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Economia

MPEs ganham apoio para acessar o mercado global

Em seminário na FecomercioSP, empresários conhecem soluções para aproximar pequenos negócios do mercado global

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Empresários conhecem instrumentos de capacitação e soluções logísticas para o comércio exterior. Fotos: Edilson Dias Empresários conhecem instrumentos de capacitação e soluções logísticas para o comércio exterior. Fotos: Edilson Dias
Floriano Pesaro, diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil Floriano Pesaro, diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil
Elielson Almeida, presidente da Abepra Elielson Almeida, presidente da Abepra
Márcio Guerra, gestor estadual de Internacionalização do SEBRAE/SP Márcio Guerra, gestor estadual de Internacionalização do SEBRAE/SP
O presidente do Conselho de Relações Internacionais e vice-presidente da FecomercioSP, Rubens Medrano O presidente do Conselho de Relações Internacionais e vice-presidente da FecomercioSP, Rubens Medrano
Seminário ampliou a visão das empresas e entidades diante das transformações da economia mundial Seminário ampliou a visão das empresas e entidades diante das transformações da economia mundial
Empresários conhecem instrumentos de capacitação e soluções logísticas para o comércio exterior. Fotos: Edilson Dias
Floriano Pesaro, diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil
Elielson Almeida, presidente da Abepra
Márcio Guerra, gestor estadual de Internacionalização do SEBRAE/SP
O presidente do Conselho de Relações Internacionais e vice-presidente da FecomercioSP, Rubens Medrano
Seminário ampliou a visão das empresas e entidades diante das transformações da economia mundial

Ampliar o número de pequenas e médias empresas no mercado internacional exige mais do que a abertura de novos mercados. Capacitação, inteligência, adaptação de produtos, conhecimento do público-alvo, apoio especializado e acesso a uma infraestrutura logística eficiente estiveram no centro do seminário Caminhos para a Globalização,promovido pelo Conselho de Relações Internacionais da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Estiveram reunidos Sindicatos parceiros e representantes do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em São Paulo (Sebrae/SP), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), da Associação Brasileira de Portos Secos e Clias (Abepra), do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (Sindasp) e da Receita Federal do Brasil (RFB). 

A iniciativa integra a estratégia da Federação de aproximar as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) das ferramentas disponíveis para a internacionalização, acompanhando os negócios desde os primeiros passos na cultura exportadora até a preparação e a conexão com mercados externos. 

Floriano Pesaro, diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil, apresentou dados que mostram a relevância e o avanço dos pequenos negócios nessa agenda. A base de MPEs apoiadas pela agência passou de 7.565, em 2022, para 12.084, em 2025, crescimento de 59,7%. No mesmo período, o número de MPEs apoiadas que efetivamente exportaram aumentou de 740 para 1,16 mil. 

O avanço também aparece no valor comercializado no exterior. As exportações das empresas apoiadas saltaram de US$ 239,3 milhões, em 2022, para US$ 602,1 milhões, em 2025, alta superior a 150% em três anos. Os números corroboram um dos pontos discutidos no encontro: chegar a mais empresas é apenas uma parte do desafio; é necessário transformar a orientação e a preparação em presença internacional sustentável e duradoura. 

Preparação para chegar ao mercado externo 

A estratégia apresentada por Pesaro parte de diferentes níveis de maturidade empresarial. A jornada começa pela sensibilização para a cultura exportadora, passando pela qualificação e preparação do negócio e pelo ganho de competitividade até chegar às ações de promoção comercial e conexão com mercados. Em 2025, a qualificação empresarial foi a principal categoria de serviços utilizada pelas MPEs atendidas pela ApexBrasil, seguida por promoção comercial, inteligência de mercado e expansão internacional. 

Dentre os instrumentos apresentados, destaque para o Programa de Qualificação para Exportação (Peiex), destinado à preparação das empresas para o processo de internacionalização. Em 2025, o programa atendeu 3.426 negócios, dos quais 2,25 mil eram MPEs, o equivalente a 65% do total. 

