp;uacute;stria nacional ou por entidades que a representem. Em situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es excepcionais, no entanto, o pr&amp;oacute;prio governo poder&amp;aacute; abrir a investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o de of&amp;iacute;cio, caso existam ind&amp;iacute;cios suficientes de que o aumento das importa&amp;ccedil;&amp;otilde;es representa um risco de preju&amp;iacute;zo relevante para o setor produtivo brasileiro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As medidas de salvaguarda poder&amp;atilde;o ser aplicadas somente ap&amp;oacute;s o in&amp;iacute;cio de uma investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o formal conduzida pelas autoridades competentes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesse caso, o Decreto&lt;em&gt;&amp;nbsp;&lt;/em&gt;tamb&amp;eacute;m define as compet&amp;ecirc;ncias dos &amp;oacute;rg&amp;atilde;os respons&amp;aacute;veis pelo processo, todos do Minist&amp;eacute;rio do Desenvolvimento, Ind&amp;uacute;stria, Com&amp;eacute;rcio e Servi&amp;ccedil;os (MDIC). A Secretaria de Com&amp;eacute;rcio Exterior (Secex) ficar&amp;aacute; encarregada de iniciar e conduzir as investiga&amp;ccedil;&amp;otilde;es, enquanto o Departamento de Defesa Comercial (Decom) atuar&amp;aacute; como autoridade t&amp;eacute;cnica respons&amp;aacute;vel pela an&amp;aacute;lise das informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es e pela recomenda&amp;ccedil;&amp;atilde;o das medidas cab&amp;iacute;veis. A decis&amp;atilde;o final sobre a aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o, modula&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou prorroga&amp;ccedil;&amp;atilde;o das salvaguardas caber&amp;aacute; &amp;agrave; C&amp;acirc;mara de Com&amp;eacute;rcio Exterior (Camex), com base nos pareceres t&amp;eacute;cnicos apresentados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Caso fique comprovado que o aumento das importa&amp;ccedil;&amp;otilde;es realmente &amp;eacute; um risco, o governo poder&amp;aacute; adotar diferentes tipos de medidas. Entre elas est&amp;atilde;o:&lt;/p&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;suspens&amp;atilde;o da redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de tarifas prevista em acordos comerciais;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;diminui&amp;ccedil;&amp;atilde;o de prefer&amp;ecirc;ncias tarif&amp;aacute;rias concedidas ao produto importado;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;estabelecimento de cotas ou outras restri&amp;ccedil;&amp;otilde;es quantitativas&lt;/strong&gt;.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;Essas provid&amp;ecirc;ncias podem ser aplicadas de forma provis&amp;oacute;ria ou definitiva, conforme as condi&amp;ccedil;&amp;otilde;es determinadas nos tratados internacionais. Ainda assim, o Decreto&lt;em&gt;&amp;nbsp;&lt;/em&gt;prev&amp;ecirc; a possibilidade de ado&amp;ccedil;&amp;atilde;o de salvaguardas provis&amp;oacute;rias durante o curso da investiga&amp;ccedil;&amp;atilde;o, quando essa possibilidade estiver estipulada nos acordos pertinentes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O procedimento tamb&amp;eacute;m inclui a notifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o do parceiro comercial envolvido e a realiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o de consultas, quando necess&amp;aacute;rio, conforme estabelecido nos acordos internacionais. As decis&amp;otilde;es e atos administrativos relacionados ao processo dever&amp;atilde;o ser publicados no Di&amp;aacute;rio Oficial da Uni&amp;atilde;o (DOU).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para setores industriais, o Decreto&lt;em&gt;&amp;nbsp;&lt;/em&gt;representa um instrumento adicional de defesa comercial diante de choques competitivos provocados por aumentos abruptos das importa&amp;ccedil;&amp;otilde;es advindas de acordos comerciais. Contudo, para as empresas que dependem de insumos importados &amp;mdash; como varejistas e cadeias produtivas integradas ao com&amp;eacute;rcio internacional &amp;mdash;, a ado&amp;ccedil;&amp;atilde;o dessas medidas pode atingir os custos, os pre&amp;ccedil;os e o planejamento de opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Com&amp;eacute;rcio de Bens, Servi&amp;ccedil;os e Turismo do Estado de S&amp;atilde;o Paulo (FecomercioSP) entende que, embora o mecanismo fortale&amp;ccedil;a a capacidade de rea&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Brasil em disputas comerciais, seu uso deve ser acompanhado com aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o para evitar distor&amp;ccedil;&amp;otilde;es que possam comprometer a previsibilidade do ambiente de neg&amp;oacute;cios ou restringir desnecessariamente o fluxo do Com&amp;eacute;rcio.