Serviços paulistano cresce, mas enfrenta desafios com a demanda enfraquecida e o endividamento das famílias.
O setor de Serviços no município de São Paulo faturou R$ 96,4 bilhões em junho, crescimento real de 13,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo a Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), em parceria com a Secretaria da Fazenda do Município de São Paulo (Sefaz/SP). O resultado, que representa um incremento de R$ 11,2 bilhões nas receitas, quase dobra o ritmo de expansão registrado em maio, de 6,5%. No primeiro semestre, o faturamento somou R$ 538,3 bilhões, alta de 10,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Acesse a carta setorial.
O desempenho, porém, permanece desigual entre as atividades. Os destaques de junho ficaram por conta dos serviços jurídicos, econômicos e técnico-administrativos, com crescimento de 21%; mercadologia e comunicação, com 18,7%; e saúde, com 13,5%. O segmento de agenciamento, corretagem e intermediação manteve a liderança no acumulado do ano, com alta de 22,7%. Os resultados refletem a maior resiliência dos serviços corporativos, técnicos e digitais, menos dependentes do consumo direto das famílias.
Na outra ponta, turismo, hospedagem, eventos e atividades assemelhadas registraram queda de 16,2% em junho, a única retração anual entre os segmentos pesquisados. No acumulado de 2026, a baixa chegou a 9,3%. O setor ainda lida com os efeitos da base elevada de comparação de 2025 e do enfraquecimento da demanda. Já os serviços de apostas online avançaram 1,2% em junho e acumulam crescimento de 9,3% no semestre, mas apresentam forte oscilação ao longo dos meses.
Para a FecomercioSP, juros elevados, endividamento dos lares e menos confiança empresarial continuam limitando o ritmo de expansão. Em setembro, 75,4% das famílias paulistanas estavam endividadas, ante 68,9% em janeiro. A inadimplência, que havia recuado para 8,2% em julho, voltou a subir e alcançou 8,7% em setembro. Em contrapartida, o mercado de trabalho formal segue aquecido: o saldo de empregos no setor de Serviços no Brasil chegou a 110,3 mil vagas em agosto, alta de 36,2% em relação ao mesmo mês de 2025.
Por isso, a perspectiva para os próximos meses é de crescimento, mas com mais seletividade e condicionado à evolução das condições financeiras das famílias e das empresas. A desaceleração da inflação e a continuidade da redução dos juros podem favorecer a recuperação gradual da demanda. Para as empresas, a FecomercioSP recomenda priorizar ganhos de produtividade, diversificar a carteira de clientes, reforçar a proposta de valor dos serviços e investir na capacitação e retenção de equipes, evitando compromissos financeiros incompatíveis com um ambiente econômico ainda desafiador.