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Editorial

Tecnologia e reformas são os caminhos para conter a criminalidade

Plenária reúne lideranças públicas para discutir o avanço de uma agenda voltada para o enfrentamento da principal preocupação da sociedade

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Plenária debate avanço de uma agenda voltada para o enfrentamento da principal preocupação da sociedade Plenária debate avanço de uma agenda voltada para o enfrentamento da principal preocupação da sociedade
FecomercioSP recebeu Orlando Morando Júnior, secretário municipal de Segurança Urbana da Prefeitura de São Paulo, e o delegado e deputado federal Paulo Francisco Muniz Bilynskyj (PL/SP) FecomercioSP recebeu Orlando Morando Júnior, secretário municipal de Segurança Urbana da Prefeitura de São Paulo, e o delegado e deputado federal Paulo Francisco Muniz Bilynskyj (PL/SP)
Reunião de diretorias da FecomercioSP e do Cecomercio Reunião de diretorias da FecomercioSP e do Cecomercio
Orlando Morando Júnior, secretário municipal de Segurança Urbana da Prefeitura de São Paulo Orlando Morando Júnior, secretário municipal de Segurança Urbana da Prefeitura de São Paulo
Presidente em exercício da FecomercioSP, Ivo Dall'Acqua Júnior Presidente em exercício da FecomercioSP, Ivo Dall'Acqua Júnior
Plenária debate avanço de uma agenda voltada para o enfrentamento da principal preocupação da sociedade
FecomercioSP recebeu Orlando Morando Júnior, secretário municipal de Segurança Urbana da Prefeitura de São Paulo, e o delegado e deputado federal Paulo Francisco Muniz Bilynskyj (PL/SP)
Reunião de diretorias da FecomercioSP e do Cecomercio
Orlando Morando Júnior, secretário municipal de Segurança Urbana da Prefeitura de São Paulo
Presidente em exercício da FecomercioSP, Ivo Dall'Acqua Júnior

O descontentamento da população brasileira com a segurança pública deve dominar o debate eleitoral ao longo deste ano. A preocupação perpassa o cotidiano de toda a sociedade: do consumidor, que altera hábitos, evita determinadas áreas urbanas e reduz sua circulação; dos empresários do Comércio e dos Serviços, que convivem diariamente com o avanço dos furtos e roubos em seus estabelecimentos (e da violência contra empregados e clientes); e da Indústria, que depende de um escoamento da produção cada vez mais caro e arriscado, uma vez que o transporte de cargas opera sob ameaça constante, com altos custos e poucas garantias contra roubos. Em todos os casos, a violência e a insegurança corroem a viabilidade econômica do setor produtivo.

Foi com esse diagnóstico que a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) e o Centro do Comércio do Estado de São Paulo (Cecomercio) dedicaram sua primeira reunião plenária de diretorias do ano ao tema. Para o debate, a Entidade recebeu Orlando Morando Júnior, secretário municipal de Segurança Urbana da Prefeitura de São Paulo, e o delegado e deputado federal Paulo Francisco Muniz Bilynskyj (PL/SP). Confira alguns destaques a seguir!

Tecnologia a serviço da segurança urbana

Morando Júnior apresentou o programa Smart Sampa como modelo de resposta municipal ao avanço da criminalidade. Segundo ele, é no âmbito dos municípios que os problemas se manifestam, e são neles que as soluções precisam ser implementadas.

O secretário destacou que o sistema de videomonitoramento de segurança é hoje o maior da América Latina, com Inteligência Artificial (IA) integrada. "A Cidade de São Paulo já tem 40 mil câmeras, sendo 20 mil próprias do Smart Sampa e 20 mil privadas. Todos os comércios que têm uma câmera anexada à nuvem podem se conectar ao programa sem custo algum, e nós passamos também a olhar essa imagem. Isso tem ampliado muito a capilaridade da cobertura de videomonitoramento na capital”, sustentou.