&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Wed, 18 Mar 2026 09:08:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Internacional]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Nova multa aduaneira põe pequenos operadores do comércio exterior em risco]]</title><link>https://fecomercio.com.br/noticia/fragilidades-da-nova-multa-aduaneira-acarretam-risco-a-competitividade-das-operacoes-de-pequeno-porte-no-comercio-exterior</link><description>&lt;![CDATA[Reunião na FecomercioSP avalia caminhos para regulamentação mais equilibrada após a LC 227/2026 e alerta para consequências desproporcionais para as PMEs]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;Em meio ao esfor&amp;ccedil;o de ampliar a inser&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Brasil no com&amp;eacute;rcio internacional, um tema sens&amp;iacute;vel voltou ao centro do debate empresarial &amp;mdash; o regime de multas aduaneiras e seus efeitos sobre a proporcionalidade, a competitividade e a perman&amp;ecirc;ncia de empresas no com&amp;eacute;rcio exterior.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Durante a reuni&amp;atilde;o do Conselho de Rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es Internacionais da &lt;strong&gt;Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Com&amp;eacute;rcio de Bens, Servi&amp;ccedil;os e Turismo do Estado de S&amp;atilde;o Paulo (FecomercioSP)&lt;/strong&gt;, realizada em 5 de mar&amp;ccedil;o, representantes do setor, especialistas e operadores da &amp;aacute;rea discutiram os efeitos da nova disciplina sancionat&amp;oacute;ria trazida pela Lei Complementar (LC) 227/2026 &amp;mdash; que extingue a velha multa de 1% sobre o valor aduaneiro por erro na declara&amp;ccedil;&amp;atilde;o de importa&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ao mesmo tempo, a lei institui uma nova multa pela omiss&amp;atilde;o ou informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o inexata em opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de importa&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou exporta&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para contribuir com o tema, o conselho recebeu o advogado, consultor aduaneiro e tribut&amp;aacute;rio e auditor aposentado da Receita Federal, Augusto Oliveira da Silva Neto, e o diretor da TCEX Log&amp;iacute;stica Internacional e presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de S&amp;atilde;o Paulo (Sindasp), Elson Isayama. O presidente em exerc&amp;iacute;cio da FecomercioSP, Ivo Dall&amp;#39;Acqua J&amp;uacute;nior, tamb&amp;eacute;m participou da reuni&amp;atilde;o. Na avalia&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos conselheiros e participantes do encontro, o problema n&amp;atilde;o est&amp;aacute; apenas no valor das penalidades, mas principalmente no desenho confuso do sistema &amp;mdash; conceitos abertos, excesso regulat&amp;oacute;rio, margem elevada de discricionariedade e san&amp;ccedil;&amp;otilde;es que, em muitos casos, podem ser aplicadas mesmo em situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es de erro formal ou de boa-f&amp;eacute;.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dessa forma, &amp;eacute; essencial que se construa uma agenda de revis&amp;atilde;o normativa baseada em proporcionalidade, seguran&amp;ccedil;a jur&amp;iacute;dica e facilita&amp;ccedil;&amp;atilde;o do com&amp;eacute;rcio. Confira alguns destaques a seguir.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&amp;Ocirc;nus desproporcional para as pequenas empresas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um dos pontos mais sens&amp;iacute;veis do debate foi a nova multa para omiss&amp;atilde;o ou presta&amp;ccedil;&amp;atilde;o inexata ou incompleta de informa&amp;ccedil;&amp;otilde;es sobre opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de importa&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou exporta&amp;ccedil;&amp;atilde;o usadas no controle fiscal. A penalidade peca ao determinar um piso elevado, a partir de cerca de R$ 10 mil (equivalentes a 50 Unidades de Padr&amp;atilde;o Fiscal &amp;ndash; UPF), podendo alcan&amp;ccedil;ar R$ 20 mil (100 UPF) por informa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, e tendo como teto 1% do valor da opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o. No caso de reincid&amp;ecirc;ncia da infra&amp;ccedil;&amp;atilde;o, a multa base &amp;eacute; elevada para R$ 30 mil (150 UPF). No ano de 2026, o valor da UPF dos Tributos sobre Bens e Servi&amp;ccedil;os est&amp;aacute; estabelecido em R$ 200, com previs&amp;atilde;o de atualiza&amp;ccedil;&amp;atilde;o pelo &amp;Iacute;ndice Nacional de Pre&amp;ccedil;os ao Consumidor Amplo (IPCA).