Negócios
03/02/2026‘Mercado & Perspectivas’: visão de negócio, estratégia e resultado
Mesacast é espaço onde gestores empresariais, consultores e especialistas exploram as dificuldades e as possibilidades do mercado brasileiro
O ambiente de negócios está repleto de novas frentes de crescimento. O que não faltam são tendências nas redes e tecnologias avançadas capazes de transformar a gestão e as relações com fornecedores e empregados, ao mesmo tempo que abrem espaço para se alcançarem novos consumidores. Mas o que diferencia uma estratégia realmente capaz de converter oportunidade em resultado? O mesacast Mercado & Perspectivas, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), traz para o diálogo quem está à frente dessas decisões no dia a dia das empresas.
Com foco na prática do negócio, o mesacast recebe gestores, líderes e especialistas em transformação de mercado para debater consumo, construção de marcas sustentáveis, digitalização, gestão de pessoas e novos perfis de clientes. Confira alguns destaques a seguir!
Como escolher a franquia certa
Mesmo em mercados considerados saturados, ainda há espaço para quem fizer melhor, mais rápido e mais barato. No universo das franquias, isso ganha uma dimensão particular: o Brasil já tem mais empresas franqueadoras do que os Estados Unidos — embora, em geral, com redes menores. Somadas, as cerca de 3,3 mil redes de franquia em operação no País movimentam em torno de R$ 200 bilhões por ano, geram muitos empregos e, sobretudo, oferecem oportunidades de empreender com a bagagem de marcas que acumulam décadas de experiência.
Para além de todo o charme e glamour em torno de uma franquia, nada mais é do que a replicação padronizada e disciplinada de um modelo de negócio. Mas, antes de escolher uma marca, é essencial que o futuro franqueado faça uma autoavaliação honesta sobre perfil, habilidades e capacidade de gestão. Veja a gravação com o consultor Marcelo Cherto, um dos maiores especialistas em franchising da América Latina.
Loja física como vantagem competitiva
Reinventar o ponto físico é essencial para qualquer varejista que queira se manter competitivo diante das novas exigências dos consumidores. O Grupo Casas Bahia, com mais de 70 anos de atuação e capilaridade nacional, faz disso um diferencial ao integrar, de forma natural, as jornadas online e presencial e usar a tecnologia para deixar o consumidor no centro das decisões.
“Esse cliente, naturalmente, viaja entre todos os meios de compra que estão na possibilidade dele — loja, e-commerce, WhatsApp e Instagram. Para nós, todos estão ligados. No entanto, ele precisa tocar, ver, testar o produto, ter contato humano, mesmo que algumas compras sejam mais práticas no digital”, afirma Frédéric Gauthier, vice-presidente de Operações da companhia.
Gestão na era da escassez de talentos
A disputa por profissionais qualificados já não é exclusividade das grandes empresas. Pequenos negócios também precisam de um plano de gestão para lidar com a escassez de talentos, especialmente em uma conjuntura na qual os trabalhadores têm novas expectativas e clareza sobre o que buscam, o que muitas organizações ainda não conseguem acompanhar.
Nas palavras da consultora Valeria Sepulveda — especialista em gestão de equipes — para reter talentos, é fundamental que a liderança saiba distribuir as tarefas de forma alinhada com as habilidades de cada um. Também precisa reconhecer e valorizar o bom trabalho, além de se envolver genuinamente no desenvolvimento de quem ainda apresenta lacunas, seja de comportamento, seja de conhecimento técnico. Assista à gravação!
Empresas não podem ignorar consumidores 50+
Em um contexto em que a população idosa do País caminha para superar a de crianças e jovens nas próximas décadas, a economia prateada — isto é, tudo o que essa parcela 50+ consome — passa a ter um peso considerável para os negócios. “Hoje, há mais festas de 50 anos do que de 15. O País já tem 59 milhões de brasileiros nessa faixa, mais do que toda a população da Argentina, da Itália ou da Espanha. Imagine daqui a 20 anos: 40% da população terá essa idade. Ainda assim, é uma ‘nação’ que segue invisível para muitas empresas”, pondera Adriana de Queiroz, head de Inovação e Insights da Data8, consultoria de referência nesse mercado.
Ela enfatiza que, só em 2024, os consumidores dessa faixa etária movimentaram mais de R$ 1,6 trilhão no Brasil, e esse número só cresce. “Se já é assustador R$ 1,6 trilhão, imagine daqui a 20 anos, que serão R$ 3,8 trilhões”, acrescenta.
Liderança mundial com fortes laços locais
Com mais de 70 anos de história, a Bauducco se consolidou como a maior fabricante de panetones do mundo — e como um exemplo da relevância que as empresas brasileiras podem alcançar no mundo. A marca já expandiu a presença para mais de 50 países, com destaque para os Estados Unidos, onde lidera as vendas do produto tipicamente natalino.
De acordo com André Britto, CMO da companhia, o grande desafio é conduzir as transformações que a Bauducco enfrenta nos mercados global e doméstico, preservando a própria cultura colaborativa, a visão de longo prazo e, principalmente, a agilidade necessária para se adaptar às constantes mudanças. “A gente acredita que as empresas vão à falência não só por fazer coisas erradas, mas também por achar que o que fazem é o certo e por não se adequarem quando o contexto muda”, reflete.
Agenda ESG incorporada aos processos, do fornecedor ao cliente
Como a Pernambucanas, uma das marcas mais enraizadas na mente dos consumidores brasileiros, incorpora as práticas sustentáveis nos seus processos? Lívia Lopes, líder de Impacto Positivo e ESG da companhia, acredita que o que tem direcionado esse caminho é o modelo de negócio caraterizado pela inclusão produtiva de pessoas e fornecedores, além do olhar atento às mudanças climáticas.
Em outras palavras, trata-se de permitir que as pessoas consigam traçar uma evolução da própria carreira a partir de um propósito na empresa, de gerir a diversidade no negócio e de rastrear de forma sustentável toda a cadeia produtiva envolvida com a marca. Confira!