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05/01/2017Franqueador da rede Johnny Rockets no Brasil aposta em lojas em pontos estratégicos para driblar a crise
Antes de abrir a primeira loja da Johnny Rockets no Brasil, em 2013, Antonio Augusto de Souza teve franquias das redes McDonald’s, Joe&Leo’s e da hamburgueria Well’s

"Faço questão de estar 100% no acompanhamento. Tenho uma estrutura gerencial e de diretoria composta por 20 pessoas e devo abrir novos cargos para fazer frente à meta para 2020", afirma Souza
(Christian Parente/ Agência TUTU)
Com informações de Guilherme Meirelles
Quando decidiu ser franqueador exclusivo da rede norte-americana Johnny Rockets, o empresário Antonio Augusto de Souza pretendia abrir 30 lojas até 2031. Hoje, são 12, todas próprias, e mais cinco estão previstas para 2017. O estilo americano da década de 1950 caiu no gosto do público e o empresário busca parceiros para chegar a 40 casas até 2020.
Paulistano e apaixonado por hambúrgueres, Souza revela que nunca havia pensado em atuar na área de alimentação até se tornar franqueado do McDonald’s, na década de 1990. “Cheguei a ter sete franquias. Foi um enorme aprendizado e saí porque decidi enfrentar novos desafios.”
Antes de abrir a primeira loja da Johnny Rockets no Brasil, em 2013, teve franquias da rede de comida casual carioca Joe&Leo’s e da hamburgueria Well’s.
A entrada da Johnny Rockets no Brasil foi fruto de um planejamento?
Não. Fui aos Estados Unidos em busca de uma nova marca e gostei do estilo da Johnny Rockets, que era pouco conhecida dos brasileiros. É uma marca forte em shoppings, cassinos e parques de diversão. Percebi que os brasileiros gostavam dos diferenciais, principalmente das músicas da década 1950 e o estilo informal dos garçons imitando passos de Elvis Presley, além da variedade de hambúrgueres e milk-shakes. Procurei a matriz e me tornei máster franqueador exclusivo da marca no Brasil.
Mas você só abriu a primeira loja em 2013. Por que levou esse tempo?
Não pude usar a marca imediatamente, pois uma lanchonete nos Jardins havia registrado a marca “Rockets” e usava a mesma identidade visual. Procurei a Justiça e o processo correu até 2011, quando a matriz norte-americana entrou na briga. Em seis meses recuperamos a marca e logo depois a loja foi fechada. No fim das contas, como diz o ditado, há males que vêm para bem. Quando abri a primeira loja, a marca já era bem mais conhecida pelos brasileiros. Se fosse em 2003, os investimentos em marketing teriam de ser bem mais pesados.
Você fez adaptações no cardápio?
A principal novidade foram os pratos rápidos, de segunda a sexta, como filé-mignon, salmão, calabresa, peito de frango e costela de porco ao molho barbecue. Fomos os primeiros do mundo da rede a adotar a linha de casual dinning e, hoje, somos procurados por franqueados de outros países.
O que levou em consideração do ponto de vista comercial?
Em função da concorrência, busquei espaços grandes, a partir de 210 metros quadrados, em shopping centers. Cada loja tem capacidade para cerca de 110 pessoas e uma equipe média de 35 funcionários. Os principais concorrentes são redes como Madero, Outback e Applebee’s, mas nosso tíquete médio fica em torno de R$ 44, que é entre 20% e 30% inferior ao da concorrência.
Em uma época de retração econômica, você tem optado até agora por lojas próprias. O que o levou a repensar essa estratégia?
Até o final deste ano serão 17 lojas, todas próprias. Fiz questão de manter essa estratégia para entender como a marca funciona. Já fui franqueado, hoje sou franqueador e conheço a relação passional que se desenvolve com uma marca. É imprescindível que haja envolvimento pessoal. Estou começando a selecionar sócios e cogito franquias puras, unicamente com franqueados. Mas não tenho pressa.
Quais as metas para os próximos anos?
Os norte-americanos estão surpresos com o desempenho do mercado brasileiro. Meu contrato inicial com a matriz previa 30 restaurantes até 2031. Este ano já terei aberto 17. Dentro desse cenário, renegociei o acordo para inaugurar 80 até 2031. Minha meta é chegar a 40 lojas em 2020.
Como administra sozinho a rede?
Faço questão de estar 100% no acompanhamento. Tenho uma estrutura gerencial e de diretoria composta por 20 pessoas e devo abrir novos cargos para fazer frente à meta para 2020.
Quais são os investimentos necessários para abrir uma loja?
O investimento médio, sem contar o ponto comercial, varia entre R$ 850 mil e R$ 1,3 milhão. O faturamento bruto médio anual de cada loja deve ficar em torno de R$ 3,6 milhões. Já foi melhor antes da crise.
Como a rede Johnny Rockets vem atravessando a crise econômica? Quais as estratégias que você vem adotando?
Cheguei a ter 500 funcionários e hoje são cerca de 400. O impacto foi maior em lojas em cidades de público da classe C, como Santo André, São Bernardo e São José dos Campos. Quando fiz o cronograma de inaugurações, em 2012, não imaginava que a crise viria tão forte. Na época, cidades como Guarulhos e da região do ABC tinham uma forte demanda. Mas não fechei nenhuma loja. Inaugurei duas lojas em 2016 e realoquei outras duas em shoppings. Ambas estavam em pontos desprivilegiados, e com a mudança, obtive uma melhor relação entre custo e benefício.
As próximas inaugurações serão dentro do mesmo padrão de tamanho em shoppings?
Além das próximas inaugurações – São Paulo Plaza Shopping (SP), Norte Shopping (RJ), Parque Shopping São Paulo (SP), Shopping Estação Cuiabá (MT) e Shopping Itaquera (SP) –, pretendo abrir pontos com sistema drive-thru, quiosques de venda de milk-shakes e batatas fritas e pontos em aeroportos. Até 2019, teremos boas novidades.
Confira a entrevista na íntegra, publicada na revista C&S.
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