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O problema n&amp;atilde;o se limita ao valor da penalidade. O desenho da norma, segundo Silva Neto, amplia a inseguran&amp;ccedil;a jur&amp;iacute;dica justamente porque opera com conceitos vagos, como o de &amp;ldquo;caracter&amp;iacute;sticas essenciais&amp;rdquo;, dando margem a interpreta&amp;ccedil;&amp;otilde;es amplas por parte da fiscaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o. &amp;ldquo;O que define, afinal, uma caracter&amp;iacute;stica essencial? Esse tipo de conceito aberto cria espa&amp;ccedil;o para subjetividade, amplia o poder discricion&amp;aacute;rio da autoridade e gera inseguran&amp;ccedil;a jur&amp;iacute;dica. &amp;Eacute; exatamente a&amp;iacute; que o contencioso nasce&amp;rdquo;, salientou. &amp;ldquo;Quando a norma n&amp;atilde;o &amp;eacute; objetiva, ela deixa de ser apenas um instrumento de controle e passa a ser tamb&amp;eacute;m uma fonte de instabilidade para quem opera corretamente&amp;rdquo;, completou.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro ponto ressaltado pelo advogado foi o car&amp;aacute;ter regressivo da penalidade, que pode prejudicar as pequenas importa&amp;ccedil;&amp;otilde;es, conforme exemplos abaixo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;bull; Em uma opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de R$ 50 mil, a multa m&amp;iacute;nima de R$ 10 mil pode representar 20% do valor.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;bull; Em uma opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de R$ 2 milh&amp;otilde;es, a multa m&amp;aacute;xima de R$ 20 mil corresponde a apenas 1%.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na pr&amp;aacute;tica, a estrutura da penalidade imp&amp;otilde;e &amp;ocirc;nus desproporcional &amp;agrave;s opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de menor valor, afetando diretamente a competitividade das micro, pequenas e m&amp;eacute;dias empresas (MPMEs), que t&amp;ecirc;m menor capacidade financeira e operacional para absorver esse impacto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;ldquo;Essa estrutura &amp;eacute; regressiva e pune proporcionalmente mais quem &amp;eacute; menor e tem menos capacidade de neutralizar o preju&amp;iacute;zo. Para uma pequena empresa, um erro informacional pode inviabilizar a opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou at&amp;eacute; o neg&amp;oacute;cio. Essa discuss&amp;atilde;o &amp;eacute;, tamb&amp;eacute;m, sobre a competitividade nacional&amp;rdquo;, disse Silva Neto.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por fim, o advogado enfatizou que o caminho para modernizar o sistema sancionat&amp;oacute;rio aduaneiro brasileiro passa necessariamente pela simplifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o e consolida&amp;ccedil;&amp;atilde;o das normas, pela redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da subjetividade na aplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o das penalidades, pela defini&amp;ccedil;&amp;atilde;o de crit&amp;eacute;rios claros de dosimetria e pela cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mecanismos pedag&amp;oacute;gicos &amp;mdash; como advert&amp;ecirc;ncias em casos de infra&amp;ccedil;&amp;otilde;es leves ou prim&amp;aacute;rias &amp;mdash; que permitam corrigir falhas sem comprometer a viabilidade das opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es. &amp;ldquo;H&amp;aacute; uma enorme dist&amp;acirc;ncia entre o que se exige das empresas e o que se entrega em termos de clareza, estabilidade e racionalidade regulat&amp;oacute;ria. Como exigir conformidade plena de um sistema que &amp;eacute; uma selva normativa?&amp;rdquo;, questionou.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img src="https://www.fecomercio.com.br/upload/img/82b3827226ab90ef9f8b00716e49f414a0c65baa.jpg" style="width: 733px;" class="fr-fic fr-dib"&gt;&lt;strong&gt;Excesso regulat&amp;oacute;rio e o dia a dia operacional&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na perspectiva operacional, Isayama refor&amp;ccedil;ou que a inseguran&amp;ccedil;a n&amp;atilde;o nasce apenas da letra da lei, mas tamb&amp;eacute;m da forma como o sistema funciona. &amp;ldquo;N&amp;oacute;s temos duas situa&amp;ccedil;&amp;otilde;es distintas, mas complementares &amp;mdash; a parte legislativa e o balc&amp;atilde;o, o dia a dia da opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o. E, muitas vezes, a legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; aberta demais, o que amplia a inseguran&amp;ccedil;a jur&amp;iacute;dica e dificulta a preven&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos riscos&amp;rdquo;, afirmou.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Al&amp;eacute;m da Receita Federal, temos v&amp;aacute;rios &amp;oacute;rg&amp;atilde;os anuentes e uma intensa produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o normativa, acrescentou o presidente do Sindasp. &amp;ldquo;Em alguns meses, chegamos a acompanhar mais de 180 publica&amp;ccedil;&amp;otilde;es relacionadas ao com&amp;eacute;rcio exterior, o que aumenta muito a complexidade para quem precisa operar com regularidade&amp;rdquo;, detalhou.