





Os grandes temas dos debates entre os países presentes na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas — a COP30, que ocorrerá em novembro, em Belém, no Pará — estão no foco mundial e devem estar inseridos nas estratégias empresariais.
Para debatê-los, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) convidou nomes do Poder Público, da sociedade civil organizada e do empresariado para os Encontros COP30: Clima, Impacto & Mercado — os Desafios da Mitigação e da Adaptação, no último dia 3. A live destacou o papel decisivo do Comércio e dos Serviços para acelerar a agenda climática no Brasil.
As discussões dos dois primeiros painéis do evento reuniram José Goldemberg, presidente do Conselho de Sustentabilidade da Federação; Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil e liderança histórica no Acordo de Paris; Aloisio Melo, diretor do Departamento de Políticas de Mitigação, Adaptação e Instrumentos de Implementação (DPMA) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); e Sueli Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima.
A conversa apresentou caminhos concretos para alinhar a agenda econômica do Brasil com a transição para uma economia de baixo carbono, destacando o papel estratégico das empresas, especialmente as pequenas e médias. Acompanhe como foram as discussões nesta cobertura especial!
A força da Agenda Verde
Abrindo o encontro, Goldemberg reforçou que os setores do Comércio e dos Serviços representam apenas em torno de 5% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), mas influenciam toda a cadeia produtiva e os hábitos de consumo.
“Tudo passa pelo Comércio. Nós compramos, transportamos e descartamos produtos. Por isso, temos condições de induzir soluções mais eficientes, desde a economia circular e a logística reversa até o uso racional de água e energia”, destacou o presidente do conselho.
Na ocasião, o professor reiterou o papel da Agenda Verde da FecomercioSP, que orienta as empresas a adotarem práticas sustentáveis e aproveitarem as oportunidades contemplando justamente as questões críticas e impactantes, como eficiência e transição energética, a economia circular, as emissões de GEE, o desmatamento ilegal, o combate à poluição e os incêndios florestais. “Reduzir 10% do consumo de energia em um supermercado significa uma economia de milhões de reais e menos emissões, por exemplo. Com educação empresarial, podemos escalar soluções para mais de 100 mil estabelecimentos”, reforçou Goldemberg.
Novas escolhas e o Comércio como ponte para a ação
A ex-ministra Izabella enfatizou que a COP30, a ser sediada em Belém do Pará, acontece em um momento crítico da agenda climática mundial, quando os efeitos das mudanças do clima já são sentidos em todo o mundo.
“A natureza mudou. Os eventos extremos estão mais frequentes e intensos. Não estamos mais discutindo algo distante; é um desafio do presente. A COP30 é uma COP de implementação e exige ação de governos, empresas e cidadãos”, afirmou.
Izabella alertou que o Brasil precisa fazer novas escolhas de desenvolvimento para manter a competitividade em um mundo que exige descarbonização. Nesse contexto, destacou estratégias relevantes para seguir nesse caminho, como:
“O Brasil tem soluções, mas precisa transformar as vantagens em desenvolvimento sustentável. Isso exige cooperação entre governo, setor privado e sociedade”, reforçou.
Goldemberg afirmou que a capilaridade do Comércio é essencial para levar práticas sustentáveis às Pequenas e Médias Empresas (PMEs), tornando a transição climática uma oportunidade para todos.
“Grandes redes varejistas já entenderam que sustentabilidade é economia e competitividade. Elas podem influenciar fornecedores e multiplicar boas práticas pela cadeia produtiva. Destacaremos casos práticos com impactos positivos no último painel deste encontro. Esse é o caminho para escalar soluções e transformar metas em resultados”, ressaltou o professor.
Nesse quesito, a FecomercioSP, por meio do seu Conselho de Sustentabilidade, tem atuado principalmente na educação empresarial como diferencial, com o objetivo de capacitar as empresas, apoiar as políticas públicas e conectar as metas internacionais à realidade local.
“A sustentabilidade não é um custo, mas um investimento no futuro do País. O Comércio e os Serviços podem acelerar essa transformação e gerar negócios mais resilientes e competitivos”, adicionou Goldemberg.
Da ambição global à ação local
O primeiro painel reforçou também que a COP30 não é apenas uma conferência internacional, mas também uma oportunidade para o Brasil reposicionar a própria economia e construir um futuro mais resiliente, justo e competitivo.
Izabella declarou que a COP30 marca um momento inédito da agenda climática, pois acontece quando os impactos da crise já são sentidos globalmente, com eventos extremos mais frequentes e intensos. “Cabe a nós, brasileiros, escolhermos um país menos vulnerável e mais inovador. E o Comércio tem um papel fundamental nessa escolha. O Brasil precisa alinhar inovação, setor privado e políticas públicas para transformar vantagens naturais em desenvolvimento sustentável. É hora de agir com pragmatismo e visão de longo prazo”, disse.
