Economia
18/03/2026Serviços seguem em crescimento, mas ritmo menor exige atenção das empresas
Setor permanece forte e acima do nível pré-pandemia, porém sinais de desaceleração indicam um cenário de expansão mais moderada para os próximos meses
O setor de Serviços começou o ano ainda em expansão no Brasil, mas já mostra sinais claros de perda de fôlego. Para os empresários, o cenário que se desenha é de atividade ainda aquecida, porém com ritmo mais moderado — o que exige mais planejamento, eficiência e atenção ao comportamento da demanda.
Dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), mostram que o volume de Serviços avançou 0,3% em janeiro, após um período recente mais fraco, marcado por estabilidade em novembro e leve queda em dezembro. Embora positivo, o resultado reforça uma tendência que vem se consolidando: o setor segue crescendo, mas com menos dinamismo do que no ano passado.
Ainda assim, o nível de atividade permanece elevado. Hoje, o setor opera 20,1% acima do patamar pré-pandemia, um sinal evidente da força estrutural dos Serviços na economia brasileira.
Na comparação anual, o crescimento foi de 3,3%, marcando 22 resultados positivos consecutivos. Apesar da sequência robusta, a taxa é menor do que as registradas ao longo de 2025, quando os avanços chegaram a superar 6% em alguns momentos. No acumulado em 12 meses, a alta foi de 3%, o que confirma um cenário de expansão mais moderada.
Outro indicador que ajuda a entender o momento do setor é a média móvel trimestral, que ficou praticamente estável. Isso mostra que o crescimento recente perdeu força e que a atividade começa a entrar em uma fase de acomodação.
Avanço não é mais generalizado
A composição do resultado reforça essa leitura. Apenas três dos cinco grandes grupos de Serviços cresceram no período. “Outros serviços” registraram o avanço mais expressivo, recuperando parte das perdas do fim do ano passado. Informação e comunicação e transportes também apresentaram expansão moderada.
Já os serviços prestados às famílias recuaram, devolvendo parte do crescimento recente, enquanto os serviços profissionais e administrativos ficaram praticamente estáveis. Além disso, menos da metade das atividades pesquisadas avançou, indicando que o crescimento do setor está menos disseminado do que anteriormente.
Esse comportamento sugere uma mudança gradual no ciclo econômico. O setor de serviços ainda se beneficia de um mercado de trabalho relativamente aquecido, que sustenta o consumo e a demanda por diversas atividades. No entanto, já há sinais de desaceleração também no emprego, ao mesmo tempo em que a política monetária ainda restritiva tende a limitar o avanço do consumo e dos investimentos.

Perda de dinamismo da economia
Segmentos mais sensíveis à renda, como alimentação fora do lar, turismo e lazer — incluídos nos serviços prestados às famílias — costumam ser os primeiros a refletir esse tipo de movimento. Por isso, a perda de força nesses segmentos é um indicativo relevante do comportamento da atividade nos próximos meses.
A avaliação da FecomercioSP é de que o setor continuará contribuindo positivamente para o crescimento da economia, mas com intensidade menor do que a observada anteriormente. Em outras palavras, não se trata de uma reversão da atividade, e sim de uma desaceleração gradual e ordenada após um período de expansão mais forte.
Diante desse cenário, a Federação recomenda atenção a alguns pontos estratégicos, listados a seguir.
- Gestão de custos | Com crescimento mais moderado, controlar as despesas operacionais passa a ser essencial para preservar margens.
- Ganhos de produtividade | Investimentos em tecnologia, digitalização e automação podem ajudar a compensar a desaceleração da demanda.
- Diversificação de serviços | Empresas que ampliam o portfólio ou criam novos formatos de atendimento tendem a responder melhor a ciclos mais fracos.
- Monitoramento do mercado | Acompanhar os indicadores de consumo, emprego e crédito será fundamental para antecipar as mudanças na demanda.
Para os empresários do setor, a leitura central é clara: o ambiente econômico continua positivo, mas a fase de crescimento mais acelerado parece ter ficado para trás. Em um cenário de expansão mais moderada, as empresas que conseguirem aumentar a eficiência, entender melhor o comportamento do consumidor e ajustar as estratégias com rapidez tendem a atravessar esse novo momento com mais segurança e competitividade.
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