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De acordo com Isayama, esse contexto acaba afastando justamente quem mais precisa de est&amp;iacute;mulo para acessar o com&amp;eacute;rcio internacional. &amp;ldquo;Muitas vezes o custo para discutir uma multa ou para fazer seguro de uma carga &amp;eacute; maior do que o valor que est&amp;aacute; sendo discutido. Essa situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o ajuda a explicar por que tanta gente simplesmente paga e segue. Mas esse movimento, no longo prazo, legitima um ambiente ruim, reduz a margem e vai empurrando o pequeno para fora do mercado&amp;rdquo;, afirmou.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isayama ainda destacou que a crescente digitaliza&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o uso de sistemas de an&amp;aacute;lise de dados ampliam a necessidade de prepara&amp;ccedil;&amp;atilde;o das empresas. &amp;ldquo;Esse trabalho preventivo &amp;eacute; fundamental. As empresas precisam trabalhar a prepara&amp;ccedil;&amp;atilde;o e o &lt;em&gt;compliance&lt;/em&gt; aduaneiro, observando a classifica&amp;ccedil;&amp;atilde;o fiscal, descri&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mercadoria, documenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e estrutura interna como parte da estrat&amp;eacute;gia do neg&amp;oacute;cio. N&amp;atilde;o d&amp;aacute; mais para deixar isso apenas como uma etapa final da opera&amp;ccedil;&amp;atilde;o&amp;rdquo;, enfatizou.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O presidente do Conselho de Rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es Internacionais, Rubens Medrano, refor&amp;ccedil;ou que o debate sobre multas aduaneiras tamb&amp;eacute;m precisa ser visto sob a perspectiva do desenvolvimento econ&amp;ocirc;mico e da amplia&amp;ccedil;&amp;atilde;o da participa&amp;ccedil;&amp;atilde;o, principalmente, das PME no com&amp;eacute;rcio exterior. &amp;ldquo;Quando a pequena empresa faz uma importa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e, por qualquer motivo, &amp;eacute; penalizada, muitas vezes nunca mais quer ouvir falar de com&amp;eacute;rcio exterior. A nossa preocupa&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;eacute; mostrar que essa via do com&amp;eacute;rcio &amp;eacute; importante, mas tamb&amp;eacute;m orientar sobre toda a parte burocr&amp;aacute;tica e sancionat&amp;oacute;ria que envolve esse processo&amp;rdquo;, disse.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A FecomercioSP defende que &amp;eacute; fundamental que o debate em torno das multas aduaneiras e do novo marco legal do com&amp;eacute;rcio exterior seja focado nas principais dificuldades do setor, que passam pela necessidade de modernizar e facilitar as opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es de importa&amp;ccedil;&amp;atilde;o e exporta&amp;ccedil;&amp;atilde;o, reduzir a burocracia excessiva, simplificar os procedimentos e garantir um ambiente mais competitivo, previs&amp;iacute;vel e seguro para o com&amp;eacute;rcio exterior. Segundo a Entidade, todos esses avan&amp;ccedil;os dependem essencialmente da verdadeira facilita&amp;ccedil;&amp;atilde;o do com&amp;eacute;rcio &amp;mdash; princ&amp;iacute;pio que deveria nortear qualquer legisla&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como desdobramento das discuss&amp;otilde;es realizadas no Conselho de Rela&amp;ccedil;&amp;otilde;es Internacionais, a Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o tamb&amp;eacute;m pretende intensificar a atua&amp;ccedil;&amp;atilde;o institucional sobre o tema em Bras&amp;iacute;lia, perante o Executivo e o Legislativo, a fim de sugerir maior proporcionalidade ao processo de regulamenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da nova multa aduaneira, bem como ao Projeto de Lei 4423/2024, que discute a nova Lei Geral do Com&amp;eacute;rcio Exterior.&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Thu, 12 Mar 2026 08:51:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Internacional]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Conflito no Oriente Médio: repercussões para o Brasil e para o Comércio mundial]]</title><link>https://fecomercio.com.br/noticia/guerra-no-oriente-medio-repercussoes-para-o-brasil-e-para-o-comercio-mundial</link><description>&lt;![CDATA[País deve agir preventivamente, diversificando fornecedores e ampliando a abertura comercial para reduzir riscos econômicos frente a novas tensões geopolíticas]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;A morte do ditador aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, confirmada depois do ataque coordenado por forças dos Estados Unidos e de Israel contra instalações estratégicas em Teerã (capital daquela nação), teve influência direta no centro de poder iraniano e espalhou tensão pelo Oriente Médio.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O bombardeio atingiu o complexo onde o líder estava e pôs fim a quase 40 anos de um comando marcado por forte centralização e vigilância violenta constante sobre a sociedade. A saída abrupta de uma figura tão dominante abriu um vácuo político difícil de administrar, elevou o nível de alerta das forças militares e alimentou discursos de retaliação, criando um ambiente de incerteza que rapidamente ultrapassou as fronteiras do Irã.