A tecnologia, segundo Morando Júnior, permite identificar foragidos com velocidade e precisão. "Em quatro segundos eu já sei se eles estão em um banco de dados. Em oito segundos, chego a 92% de confirmação", explicou. 

O Smart Sampa tem sido um pleito de longa data do setor produtivo, sobretudo do comércio do centro da capital, que conviveu com a violência e os roubos causados pelo deslocamento da região da cracolândia há alguns anos. À época, a área em torno da Rua Santa Ifigênia — cuja comercialização é centrada principalmente em dispositivos de tecnologia e peças de alto custo para computadores, consoles de videogame etc.  — chegou a operar com portas fechadas em razão da violência. A FecomercioSP atuou com os Sindicatos filiados em prol do combate a esses crimes, uma demanda levada ao governo estadual e à prefeitura, e que posteriormente resultou no programa de instalação de câmeras.

Reforma legislativa e o custo do crime

Bilynskyj trouxe uma perspectiva pouco otimista sobre o horizonte da segurança pública no País — e apontou o legislativo como o principal “campo de batalha”. "Segurança pública é, hoje, o assunto que mais preocupa a população brasileira. Vai ser o assunto decisivo da eleição de 2026”, salientou. “Não há uma perspectiva de melhoria imediata dessa pauta, porque esta é arrastada por uma série de fatores que no Brasil está se agravando."

Dentre eles, o deputado federal destacou a relação direta entre desemprego e criminalidade. "Toda vez que a economia piora, que o emprego formal cai, que a empregabilidade diminui, a criminalidade aumenta”, advertiu. 

Para o parlamentar, a solução passa por uma única premissa: ampliar o custo do crime. "A única coisa que a gente tem que fazer é tornar o crime realmente algo que não compensa. E o que precisamos fazer para isso? Uma série de reformas na legislação que vai facilitar o trabalho da polícia e do Judiciário. Todo o grande cerne do problema da segurança pública está no custo do crime, que no Brasil é baixíssimo."

Bilynskyj elencou três frentes legislativas que considera prioritárias e que merecem acompanhamento próximo do setor produtivo:

  • a primeira é o Projeto de Lei (PL) antifacção, que avançou ao longo de 2025; 
  • a segunda é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da segurança pública, que, segundo ele, "abre um novo capítulo na história dessa pauta na Constituição Federal e cria a porta para uma legislação que realmente mantenha o preso na cadeia”;  
  • a terceira é o PL 2.646/2025, descrito pelo parlamentar como "uma reforma completa de mais de 11 textos legais relacionados com o Direito Penal e com a segurança pública, com capacidade real de implementar um cenário positivo para o futuro do Brasil”. O texto, concluiu, "foi construído em conjunto com a Frente Parlamentar do Livre Mercado e vem das demandas dos setores”.

Durante a reunião plenária, o presidente em exercício da FecomercioSP, Ivo Dall'Acqua Júnior, entregou ao deputado um conjunto de ponderações e propostas elaboradas pela Entidade e pelos Sindicatos filiados acerca da agenda de segurança pública. Confira os detalhes!

“Esse problema representa um grave obstáculo econômico. O Brasil carece de eficiência na alocação de recursos nessa área. Muito permanece restrito a ações reativas, em detrimento da prevenção, da inteligência e da integração institucional. Vemos alguns avanços pontuais, inclusive no Estado e na capital paulista. Isso é muito positivo, um termômetro. Mas o fato é que lidamos com a expansão do crime organizado, a fragilização da presença estatal e um ambiente permanente de insegurança”, alertou Dr. Ivo. “Os impactos econômicos são expressivos: empresas do Estado deixam de faturar aproximadamente R$ 65 bilhões por ano em razão da violência. Isso ocorre porque são obrigadas a gastar com câmeras, seguros, escoltas e blindagens para suprir aquilo que deveria ser garantido pelo Poder Público”, finalizou.

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