A confiança das grandes empresas do Comércio paulistano caiu em setembro, enquanto a intenção de expansão recuou pelo sétimo mês consecutivo, refletindo os juros elevados, o crédito caro e as incertezas econômicas.
ICEC das grandes empresas recua 11,2%, para 93,9 pontos, reduzindo a diferença em relação às pequenas empresas para menos de 1 ponto.
ICEC geral cai 1,1%, para 93,3 pontos, interrompendo dois meses de alta, enquanto as expectativas permanecem estáveis.
Investimentos recuam pelo oitavo mês consecutivo, com o IIEC caindo 0,7%, para 96,1 pontos.
IEC cai 1,6%, para 99,1 pontos, menor nível desde maio de 2025 e abaixo da linha de neutralidade pela primeira vez desde então.
Juros altos, endividamento e crédito caro pressionam os negócios e levam empresários a adiar investimentos em expansão e modernização.
A confiança das empresas de maior porte recuou em setembro, segundo estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Entre os negócios com mais de 50 empregados, o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) passou de 105,8 para 93,9 pontos, uma queda de 11,2% em relação a agosto.
O movimento chama a atenção porque foge do padrão. Em geral, as empresas maiores demonstram mais confiança do que as pequenas. No entanto, em setembro, a diferença entre os dois grupos caiu de mais de 11 pontos porcentuais (p.p) para menos de 1 p.p., a menor diferença já registrada no ano. Os pequenos negócios recuaram 0,9%, mas de forma bem mais moderada, passando de 94,1 para 93,3 pontos.
A queda das grandes empresas foi mais forte que a das pequenas nos três componentes do índice. Nas condições atuais, o recuo foi de 15,9% (de 78 para 65,6 pontos), contra 3,3% entre as pequenas. Nas expectativas, as grandes caíram 13%, enquanto as pequenas praticamente mantiveram o patamar. No investimento, a queda foi de 5,9%.
[Tabela 1]
ICEC — Variação mensal por porte da empresa
Setembro
Fonte: FecomercioSP
Para a FecomercioSP, esse resultado mostra que mesmo empresas com mais acesso a crédito e capital de giro não estão imunes ao aperto monetário.
No resultado geral, o ICEC recuou 1,1%, de 94,4 para 93,3 pontos, interrompendo dois meses seguidos de alta. Já na comparação com o mesmo período do ano passado, o indicador ficou 0,7% abaixo [gráfico 1].
[GRÁFICO 1]
Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC)
Série histórica (13 meses)
Fonte: FecomercioSP
Condições atuais puxam a queda, mas expectativas ficam estáveis
O subíndice que avalia a percepção sobre as condições atuais (ICAEC) teve a queda mais acentuada entre os três componentes do ICEC, recuando 3,6% e passando de 69,1 para 66,6 pontos, após dois meses de estabilidade. Na comparação interanual, a queda também foi de 3,6%, o que consolida o quadro de vendas mais fracas e margens pressionadas.
A piora também aparece na avaliação dos empresários sobre o próprio negócio. A percepção a respeito da condição atual das empresas comerciais caiu 3,6%, passando de 85,2 para 82,2 pontos. Já a avaliação sobre a economia recuou 3,2%, de 55 para 53,2 pontos, interrompendo a leve melhoria registrada em agosto.
Já o subíndice de expectativas (IEEC) ficou praticamente estável, em 117,2 pontos, interrompendo a sequência de três altas mensais consecutivas. O comportamento indica que os empresários seguem otimistas em relação ao futuro, mas cautelosos frente a dúvidas sobre a economia. Na comparação anual, o indicador ainda avança 3%.
Investimento cai pela oitava vez seguida
O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) voltou a cair, de 96,8 para 96,1 pontos (-0,7%), registrando a oitava queda mensal consecutiva [gráfico 2]. A persistência do recuo mostra que o alto custo do crédito e o elevado endividamento das empresas seguem como o principal entrave às decisões de investimento. O único componente a melhorar foi a situação atual dos estoques, que subiu 1,3% (de 88,8 para 90 pontos).