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As repercussões geopolíticas vieram praticamente no mesmo instante. Sem o ditador, o regime perdeu o seu ponto de equilíbrio e viu alas mais duras ganharem espaço, defendendo respostas mais amplas contra interesses norte-americanos e israelenses. Grupos alinhados a Teerã, como o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen, intensificaram ataques e movimentações, o que aumentou o risco de um conflito mais amplo. A possibilidade de uma escalada envolvendo vários países da região cresceu substancialmente, em especial com a movimentação de tropas dos Estados Unidos no Golfo Pérsico e o reforço das defesas israelenses. A indefinição sobre quem assumirá o comando no Irã adiciona um elemento de instabilidade que tende a se prolongar e dificulta qualquer tentativa de diálogo mais estruturado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Consequência à economia global&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No campo econômico, o impacto mais imediato apareceu no mercado de energia. O anúncio de restrições à navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa uma fatia significativa do petróleo mundial, fez o preço do barril disparar e se aproximar dos&lt;br&gt;US$ 80. Isso aconteceu porque o estreito, que passa entre o Irã e o Omã, é um dos cruzamentos marítimos mais importantes do mundo. Com 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito — e com canais de navegação de 3 quilômetros de largura em ambas as direções —, liga o Golfo Pérsico ao Mar Arábico e ao Oceano Índico.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img src="https://www.fecomercio.com.br/upload/img/3451f0321b6d4e15b5a9ad7aaf22913202d5e852.jpg" style="width: 733px;" class="fr-fic fr-dib"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;O Estreito de Ormuz, entre Irã e Omã, é uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo. Com apenas 33 quilômetros em seu ponto mais estreito, conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico e ao Oceano Índico. Por ali, transitam aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo por dia — cerca de um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Golfo de Omã, em que se encontra o estreito, é a segunda via navegável mais importante para o transporte de petróleo para o mundo (a mais importante rota marítima é o Estreito de Malaca, localizado entre a Malásia e a Indonésia), com 17,8 a 21 milhões de barris de petróleo transitando diariamente pela via, cerca de 20% de todo o petróleo bruto negociado por mar e quase 30% de todo o petróleo bruto e a granel transportados por mar (incluindo GNL).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A reação se espalhou pelos mercados financeiros e, a depender dos desdobramentos desse conflito, haverá elevação nos custos de importação de combustíveis e pressão sobre as cadeias produtivas que dependem de energia. Economias mais vulneráveis a oscilações externas sentirão a fuga de capitais e a desvalorização de suas moedas, enquanto setores industriais já projetam encarecimento expressivo nos custos logísticos e operacionais. Esse conjunto de fatores gera o temor de uma recessão global alimentada pela inflação energética e pela desaceleração do comércio internacional.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Consequências para o Brasil e o Agronegócio&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para o Brasil, mesmo que não haja uma dependência direta do petróleo que passa pela região, os efeitos do bloqueio sobre a cotação do petróleo no mercado internacional, sem dúvida, afetariam os preços internos dos combustíveis, justamente em um momento em que o País busca trazer a inflação de volta para a meta. Estima-se que um aumento de 10% no preço da gasolina possa impactar o IPCA em aproximadamente 0,5%, sem considerar os efeitos indiretos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro ponto de preocupação para o Brasil é que os dois países envolvidos diretamente no conflito são importantes fornecedores de fertilizantes para o Agronegócio, e um acirramento poderia refletir na cadeia de abastecimento e, consequentemente, nos preços de produtos como soja, café, milho etc. Uma série de outros setores, como transportes rodoviário e aéreo, também seria impactada pelo aumento de custo de energia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em 2025, o Irã ocupou a 31ª posição no ranking de destino das exportações brasileiras, as quais totalizaram aproximadamente US$ 2,9 bilhões, queda de 2,7% após ter crescido 30,6% em 2024, em que se destacam o milho e a soja como principais produtos. Para Israel, foram exportados apenas US$ 568,6 milhões, sendo o 60º principal destino das exportações. Do lado das importações, o Brasil importou US$ 1,9 bilhão, dos quais 37% foram de adubos ou fertilizantes, seguidos por inseticidas, fungicidas etc., com 7,6% do total.