Ela também frisou a importância de mobilizar a sociedade e o setor privado para acelerar a transição. “Quem traduz políticas públicas em ações são as empresas. O consumidor, por sua vez, influencia com suas escolhas. Precisamos transformar ambição em prática.”
Plano Clima e metas para 2035
No segundo painel, representando o governo, Melo, diretor do DPMA, apresentou o Plano Clima 2035, que guia as ações brasileiras para reduzir emissões e fortalecer a resiliência do País.
“O Brasil tem a meta de reduzir em até 67% as emissões de GEE até 2035, em comparação com os níveis de 2005. Ao mesmo tempo, queremos tornar a sociedade mais resiliente aos impactos climáticos e garantir que a transição seja feita com justiça, sem aumentar a vulnerabilidade das populações mais pobres”, explicou.
Dentre os eixos prioritários do Plano Clima, destacam-se:
“O combate à crise climática exige investimentos público e privado. Usamos o recurso público para atrair o capital privado, alavancando recursos para ampliar projetos como a restauração de florestas e o transporte sustentável”, disse o diretor.
Desafios da implementação e necessidade de cooperação
Tanto Izabella quanto Melo enfatizaram que a transição climática não será possível sem integração entre os setores público e privado, tampouco sem coordenação entre a União, os Estados e os municípios.
“A emergência climática é uma realidade que vai perdurar até que consigamos reduzir a concentração de GEE na atmosfera. Precisamos preparar as cidades, as empresas e os cidadãos para operar nesse novo contexto. Planejar é importante, mas é necessário transformar os planos em ação concreta, priorizando os investimentos onde há mais reflexo negativo e risco”, afirmou Melo.
“A governança federativa precisa sair do papel. A adaptação climática se faz no território, nos municípios, que precisam de apoio técnico e recursos para reduzir vulnerabilidades”, reforçou Izabella.
Goldemberg ainda salientou que as grandes empresas do Varejo podem puxar a transformação das cadeias produtivas, influenciando os fornecedores e os clientes. “As grandes redes, como supermercados e varejistas, já entenderam que sustentabilidade é competitividade. Elas exigem padrões melhores de fornecedores e, com isso, ajudam a difundir práticas sustentáveis. Essa capilaridade é essencial para levar a transição climática às PMEs”, opinou.
Adaptação climática urbana e justiça social
A adaptação climática nas cidades foi um ponto de destaque também. A urbanista Sueli lembrou que eventos como alagamentos e ondas de calor exigem soluções baseadas na natureza e políticas públicas inclusivas, evitando deslocamentos forçados e priorizando a proteção das populações mais vulneráveis na implementação de soluções.
“Não basta somente a engenharia. Precisamos integrar infraestrutura verde, drenagem urbana e planejamento territorial para lidar com os efeitos das chuvas intensas e do calor extremo. Não podemos simplesmente afastar as pessoas das áreas de risco sem oferecer alternativas dignas. É preciso integrar a adaptação climática às políticas públicas urbanas, envolvendo os Estados e os municípios para garantir resultados reais”, afirmou.
Sueli ressaltou que a gestão da drenagem urbana, frequentemente negligenciada no Brasil, precisa ganhar prioridade no contexto das mudanças climáticas, envolvendo:
“Cidades como São Paulo já lidavam com enchentes, mas os eventos extremos atuais são muito mais graves, pois as chuvas estão cada vez mais intensas. É preciso rever estratégias e combinar engenharia e soluções naturais para reduzir os impactos”, completou.
A especialista defendeu ainda as políticas de capacitação empresarial e comunitária, destacando que o setor privado, incluindo o Comércio, precisa avaliar os riscos, adaptar as operações e fortalecer as cadeias de fornecedores para resistir a eventos climáticos extremos.
COP30 como marco de ação e desenvolvimento
Os amplos e ricos debates evidenciaram que a FecomercioSP, com sua Agenda Verde e capacidade de mobilização empresarial, tem um papel estratégico na implementação da agenda climática brasileira.
Combinando educação empresarial, incentivo à inovação, apoio a políticas públicas e liderança em práticas sustentáveis, a Entidade reforça que enfrentar a crise climática significa aproveitar as oportunidades econômicas, reduzir as ameaças e aumentar a competitividade do Brasil.
Os exemplos empresariais da Leroy Merlin e da C&A complementaram as discussões com casos práticos, mostrando que a descarbonização é uma oportunidade. Clique aqui e confira a cobertura do terceiro painel.
Assista ao debate na íntegra.
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