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Economia

Comércio encara desaceleração, mudança no consumo e novos desafios

Reunião do Comitê de Relacionamento de Assessorias Econômicas e Especiais da FecomercioSP traz análise econômica e tendências do varejo de construção, além de alertar sobre gestão da água

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Comércio encara desaceleração, mudança no consumo e novos desafios

A economia brasileira dá sinais claros de perda de fôlego, com queda na produção industrial, desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) e indicadores que apontam continuidade desse movimento. O consumo das famílias e os gastos públicos ainda sustentam parte da atividade, mas o crédito mais caro e seletivo impõe limites. Esse foi o ponto de partida da análise apresentada por André Sacconato, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), na reunião Comitê de Relacionamento de Assessorias Econômicas e Especiais (CRAEE) da Entidade, realizado na última quarta-feira (11). 

Segundo Sacconato, o País vive um paradoxo. Enquanto os preços industriais recuam, os serviços seguem pressionados, próximos de 6% ao ano. O mercado de trabalho aquecido mantém a demanda firme nesse segmento, o que exige cautela da política monetária. O cenário-base é de crescimento moderado e inflação sob controle, mas há risco de desaceleração mais intensa. Para o empresário, a recomendação é simples e direta: atenção ao caixa e planejamento compatível com a realidade.

Material de construção

Na sequência, o diretor do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor de Material de Construção no Estado de São Paulo (Sincomaco), Marcos Atchabahian, destacou mudanças importantes no comportamento do consumidor. Segundo ele, a loja física continua relevante, pois o cliente precisa de informação técnica. Por isso, o atendimento qualificado faz diferença na decisão de compra.

Atchabahian observou que muitos consumidores retornam também pelas condições de pagamento. Outro ponto relevante é a presença crescente do público feminino nas obras e nas lojas. “Elas têm poder de decisão e de compra”, afirmou, ao reforçar que os estabelecimentos precisam estar preparados para receber esse perfil com organização, ambiente adequado e respeito.

Ele ressaltou que o conhecimento técnico da equipe, o atendimento objetivo e o mix de produtos alinhado com o perfil do cliente são diferenciais competitivos. Em um ambiente de custos elevados e mercado de trabalho em transformação, investir com cautela e leitura atenta do cenário é essencial para manter a competitividade, segundo o presidente.  

Gestão da água

O tema também entrou no radar das empresas. Cristiane Cortez, assessora da FecomercioSP, lembrou que a água é um bem público e um recurso natural limitado, com valor econômico definido na Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH). E, que, em situações de escassez, a prioridade é o consumo humano e a dessedentação de animais.

Para o setor de Comércio e Serviços, isso significa adotar medidas preventivas. Cristiane orientou investir em equipamentos mais eficientes, reduzir perdas, mapear o consumo e estabelecer metas internas. Também abordou alternativas como captação de água da chuva, utilização de água de reúso para fins não potáveis e reserva adequada. 

Ela ainda enfatizou que os sindicatos podem atuar como multiplicadores de boas práticas e apoiar políticas públicas voltadas para o uso racional da água. Em um cenário de maior pressão sobre recursos naturais, eficiência hídrica deixa de ser apenas pauta ambiental e passa a integrar a estratégia de gestão das empresas.

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