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Caminhos para o Brasil em meio ao conflito&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos campos político e diplomático, o País precisa equilibrar sua relação histórica com os Estados Unidos sem comprometer as parcerias estratégicas no Golfo Pérsico, ao mesmo tempo que acompanha a situação de brasileiros que vivem em áreas potencialmente afetadas. É fundamental que se adotem posições cautelosas, principalmente considerando o recente ingresso do Irã no Brics.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A &lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/"&gt;Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/a&gt; avalia que o Brasil terá de combinar cautela diplomática com capacidade de adaptação econômica. No curto prazo, será importante reforçar mecanismos que reduzam a exposição à volatilidade internacional, além de diversificar fornecedores de energia e fortalecer instrumentos que diminuam a dependência de combustíveis importados. A médio prazo, o País pode aproveitar a reorganização geopolítica para ampliar a presença em mercados emergentes afetados pela crise, consolidando-se como um ator moderador e um fornecedor confiável de alimentos e energia.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A forma como a Nação navegará pelas pressões externas preservará a estabilidade interna e manterá a própria credibilidade internacional, que será decisiva para transformar um momento de risco em uma oportunidade de reposicionamento global.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Tue, 03 Mar 2026 10:27:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Internacional]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Tarifaço tecnológico encarece e penaliza a inovação]]</title><link>https://fecomercio.com.br/noticia/tarifaco-tecnologico-encarece-e-penaliza-a-inovacao</link><description>&lt;![CDATA[Alta nas tarifas dificulta compra de equipamentos essenciais ao setor produtivo e retarda a urgente modernização e a abertura comercial]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;O governo federal, por meio da Câmara de Comércio Exterior (Camex), elevou as alíquotas do Imposto de Importação sobre Bens de Informática e Telecomunicações (BIT) e Bens de Capital (BK), conforme estabelece a Resolução Gecex 852, de 4 de fevereiro de 2026, que aumentou o valor de importação de mais de 1,2 mil produtos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para a&amp;nbsp;&lt;a href="https://www.fecomercio.com.br/"&gt;Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/a&gt;, a medida representa um grave equívoco de política econômica e um retrocesso na promoção de uma maior abertura comercial e na agenda de competitividade e modernização produtiva do País.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Entidade defende a revisão da resolução e a abertura de diálogo amplo com o setor produtivo e a sociedade civil, com base em evidências técnicas e avaliação de impacto econômico. O Brasil precisa avançar em políticas que reduzam o custo de investir, estimulem a inovação e ampliem a sua competitividade internacional. Elevar tarifas sobre bens de capital e tecnologia não contribui para esse objetivo; ao contrário, compromete a modernização produtiva e dificulta a superação do principal gargalo histórico do crescimento brasileiro: a baixa produtividade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A decisão foi baseada em uma nota técnica elaborada pelo Ministério da Fazenda, destacando que diante do diagnóstico de que o crescimento da importação de BITs e BKs nos últimos anos “ameaça colapsar elos da cadeia produtiva e provocar regressões produtiva e tecnológica do País”, e sob a justificativa de proteger a produção nacional, recomendou a elevação das tarifas de importação dos produtos categorizados na&amp;nbsp;Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A medida estabelece três faixas tarifárias:&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;ul type="disc"&gt;&lt;li&gt;os produtos com alíquota inferior a 7,2% tiveram suas alíquotas elevadas para 7,2%, que se tornou um piso tarifário;&amp;nbsp;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;os bens com alíquotas entre 7,2% e 12,6% tiveram as alíquotas majoradas para 12,6%, um segundo degrau tarifário;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;e o último degrau, em que as alíquotas entre 12,6% e 20% foram unificadas em 20%.