Negócios
24/03/2016Otimismo marca Páscoa de empórios e rôtisseries
Empresas do segmento preparam cardápio especial para a data, mas não conseguem segurar a alta do custo na matéria-prima

Reuniões familiares em casa para celebrar a data gera oportunidade para quem vende alimentos prontos
(Arte/TUTU)
Por Jamille Niero
Para muitas famílias, a Páscoa (seja na sexta-feira, seja no domingo) é época de reunir parentes e amigos para o almoço. Com o custo da alimentação fora de casa – em bares e restaurantes – aumentando nos últimos meses, uma opção é promover a reunião para o almoço dentro de casa.
Para quem não quer ir para o fogão, existe a possibilidade de encomendar pratos prontos em empórios e rôtisseries para a ocasião, o que geralmente sai mais barato do que almoçar fora.
Mesmo com a crise, quem é do setor está otimista. A Casa Santa Luzia, tradicional empório paulistano, espera registrar o mesmo número de encomendas visto em 2015. A diretora da casa, Ana Maria Lopes, comenta que, no ano passado, houve até aumento dos pedidos de pratos prontos no balcão, sem encomenda prévia. O que pode ocorrer é uma diminuição das quantidades compradas.
“Tem gente que limita por orçamento; outros porque frequentavam o restaurante, mas não vão mais e comerão em casa; e outros compravam conosco almoço para 20 pessoas e diminuíram para dez. São exemplos das flutuações que podem ocorrer no movimento”, conta.
Da mesma forma que em anos anteriores, o estabelecimento preparou um cardápio especial para a Páscoa, com pratos que incluem produtos típicos, como bacalhau e outros peixes. “Fizemos um ajuste de preços e repassamos para o cliente nos itens com ajuste de matéria-prima. Fizemos também uma negociação com os fornecedores, mas o impacto [no preço final] não foi tão grande. Muitos fornecedores também acabaram reduzindo os valores, também em razão da restrição de consumo”, informa Ana Maria, sobre o reajuste das mercadorias. As vendas de pratos prontos ou semiprontos representam de 2% a 3% das vendas do ano. Para efeito de comparação, a melhor data, que é o Natal, corresponde a cerca de 10% a 12% das vendas anuais.
A Casa Santa Luzia também reduziu a quantidade de colombas pascais – bolo típico da comemoração – importadas e apostou em desenvolver novas receitas dentro do próprio estabelecimento. Na colomba tradicional, o aumento foi de aproximadamente 8%.
Preços mais salgados
Quem também preparou um cardápio de refeições prontas especial para a Páscoa foi a rede de supermercados Pão de Açúcar, por meio das rôtisseries localizadas dentro das lojas. A rede não divulgou expectativa de demanda para a data, mas os preços dos “kits” – que contam com entrada, prato principal e acompanhamentos – estão mais salgados neste ano na comparação com 2015.
O “Kit Páscoa” do Pão de Açúcar serve quatro ou seis pessoas. A opção para quatro pessoas conta com bolinho de bacalhau, arroz verde com castanha-do-pará, linguado em crosta de parmesão e limão-siciliano e tarte de camarão, a R$ 139 (ou R$ 34,75 por pessoa). Já o kit que serve seis pessoas conta com bacalhau à Gomes de Sá, arroz de açafrão, peito de frango recheado e cestinhas de siri, ao preço de R$ 169 (ou R$ 28,16 por pessoa).
Em 2015, o “Kit Páscoa” com os mesmos itens e servindo até quatro pessoas custava R$ 120 (ou R$ 30 por pessoa). O outro kit disponível, com praticamente os mesmos pratos, era destinado a oito pessoas e custava R$ 170 (ou R$ 21,25 por pessoa).
Impacto do cenário
“A crise trouxe uma perspectiva diferente. As famílias estão mais endividadas e há a possibilidade de a festa ser em casa, com produtos comprados no varejo, e não mais em restaurantes como antigamente. Isso deve ser oportunidade para o segmento alimentício incrementar as vendas”, aponta o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga), Álvaro Furtado, que ressalta ainda a maior possibilidade de preparo das refeições na cozinha de casa com todos os insumos comprados no supermercado.
Segundo ele, o fator que determina a compra do consumidor é o preço. Se for atrativo, o cliente vai comprar.
“O problema é o consumidor sem dinheiro e receoso de gastar, o que impacta no movimento. A Páscoa é o segundo maior movimento do ano, perde apenas para o Natal, em se tratando de datas mais importantes de venda de varejo e, especialmente, para quem trabalha com alimentos preparados”, acrescenta Furtado.
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