[GRÁFICO 2]
ICAEC, IEEC E IIEC
Série histórica (13 meses)
Fonte: FecomercioSP
Segundo a FecomercioSP, o varejo entrou em estado de alerta. Juros altos, consumidor endividado, crédito caro e margens pressionadas continuam atingindo as empresas do setor. O plano político tende a reforçar a postura de cautela, já que decisões de investimento de maior fôlego costumam ser adiadas até que o quadro eleitoral se consolide.
Expansão do comércio registra sétima queda consecutiva
O Índice de Expansão do Comércio (IEC), também produzido pela FecomercioSP, recuou 1,6% em setembro e foi de 100,7 para 99,1 pontos, o menor nível desde maio de 2025. É a sétima queda mensal consecutiva, sequência que iguala à da retração do início da pandemia, entre dezembro de 2019 e julho de 2020. Só a recessão entre 2014 e 2015 apresentou uma série mais longa, de 11 meses. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a retração foi de 1,9%.
Com esse resultado, o IEC volta a operar abaixo da linha dos 100 pontos pela primeira vez desde maio do ano passado. Na leitura conjunta dos dois componentes do índice, isso significa que o pessimismo já supera o otimismo, e que a cautela e o sentimento de preocupação das empresas do Comércio seguem avançando.
O Índice de Expectativa para Contratação de Funcionários (ECF), que vinha sustentando o indicador com relativa força, perdeu fôlego, ao cair 1,4%, passando de 114 para 112,4 pontos. Na comparação anual, porém, segue em alta de 4,5%, reflexo do mercado de trabalho aquecido, da escassez de mão de obra qualificada e da necessidade de reforçar as equipes com o aumento da demanda no segundo semestre.
Já o Índice de Nível de Investimento das Empresas (NIE) recuou 2%, passando de 87,5 para 85,8 pontos, essa é a oitava retração mensal seguida e a mais longa da série histórica, iniciada em 2011. O indicador também soma 22 meses consecutivos abaixo da linha dos 100 pontos e registra a segunda maior sequência nesse patamar, atrás apenas do período entre 2014 e 2021, que foi de 95 meses. Na comparação interanual, a queda chega a 9,2% [gráfico 3].
Com o crédito restrito e o custo de financiamento elevado, os empresários seguem inseguros e adiando decisões de investimento em expansão e modernização.
[GRÁFICO 3]
Índice de Expansão do Comércio (IEC)
Série histórica (13 meses)
Fonte: FecomercioSP
Por isso, a FecomercioSP recomenda que os empresários do Comércio deem prioridade à liquidez e ao capital de giro, adiando investimentos estruturais até que o custo do crédito recue de forma consistente. Antes de recorrer ao crédito bancário tradicional, que segue caro, vale avaliar linhas de fomento, como as de bancos de desenvolvimento. A Entidade também orienta alinhar o volume de compras com o comportamento real das vendas e evitar compromissos financeiros de longo prazo que não considerem cenários alternativos, em meio às incertezas de juros e ao calendário eleitoral.
Produzido mensalmente pela FecomercioSP, o boletim Panorama do Comércio traz os principais indicadores econômicos para o planejamento dos negócios, além de apresentar análises sobre a conjuntura econômica, o perfil de consumo e as principais tendências que impactam a atividade empresarial. Confira aqui.
Notas metodológicas
ICEC
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) contempla a percepção do setor em relação ao seu segmento, à sua empresa e à economia do País. São entrevistas feitas em painel fixo de empresas, com amostragem segmentada por setor (não duráveis, semiduráveis e duráveis) e por porte de empresa (até 50 empregados e mais de 50 empregados). As questões agrupadas formam o ICEC, que, por sua vez, pode ser decomposto em outros subíndices que avaliam as perspectivas futuras, a avaliação presente e as estratégias dos empresários mediante o cenário econômico. A pesquisa refere-se ao município de São Paulo, contudo sua base amostral reflete o cenário da região metropolitana.
IEC
O Índice de Expansão do Comércio (IEC) é apurado todo mês pela FecomercioSP, desde junho de 2011, com dados de cerca de 600 empresários. O indicador vai de 0 a 200 pontos, representando, respectivamente, desinteresse e interesse absolutos na expansão de seus negócios. A análise dos dados identifica a perspectiva dos empresários do Comércio em relação a contratações, compra de máquinas ou equipamentos, e abertura de novas lojas. Apesar de esta pesquisa também se referir ao município de São Paulo, sua base amostral abarca a região metropolitana.