Sustentabilidade
18/09/2026Enchentes no Sul consolidam o preparo da Leroy Merlin para eventos extremos
Após mais de 70 colaboradores serem afetados no Rio Grande do Sul, a empresa estruturou protocolos, recursos e rede de apoio para situações de emergência
As enchentes no Rio Grande do Sul deixaram uma lição prática para a Leroy Merlin. Diante de eventos climáticos extremos, recursos, protocolos e uma rede de apoio previamente estruturados aceleram a resposta. Depois que mais de 70 colaboradores foram diretamente afetados, a empresa desenvolveu uma estratégia para lidar com novas ocorrências, como os possíveis impactos do El Niño 2026 e 2027.
“Eu não quero mais ter mais de 70 colaboradores em emergência climática. Também não gostaria de ter as emergências que tivemos com as lojas, os clientes e o entorno. Então, o chamado à ação foi: como é que fazemos para nos prepararmos antecipadamente?”, afirmou Andressa Borba, diretora de Impacto Positivo e Comunicação Corporativa da Leroy Merlin, durante a reunião do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Apresentado no painel Boas Práticas de Adaptação às Mudanças Climáticas, o case mostra como a empresa passou da reação à prevenção, organizando a atuação em três etapas: preparação, emergência e reconstrução.
Andressa Borba, diretora de Impacto Positivo e Comunicação Corporativa da Leroy Merlin (crédito: divulgação)
Estrutura pronta acelerou a resposta
Em 2024, a Leroy Merlin tinha 465 colaboradores em três lojas no Rio Grande do Sul, duas em Porto Alegre e uma em São Leopoldo. Destes, mais de 70 precisaram deixar suas casas ou recorrer a abrigos e redes de apoio.
O Fundo Solidário, criado anteriormente para atender funcionários em situações emergenciais, permitiu acelerar o suporte. Foram destinados R$ 1,9 milhão diretamente aos colaboradores, com salário extra, antecipação do décimo terceiro salário, alimentação, hospedagem e recursos para reorganizar ou reconstruir as moradias.
As medidas foram adaptadas às necessidades que surgiam. Quando cestas básicas não conseguiram chegar às áreas alagadas, a empresa transferiu recursos para a compra local de alimentos. Sem hospedagem disponível, funcionários acolheram colegas. Lojas também ofereceram chuveiros e máquinas de lavar roupas.
A experiência mostrou, na prática, a importância de estar preparado para enfrentar uma crise, com recursos reservados, critérios de atendimento e responsáveis já definidos.
Rede de parceiros ampliou a resposta
A mobilização envolveu fornecedores, transportadoras, clientes, organizações sociais, outras empresas e o Exército. Houve doação de materiais para as buscas e salvamentos à Defesa Civil, cobertores e diversos itens de higiene pessoal para a população que estava em abrigos, além da oferta de fretes e do apoio para coleta, triagem e transporte de donativos. No varejo, a empresa adotou preços reduzidos, parcelamento e condições de crédito a fim de facilitar a recuperação das moradias.
A atuação avançou para a fase de reconstrução, com a participação em um projeto de 500 casas, formação de profissionais, com turmas específicas de mulheres em elétrica, hidráulica e construção em steel frame, doação de produtos para diversas instituições, apoio em doação de materiais escolares e apoio à reconstrução de uma escola para mais de 600 crianças.
Essa etapa também apontou um entrave: parte das soluções depende da articulação com o Poder Público. Algumas moradias, por exemplo, precisaram aguardar terrenos e infraestrutura de asfalto, água e energia para serem entregues.
Aprendizado vira preparação para o El Niño
Com a possibilidade de novos eventos extremos, a Leroy Merlin criou uma Central Oficial da Crise Climática, com informações para colaboradores e orientações aos líderes a respeito de como preparar equipes e unidades de acordo com os riscos de cada região.
O conhecimento chegou também aos clientes, com recomendações para proteger e adaptar as residências frente a chuvas intensas, tempestades e ondas de calor, além de cuidados básicos e itens necessários em uma emergência.
“Não é para ser alarmista. As tempestades estão vindo, as ondas de calor e seca também. Como a gente se prepara junto para esse momento?”, questionou Andressa. A proposta é atualizar as orientações conforme os cenários climáticos forem evoluindo, considerando que a intensidade e o tipo de impacto variam de uma região para outra.
Cinco lições para as empresas
- Prepare-se. Defina responsáveis, protocolos e recursos para emergências.
- Mapeie vulnerabilidades. Identifique pessoas, instalações e operações mais expostas.
- Forme uma rede. Articule fornecedores, transportadoras, organizações, empresas e Poder Público.
- Pense na reconstrução. A recuperação exige recursos e acompanhamento depois da emergência.
- Informe para prevenir. Orientações claras ajudam colaboradores e clientes a agirem com antecedência.
Para José Goldemberg, presidente do Conselho de Sustentabilidade, o case reforça a importância da iniciativa empresarial, mas também da articulação com o Estado. “Não há substituto para essas iniciativas individuais. Enquanto as empresas não resolverem fazer, as coisas vão demorar ou não acontecer. Mas a necessidade do Poder Público pode ser fundamental”, destacou.
A experiência da Leroy Merlin deixa uma mensagem direta a empresas de diferentes portes e setores: a adaptação climática começa antes do evento extremo, com planejamento, informação, recursos e parceiros preparados para agir.
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