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Economia

Câmbio vai depreciar no segundo semestre. Como o Banco Central agirá?

Qualquer sinalização de flexibilização prematura do órgão teria reflexos nas expectativas de inflação e na curva de juros; leia a carta de conjuntura!

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Câmbio vai depreciar no segundo semestre. Como o Banco Central agirá?

As atuais condições globais — guerra no Oriente Médio em meio às tentativas de negociação, incertezas nos Estados Unidos, indicadores dúbios da China — apontam que o câmbio deve depreciar no segundo semestre, diz o Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política (CSESP) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). 

A Carta de Conjuntura de junho do Conselho, divulgada nesta terça-feira (30), pode ser acessada aqui

Os juros internacionais estão em alta, os termos de trocas seguem deteriorando e a situação externa pressiona o preço do barril do petróleo. O Banco Central (BC) está, neste momento, com a tarefa inglória de acertar o passo. 

O problema é que o órgão ainda tem os desafios internos, sobretudo no fiscal. O governo deve injetar R$ 210 bilhões na economia neste ano, com o mercado de trabalho aquecido, a inflação acima da meta e o câmbio desfavorável. 

O BC conseguirá preservar credibilidade no ambiente de pressões cruzadas, ou seja, de choque de oferta que virá do câmbio depreciado e busca por commodities, de um lado, e do choque pela demanda do impulso fiscal, de outro? 

“A expansão dos gastos públicos seguirá como um dos pontos mais significativos da política econômica brasileira neste próximo semestre”, observa o economista Antônio Lanzana, presidente do CSESP. 

“Ela tende a amenizar a desaceleração da atividade econômica, com condições até de revertê-la de alguma forma. Mas, de outro lado, política fiscal pressionará nossa inflação – percepção reforçada pela resiliência do mercado de trabalho, pelos efeitos do El Niño sobre os preços dos alimentos, as incertezas externas e uma possível pressão cambial a partir de agora”, conclui. 

Na leitura do CSESP, qualquer sinalização de flexibilização prematura do Banco Central seria lida pelo mercado como capitulação, com reflexos nas expectativas de inflação e na curva de juros. 

“O cenário impactará diretamente as empresas, na medida em que obrigará o BC a manter a taxa básica de juros do País na casa dos 14%”, conclui Lanzana. Acesse a carta de conjuntura!

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