Negócios
04/04/2025“Audiovisual pode ser o motor do Turismo nacional”, aponta especialista em reunião do Conselho de Turismo da FecomercioSP
Produções como séries e filmes têm estimulado o fluxo de visitantes em diversos países e podem virar vetor estratégico para o Brasil

Na esteira do Oscar 2025, que premiou o longa brasileiro Ainda estou aqui como Melhor Filme Internacional, o Conselho de Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) debateu, em sua reunião de março, os impactos positivos da Indústria Audiovisual sobre o setor. O encontro teve como convidado José Maurício Fittipaldi, advogado e sócio do CQS/FV Advogados, especialista em mídia e entretenimento, que destacou o potencial dessa conexão pouco explorada no Brasil.
“O segmento de filmes e séries tem poder direto na decisão do viajante. Estudos mostram que dois em cada três turistas foram influenciados por uma obra audiovisual ao escolher um destino”, afirmou Fittipaldi, que já trabalhou como diretor da Televisa e consultor da Motion Picture Association.
Casos de sucesso
Durante a apresentação, Fittipaldi trouxe exemplos internacionais emblemáticos. A trilogia O Senhor dos Anéis, por exemplo, gerou aumento de 40% no Turismo da Nova Zelândia. Já A Guerra dos Tronos provocou um salto de 38% no número de visitantes à Croácia. A série The White Lotus, por sua vez, após ser gravada na Sicília, impulsionou tanto o setor local que a Indonésia disputou e venceu a locação da terceira temporada.
Essas experiências mostram como o entretenimento pode promover destinos de forma eficaz. “A série vende o lugar como nenhum comercial conseguiria. Ela mostra a cultura, a natureza e os hábitos locais e cria um desejo genuíno de conhecer aquele cenário”, explicou.
Brasil ainda fora de cena
De acordo com Fittipaldi, apesar do enorme potencial turístico, o Brasil ainda não conta com um mecanismo federal estruturado para atrair filmagens com retorno econômico consistente. O especialista apresentou o modelo de cash rebate, adotado por diversos países, que oferece reembolso parcial a produções que escolham filmar em território nacional. “É uma forma inteligente de atrair investimento. E o retorno não fica restrito ao audiovisual: hotelaria, alimentação, transporte e comércio local se beneficiam diretamente”, disse.
Na Espanha, por exemplo, um programa semelhante atraiu mais de 1,3 bilhão de euros em produções. O impacto para a economia superou os 2 bilhões. “É como instalar uma pequena fábrica, mas com efeitos mais rápidos e amplos”, afirmou Fittipaldi.
Hora de virar o jogo
Segundo o presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, Guilherme Dietze, a aproximação entre os segmentos de Turismo e Cultura pode gerar avanços relevantes. “O Brasil precisa sair do lugar comum. Somos pouco competitivos e desperdiçamos oportunidades. Está na hora de apresentar propostas ao Ministério do Turismo e ao Ministério da Cultura para mudar esse cenário”, afirmou.
A FecomercioSP estuda, agora, transformar os insights do encontro em uma agenda propositiva, com foco no uso do audiovisual como alavanca para o Turismo nacional. “Vamos consolidar sugestões e dados discutidos no conselho para propor medidas concretas às autoridades. O objetivo é estimular políticas públicas que integrem de forma inteligente o setor e a economia criativa, com base em experiências internacionais que já provaram o seu sucesso”, concluiu Dietze.
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