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;p&gt;A experiência internacional e a literatura acadêmica são amplamente convergentes ao demonstrar que a concorrência externa é um dos principais vetores de aumento de eficiência. A exposição ao comércio internacional promove a realocação de recursos para empresas mais produtivas, eleva a efetividade média dos setores e incentiva ganhos de escala e especialização. A presença de produtos importados no mercado doméstico não é um obstáculo à indústria eficiente, funcionando como mecanismo disciplinador que estimula modernização, redução de custos e incorporação de novas tecnologias e gerando ganhos de produtividade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Tecnologia mais cara compromete investimento e produtividade&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;No caso específico de BITs e BKs, o impacto é ainda mais sensível. Esses produtos não são bens de consumo supérfluos, mas instrumentos fundamentais para a ampliação da capacidade produtiva e para a digitalização das empresas. A facilitação da importação de bens de capital e de bens intermediários permite acesso a máquinas mais modernas, tecnologias embarcadas e melhores insumos, reduzindo custos e elevando a qualidade da produção. Ao encarecer esses itens por meio da elevação tarifária, a política adotada amplia o custo do investimento produtivo, retarda a atualização tecnológica e compromete a competitividade sistêmica da economia brasileira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há também forte evidência de que a concorrência internacional estimula a inovação, já que o aumento da competição leva as empresas a inovarem para manter ou ampliar a participação de mercado. Ambientes mais abertos tendem a ampliar o registro de patentes, a intensidade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a difusão de Tecnologia da Informação (TI). Ao restringir o acesso a bens de informática e telecomunicações, a medida caminha na direção oposta, encarecendo os equipamentos digitais e dificultando a adoção de Inteligência Artificial (IA), automação e soluções tecnológicas que hoje são determinantes para o ganho de produtividade no Comércio, nos Serviços e na Indústria.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O debate sobre a produtividade é central para o futuro do Brasil. O crescimento nacional nas últimas décadas tem sido limitado por ganhos insuficientes de produtividade total dos fatores. Barreiras comerciais elevadas reduzem a difusão tecnológica, encarecem insumos e afastam o País das cadeias globais de valor. Em vez de remover esses entraves estruturais, a elevação das tarifas sobre BITs e BKs aprofunda um problema que já compromete a competitividade, o que é ainda mais preocupante em um momento de elevado custo do capital. A avaliação da FecomercioSP é a de que o encarecimento das importações, somado aos juros elevados, vai desestimular os investimentos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Vale destacar que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre BITs e BKs permanece acima da média mundial e significativamente superior à praticada por economias avançadas e por diversos emergentes. A nova resolução amplia essa distância, reforçando a percepção de que o País opta por fechamento relativo em um contexto global marcado por cadeias produtivas integradas e competição tecnológica acelerada.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Contradições e impactos sobre as pequenas empresas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A FecomercioSP também nota certa incoerência da medida frente à postura diplomática brasileira no cenário internacional. O governo tem se posicionado criticamente diante de movimentos protecionistas adotados por países como os Estados Unidos, defendendo o multilateralismo, a previsibilidade das regras comerciais e a redução de barreiras. Entretanto, ao elevar tarifas de importação de forma significativa em setores estratégicos, o Brasil adota internamente a mesma lógica que condena externamente.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa contradição fragiliza a credibilidade nacional em negociações comerciais, enfraquece sua posição em fóruns multilaterais e transmite sinal negativo a investidores nacionais e estrangeiros quanto à estabilidade e à coerência da política econômica.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O aumento de tarifas e o consequente acréscimo de preços de equipamentos utilizados por Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), que dispõem de menor capacidade de absorver custos adicionais também preocupam. Isso tende a ampliar desigualdades competitivas, reduzir margens, pressionar preços ao consumidor e limitar investimentos. Em setores intensivos em tecnologia e conectividade — como comércio eletrônico, logística, serviços financeiros, saúde e educação —, a elevação de custos pode retardar também os processos de digitalização imprescindíveis para ganhos de eficiência e expansão de mercado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O fortalecimento da Indústria nacional é objetivo legítimo, mas não pode se basear em encarecimento generalizado de insumos estratégicos para toda a economia. A proteção tarifária, quando mal calibrada, pode gerar alívio pontual para segmentos específicos, porém à custa de perda de eficiência agregada, menor inovação e crescimento mais baixo no longo prazo. Esta tem sido a dinâmica brasileira: setores protegidos há décadas não conseguem se desenvolver.