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30/09/2026Alta das passagens aéreas ameaça viagem de lazer às vésperas do verão
Tarifa média sobe 14,5% em um ano e chega a R$ 776,87; em dólar, valor alcança maior patamar desde dezembro de 2023
Viajar de avião voltou a pesar mais no orçamento dos brasileiros. A tarifa aérea média chegou a R$ 776,87 em agosto, alta de 14,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. Descontada a inflação, é o maior valor desde dezembro de 2024, quando o preço médio atingiu R$ 813,70, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Ao converter a tarifa média de cada mês pela taxa de câmbio real do respectivo período, o valor de agosto alcançou US$ 150,76, maior patamar desde dezembro de 2023. Na comparação com julho, a alta foi de 9,8%. Em um ano, chegou a 23%.
O cálculo não significa que o consumidor pague a passagem em dólar. A conversão permite observar o preço sob a mesma ótica de uma atividade na qual praticamente dois terços dos custos das companhias estão atrelados à moeda norte-americana. Entram nessa conta despesas como combustível, arrendamento de aeronaves, manutenção e seguros.
Essa análise foi apresentada em detalhes durante reunião do Conselho de Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). “A maior parte da receita das empresas é em reais, enquanto boa parte das despesas é paga em dólar. Olhar a tarifa pela ótica da moeda norte-americana ajuda a entender quanto do preço cobrado na ponta reflete essa estrutura de custos”, explica Guilherme Dietze, presidente do conselho.
Custos no ar
Dentre os componentes que ajudam a explicar o avanço das tarifas, está o querosene de aviação (QAV), responsável por cerca de um terço dos custos do setor e pressionado pelo petróleo. Após meses nos quais as companhias absorveram boa parte da alta do combustível, o impacto passou a chegar com maior intensidade ao preço dos bilhetes.
A sustentação desse reajuste também revela uma diferença no comportamento da procura. “Um aumento dessa magnitude só se sustenta porque parte da demanda segue resiliente, sobretudo a corporativa, num país em desaceleração econômica e com o poder de compra do cidadão médio limitado por inflação, juros elevados e endividamento”, analisa Dietze.
Os dados ressaltam essa mudança no perfil das vendas. De janeiro a agosto, em média, 48% das passagens comercializadas custaram até R$ 500. Só em agosto, essa participação caiu para 35%. No sentido oposto, os bilhetes acima de R$ 1,5 mil representaram, em média, 6,9% das vendas no acumulado do ano, mas chegaram a 9,2% naquele mês.
As tarifas mais altas estão mais associadas ao viajante corporativo, que costuma comprar próximo à data da viagem, apresenta menos sensibilidade ao preço e tem a despesa custeada pela empresa. Já o turista a lazer, mais atento ao orçamento, tende a ocupar justamente as faixas de menor valor.
Menos bilhetes
O aumento nos preços veio acompanhado de retração no volume. Em agosto, foram comercializadas 2,64 milhões de passagens, ante 2,87 milhões no mesmo mês de 2025 (queda de 8%). O resultado combina, portanto, menos bilhetes vendidos com valores mais elevados.
Isso não significa, necessariamente, resultados melhores para as companhias aéreas. O ganho por bilhete pode ser parcialmente anulado pela redução do volume, enquanto os custos permanecem elevados. Como as passagens costumam ser adquiridas com antecedência, o efeito dos preços atuais ainda pode aparecer no fluxo de passageiros dos próximos meses.
Para o Turismo, o principal ponto de atenção está no viajante a lazer. A pressão dos custos sobre as tarifas pode dificultar o acesso ao transporte aéreo justamente em um momento de aproximação da alta temporada de fim de ano e das férias de verão. O mercado corporativo ainda sustenta parte da procura, mas pode não compensar uma eventual redução desse público mais sensível ao preço.
“O desafio será conciliar custos dolarizados em alta com um consumidor que tem cada vez menos espaço no orçamento para viajar”, conclui Dietze.