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Economia

Brasil deve agir sobre trabalho, juros e estatais para melhorar produtividade

FecomercioSP participa de reunião da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados

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Comitiva da FecomercioSP participa de reunião da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara Comitiva da FecomercioSP participa de reunião da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara
Fábio Pina, economista da FecomercioSP, ao lado da deputada Adriana Ventura e do advogado Roberto Ordine, vice-presidente da CACB Fábio Pina, economista da FecomercioSP, ao lado da deputada Adriana Ventura e do advogado Roberto Ordine, vice-presidente da CACB
A produtividade é o grande gargalo do Brasil, apontou Pina A produtividade é o grande gargalo do Brasil, apontou Pina
    Pina discursa para lideranças de uma das mais importantes comissões do Congresso Pina discursa para lideranças de uma das mais importantes comissões do Congresso
Debate tratou de trabalho, juros e produtividade Debate tratou de trabalho, juros e produtividade
Comitiva da FecomercioSP participa de reunião da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara
Fábio Pina, economista da FecomercioSP, ao lado da deputada Adriana Ventura e do advogado Roberto Ordine, vice-presidente da CACB
A produtividade é o grande gargalo do Brasil, apontou Pina
    Pina discursa para lideranças de uma das mais importantes comissões do Congresso
Debate tratou de trabalho, juros e produtividade

“A produtividade é o grande gargalo do Brasil”, apontou Fabio Pina, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)durante audiência pública sobre o tema, realizada na Comissão do Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados. Pina esteve na mesa da reunião, em Brasília (DF), na última quarta-feira (6), ao lado da deputada Adriana Ventura(Novo/SP), do advogado Roberto Ordine — atual vice-presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) — e do também economista Carlos da Costa.

“Isso é efeito de uma tragédia que nós não percebemos: o ambiente de negócios ainda não é adequado. Em 40 anos, nós diluímos a perda relativa de bem-estar, enquanto outros países, como a China e a Coreia do Sul, cresceram em rendas per capita. Isso não aconteceu por acaso; esses países dinamizaram os ambientes de negócios”, continuou. 

Os dados corroboram a análise: na década de 1980, o Brasil, marcado pela crise profunda que interrompeu o ciclo de crescimento, levou o Produto Interno Bruto (PIB) a registrar uma média anual de apenas 1,6% de crescimento. Foi resultado de uma estrutura produtiva fragilizada — forte dependência de capital externo, uma baixa poupança interna e um ambiente pouco favorável ao investimento. Como consequência, a produtividade estagnou, investimentos minguaram e a Indústria nacional encolheu, sobretudo em setores como os de bens de capital e de consumo durável. 

Na década mais recente, de 2011 a 2020, o desempenho foi ainda pior, com um crescimento médio de apenas 0,8% ao ano (a.a.), metade do ritmo já fraco da chamada “década perdida”. Desde então, a produtividade permanece estagnada.  

Entre 2000 e 2019, a produtividade do trabalho cresceu, em média, só 0,54% a.a. No mesmo período, o Chile registrou uma taxa de 1,55%. A Coreia do Sul, por sua vez, viu o ritmo avançar 4,3% entre 2000 e 2018, enquanto a nossa foi, nesse mesmo período, de 0,7%. 

Segundo Pina, há, hoje, três problemas estruturais. O primeiro é o fim da sucumbência da Reforma Trabalhista de 2017. “Atualmente, muito pior do que o custo do trabalho é a incerteza que o empresariado tem para empregar. Com a sucumbência, a própria Justiça do Trabalho está saturada.” 

O segundo aspecto são as estatais, que, para o economista, não são eficientes, mas conseguem afetar a competitividade e o dinamismo das empresas privadas. Pina lembrou que uma das agendas da FecomercioSP, da Reforma Administrativa, envolve a crítica à má qualidade dos serviços públicos. As classes baixas são aquelas que, apesar de contribuírem com a mesma carga de impostos que as mais abastadas, dependem de estruturas estatais obsoletas e burocráticas. “Sem contar a política de campeões nacionais que, na verdade, são escolhidas sem nenhum tipo de critério. Eu pergunto, sinceramente, se é relevante ter essa quantidade de empresas estatais”, questionou. Só a União controla 44 delas. 

Em terceiro lugar — e mais grave, disse Pina — está a prática de financiar contas públicas com juros altos. “É muito relevante a gente lembrar que, quando nós conseguimos financiar a contenção das despesas [em 2022], a taxa de juros do Brasil caiu. Hoje, é o contrário: a Selic é altíssima porque a incerteza com os gastos do governo é precificada pelo mercado”, completou. 

Para a deputada Adriana, o parlamento precisa ter uma postura diferente diante de apontamentos como esse. “A voz do setor produtivo não é tão ouvida no Congresso, embora seja ele quem pague a conta do País”, disse, lembrando das discussões sobre o fim da escala 6x1 — que, inclusive, ocorriam na sala ao lado da comissão. “Estão propondo isso, mas como vamos pagar essa conta? O empresariado quer melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, mas isso precisa se dar de forma equilibrada”, finalizou.

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