Economia
28/05/2026Setor produtivo cobra aprovação de regime de datacenters
Manifesto liderado por frentes parlamentares e entidades empresariais pressiona Senado pela deliberação urgente do tema essencial para agenda digital do País
Expansão dos datacenters pode acelerar IA, empregos e infraestrutura tecnológica no País (Fotos: Daniel Davini/FPBC)
Os deputados Júlio Lopes (PP/RJ) e Aguinaldo Ribeiro (PP/PB) - relator do PL do Redata - durante debate (Fotos: Daniel Davini/FPBC)
“Precisamos nos abrir para o mundo”, afirma Ivo Dall’Acqua sobre protagonismo digital do Brasil (Fotos: Daniel Davini/FPBC)
Andriei Gutierrez, presidente do Conselho de Economia Digital e Inovação da FecomercioSP, destaca o Redata como estratégico para ampliar a competitividade digital e atrair investimentos em tecnologia e IA (Fotos: Daniel Davini/FPBC)
Investidores internacionais aguardam votação do projeto para anunciar novos aportes no Brasil (Fotos: Daniel Davini/FPBC)
O movimento pela aprovação do Redata ganhou força política em Brasília e consolidou uma ampla aliança entre Congresso, governo e setor produtivo em torno de uma agenda considerada decisiva para o futuro digital do País. Liderado pela Coalizão das Frentes Produtivas, o manifesto pela aprovação do Redata e pelo futuro digital do Brasil pressiona o Senado a votar o Projeto de Lei (PL) 278/2026, apontado como fundamental para destravar a atração de investimentos bilionários em datacenters, Inteligência Artificial (IA) e infraestrutura tecnológica.
Com participação ativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e do seu Conselho de Economia Digital e Inovação, a articulação reúne mais de 30 entidades empresariais e diferentes frentes parlamentares em defesa de um ambiente regulatório moderno e competitivo, capaz de posicionar o Brasil como um dos protagonistas da nova economia digital.
Segundo o documento, o setor global de datacenters deve receber cerca de US$ 3 trilhões em investimentos nos próximos anos, enquanto o Brasil pode atrair entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões em quatro anos, caso consiga criar condições competitivas para novos projetos.
Além da atração de capital estrangeiro, os defensores do Redata argumentam que a expansão dos datacenters pode impulsionar mais empregos, ampliar a capacidade nacional de processamento de dados, fortalecer as cadeias produtivas de tecnologia e acelerar o desenvolvimento da IA no País.
O momento de decidir é agora
O almoço-debate Redata pelo Futuro Digital do Brasil, realizado na capital federal, simbolizou o avanço dessa articulação. O encontro reuniu parlamentares, representantes do governo federal, especialistas e lideranças empresariais para discutir os próximos passos da agenda digital brasileira.
Presente no evento, o presidente em exercício da FecomercioSP, Ivo Dall’Acqua Júnior, ressaltou que o debate representa uma mudança de postura do Brasil frente à economia digital global. “Esse movimento é um despertar para a busca de um protagonismo que abrimos mão nos anos 1980, quando fechamos o mercado. Então, a gente precisa se abrir para o mundo para o mundo chegar até aqui.”
O dirigente também afirmou que a mobilização já começa a produzir resultados concretos no Congresso Nacional. “Hoje, o dia é simbólico, porque celebramos o fato de essa caminhada estar apresentando os primeiros resultados. Saio daqui torcendo para que o Senado cumpra a sua parte também, porque esse trabalho resulta de um consenso do ambiente econômico e da sociedade. Nós precisamos muito. O Redata é um passo importante rumo à transformação digital.”
A avaliação é compartilhada por diferentes atores envolvidos na construção do manifesto. O deputado Júlio Lopes (PP/RJ), presidente da Frente Parlamentar pelo Brasil Competitivo (FPBC), afirmou que investidores internacionais acompanham de perto o avanço do projeto no Congresso e aguardam uma definição sobre o tema para anunciar novos aportes no Brasil.
O debate também ressaltou o entendimento de que a disputa mundial por infraestrutura digital já começou. Hoje, países da América Latina avançam rapidamente para atrair operações de processamento de dados e IA, enquanto o Brasil ainda lida com entraves tributários e regulatórios que reduzem a competitividade.
Também participaram do debate o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Hermano Tercius; o presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara, deputado Jadyel Alencar (Rep/PI); o presidente da Associação Brasileira de Tecnologia para o Comércio e Serviços (Afrac), Edgard de Castro; e o presidente da Scala Data Centers, Marcos Peigo. A reunião ainda contou com a presença dos deputados Juscelino Filho (PSDB/MA), Mendonça Filho (União/PE), Renata Abreu (Pode/SP), Joaquim Passarinho (PL/PA), Jorge Goetten (Republicanos/SC), Zé Silva (Solidariedade/MG), Vitor Lippi (PSDB/SP) e Marangoni (União/SP), além do senador Wellington Fagundes (PL/MT).