O comércio atacadista perde fôlego em 2026, pressionado pelo baixo crescimento das vendas e pelo consumo enfraquecido.
O Comércio Atacadista tem perdido fôlego ao longo de 2026, com crescimento do faturamento sustentado principalmente pela alta dos preços, e não pela expansão efetiva das vendas. O setor registrou alta de 3,6% no faturamento entre janeiro e agosto, na comparação com o mesmo período de 2025, enquanto o volume comercializado avançou apenas 0,1%. Em agosto, o quadro se agravou: as vendas em valor recuaram 1,7% e o volume caiu 3%.
Os dados são analisados na Carta Setorial da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), elaborada com base em dados da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad). Acesse a carta!
Estoques e pontos de venda em queda
A retração também aparece na redução de 1,9% no número de pontos de venda no acumulado do ano até agosto. Ao mesmo tempo, o Índice de Estoques da FecomercioSP revela dificuldades para ajustar a oferta ao ritmo de consumo: aumentou tanto a proporção de empresas com mercadorias acima do nível adequado quanto a parcela que opera com estoques insuficientes.
O cenário reflete a combinação de demanda mais fraca, crédito caro e restrições financeiras, que dificultam tanto o escoamento dos excedentes quanto a reposição de produtos.
Contratações perdem ritmo
No mercado de trabalho, o saldo de contratações permanece positivo, mas em ritmo menor. No primeiro semestre, o Comércio Atacadista paulista criou 5,5 mil vagas formais, resultado 53,9% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
Em agosto, foram abertas 1.442 vagas, elevando o estoque de trabalhadores para 650,6 mil vínculos, alta de 0,85% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo liderou a geração de empregos, com 750 postos.
Preços e endividamento pressionam o consumo
Os indicadores de preços também exigem atenção. Embora o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10) acumule queda de 1,01% em 12 meses até setembro, houve alta mensal de 1,9%, interrompendo três meses consecutivos de deflação.
Já o endividamento das famílias chegou a 75,4% em setembro, ante 68,9% em janeiro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC. A inadimplência, por sua vez, subiu para 8,7% em setembro, após recuar até julho, reforçando os riscos para a recuperação do consumo.
Ajuste de estoques e foco na rentabilidade
Para a FecomercioSP, o cenário não indica uma retração generalizada do setor, mas uma expansão mais moderada e seletiva. A entidade recomenda que atacadistas e distribuidores ajustem os estoques ao giro dos produtos, estreitem a relação com os varejistas, priorizem margens e rentabilidade em vez de apenas faturamento e utilizem tecnologia para antecipar mudanças na demanda.
A recuperação dependerá, sobretudo, da melhora do poder de compra das famílias e da disposição do varejo para recompor estoques, em um ambiente ainda marcado pelo custo elevado do crédito.
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