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O desenvolvimento sustentável exige aumento de produtividade, integração às cadeias globais e acesso amplo a tecnologias de ponta, e não a ampliação de barreiras que isolam o Brasil e encarecem o investimento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Tue, 24 Feb 2026 12:11:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Internacional]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Derrubada das tarifas dos EUA é uma boa notícia para o livre‑comércio]]</title><link>https://fecomercio.com.br/noticia/a-derrubada-das-tarifas-e-uma-boa-noticia-para-o-livrecomercio</link><description>&lt;![CDATA[Há espaço para o Brasil recuperar participação no mercado norte-americano, destino de aproximadamente 12% das exportações de manufaturados]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;A Suprema Corte dos Estados Unidos anulou, por 6 votos a 3, as tarifas impostas por Donald Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A maioria dos ministros entendeu que o Executivo havia ultrapassado os limites legais ao recorrer a uma legislação voltada para situações excepcionais como justificativa para alterar tarifas — uma atribuição que a Constituição reserva ao Congresso. Com isso, caíram tanto as tarifas “recíprocas”, que aplicavam ao menos 10% sobre todas as importações, quanto o chamado tarifaço contra as drogas, que elevava tributos sobre produtos vindos de Canadá, México e China.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;De acordo com estimativas do centro de pesquisas da Universidade da Pensilvânia, Penn‑Wharton Budget Model, essas medidas haviam gerado mais de US$ 175 bilhões em arrecadação, valor que agora pode ser alvo de disputas judiciais sobre possíveis reembolsos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A decisão representa um passo importante, embora ainda seja muito cedo para uma avaliação mais criteriosa, na direção de recuperar previsibilidade no comércio internacional. Empresas norte-americanas vinham relatando aumento de custos, encarecimento de insumos e dificuldades logísticas desde a adoção das tarifas, que afetaram cadeias produtivas inteiras. Ao derrubar as medidas, a Suprema Corte estadunidense tende a reduzir custos de importação, aliviar pressões inflacionárias e aproximar novamente o país de parceiros estratégicos que haviam sido atingidos pelo tarifaço.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Para o Brasil, o impacto é direto. Em 2025, as exportações brasileiras para aquela nação somaram cerca de US$ 36 bilhões, mas registraram queda de 6,6% em relação ao ano anterior, especialmente em setores como os de aço, alumínio, celulose, químicos e manufaturados, justamente os mais afetados pelas sobretaxas. Com a decisão, o Brasil volta a ter competitividade e abre espaço para recuperar participação naquele mercado, destino de aproximadamente 12% das exportações nacionais de manufaturados. A normalização das regras também tende a fortalecer cadeias globais de valor e ampliar oportunidades para produtos de maior valor agregado, reforçando a posição do Brasil em segmentos industriais e agroindustriais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A reação do governo Trump foi imediata. O presidente classificou a decisão como uma “vergonha” em conversas internas e afirmou que buscaria alternativas legais para restabelecer algum tipo de proteção tarifária. A Casa Branca declarou que avaliaria novos instrumentos jurídicos para substituir as tarifas derrubadas, defendendo que a taxação continua sendo uma ferramenta essencial da política econômica do governo. Trump também anunciou a intenção de implementar uma nova tarifa em resposta ao julgamento, sinalizando que o tema seguirá no centro das disputas entre Executivo e Judiciário.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Logo após a decisão da Suprema Corte, o governo de Donald Trump anunciou um imposto linear de 10% sobre todas as importações, aplicado de forma uniforme a produtos vindos de qualquer país. Esse imposto foi estabelecido com base na Seção 122 do Trade Act de 1974, que permite ao presidente impor tarifas temporárias sem aprovação prévia do Congresso, mas por um período máximo de 150 dias.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Diferentemente de medidas anteriores que miravam países ou setores específicos, essa tarifa é global e adicional, somando-se às tarifas já existentes. Na prática, funciona como um aumento generalizado no custo de bens importados, o que tende a elevar preços para consumidores e empresas dentro dos Estados Unidos, já que estudos mostram que a maior parte do impacto financeiro recai sobre consumidores domésticos.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa decisão da Suprema Corte traz uma certa tranquilidade no curto prazo, mas as incertezas continuam, uma vez que ainda temos produtos em julgamento sob as resoluções 232 e 301 que dependem unicamente do poder executivo norte-americano.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Mon, 23 Feb 2026 10:06:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Internacional]]</category></item></channel></rss>