A ApexBrasil também apresentou iniciativas para diferentes perfis e estágios de maturidade, como cursos gratuitos de educação a distância e programas como Elas Exportam, Brasil Feito à Mão, Exporta Mais e Jornadas Exportadoras. 

Novos instrumentos buscam enfrentar obstáculos mais específicos encontrados durante a preparação. A Bolsa Exportação, por exemplo, contempla frentes como certificações internacionais, design de produtos e embalagens e comércio eletrônico em plataformas internacionais, além de ações de diversificação de mercados. 

Outro instrumento apresentado foi o Apex+Perto, com lançamento previsto para ainda este mês. A iniciativa oferecerá atendimento individualizado e online para exportação, integralmente subsidiado pela ApexBrasil, com até três horas de orientação por consultores credenciados e com experiência em acesso a mercados. 

Pesaro ressaltou que o desafio não termina quando a empresa realiza a primeira venda internacional. A continuidade é fundamental para preservar o mercado conquistado. “Começou a exportar, não pode voltar atrás. Porque a gente perde mercado”, afirmou.  

Logística pode aproximar empresas do comércio exterior 

A infraestrutura necessária para pôr essa estratégia em prática também entrou no debate. Elielson Almeida, presidente da Abepra, apresentou o papel dos Portos Secos e dos Centros Logísticos e Industriais Aduaneiros (CLIAs) na cadeia de comércio exterior. 

Localizadas fora da zona primária de portos e aeroportos, essas estruturas alfandegadas realizam atividades de armazenagem, movimentação e despacho aduaneiro de mercadorias sob controle da RFB e dos demais órgãos responsáveis. 

A lógica é complementar à estrutura dos portos e aeroportos. Enquanto a zona primária tem como vocação principal a passagem das cargas, a zona secundária pode concentrar etapas de tratamento aduaneiro, contribuindo para evitar a saturação dos terminais e reduzir gargalos operacionais. 

Outro aspecto destacado por Almeida foi a interiorização do comércio exterior. A presença dessas estruturas mais próxima dos polos produtivos permite que operações de importação e exportação sejam realizadas com menos necessidade de deslocamento até portos e fronteiras congestionadas. “A gente tem um fator muito importante do Porto Seco como uma forma de aproximar o comércio exterior dos centros produtores, dos centros consumidores”, ressaltou.  

Com isso, a infraestrutura aduaneira pode contribuir para reduzir custos logísticos, ampliar a previsibilidade das operações e aproximar empresas localizadas no Interior do Estado da atividade internacional. Segundo o presidente da Abepra, a maior proximidade dessas estruturas também amplia o acesso aos regimes aduaneiros especiais, que podem trazer ganhos de competitividade aos negócios. 

A partir do encontro, a estratégia deve avançar para uma atuação mais próxima dos Sindicatos. O presidente do Conselho de Relações Internacionais e vice-presidente da FecomercioSP, Rubens Medrano, afirmou que a Federação pretende levar essa agenda diretamente às entidades. “Pretendemos dar continuidade a esse processo de orientação e disseminação da política de incentivo ao comércio exterior”, afirmou. A proposta é utilizar a capilaridade da base de representação da Entidade para fazer com que orientação e conhecimento cheguem às empresas da capital e do interior.

Ao reforçar o compromisso da Federação com essa agenda, o presidente da FecomercioSP, Ivo Dall’Acqua, destacou que o objetivo é ampliar a visão das empresas e entidades diante das transformações da economia mundial. “Queremos ampliar esse repertório sobre comércio exterior, conscientizar sobre as transformações globais, disseminando esse conhecimento entre as empresas representadas. É um trabalho de abertura de visão, mostrar que internacionalização não é uma agenda exclusiva das grandes companhias”, afirmou.

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