Negócios
31/07/2026Turismo bate novo recorde de faturamento
Crescimento de 4,2% em maio reflete a alta dos preços, pressionados pelo conflito no Irã
O setor de Turismo faturou R$ 23,2 bilhões em maio, maior valor já registrado para o mês na série histórica [gráfico 1]. Trata-se de um crescimento de 4,2% em comparação com maio de 2025, segundo os dados da Pesquisa do Faturamento do Turismo Nacional, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
[GRÁFICO 1]
Faturamento nos meses de maio (R$ bilhões)
Fonte: IBGE/FecomercioSP

Entre janeiro e maio, o setor avançou 3,7% na comparação com o mesmo período do ano passado, com um faturamento de R$ 120,5 bilhões nesse período. Na análise da Entidade, os dados refletem um crescimento puxado por preço, e não por volume: tanto no transporte aéreo quanto na hotelaria, o avanço da demanda foi bem mais modesto do que o aumento das receitas, sinal de que a guerra no Irã segue pressionando os custos do Turismo, repassados gradualmente ao consumidor final.
Combustível mais caro sustenta tarifa aérea
O transporte aéreo de passageiros foi, mais uma vez, a atividade de maior faturamento em maio, com R$ 6,9 bilhões [tabela 1], o maior já registrado para o mês na série histórica, com alta de 9,1% em relação a maio de 2025.
O desempenho decorreu, sobretudo, do preço. A demanda doméstica — medida pela relação entre passageiros e quilômetros voados (RPK) — cresceu apenas 2,5%, ritmo semelhante ao de abril e bem inferior ao avanço das receitas.
O que sustentou o faturamento, de fato, foi o salto de 11,2% na tarifa média das passagens em comparação com maio do ano passado, reflexo do encarecimento do Querosene de Aviação (QAV) provocado pela guerra no Oriente Médio. Na avaliação da FecomercioSP, as companhias aéreas ainda não conseguiram repassar integralmente esse custo aos passageiros, embora o repasse parcial já seja suficiente para sustentar o crescimento nominal do faturamento da atividade.
[TABELA 1]
Faturamento do Turismo em maio
Fonte: IBGE/FecomercioSP 
Hotelaria e alimentação mantêm resultados positivos
Os meios de hospedagem faturaram cerca de R$ 4,9 bilhões em maio, com crescimento de 1,8% na comparação anual. Assim como no segmento aéreo, o resultado foi puxado principalmente por preço — a taxa de ocupação avançou 1,6%, enquanto a diária média subiu 5,4%, de acordo com dados do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, o Fohb. Esse é um sinal de que a demanda em volume avança em ritmo mais contido, ainda que a receita por quarto disponível siga em trajetória consistente de alta.
A alimentação voltada para o Turismo registrou faturamento de R$ 3,8 bilhões e crescimento de 6,9%, o resultado proporcional mais expressivo entre todos os segmentos do mês, com acumulado de 5,6% no ano. O desempenho segue sustentado pelo bom momento do mercado de trabalho, mas reflete também a alta dos preços de alimentos. Em maio, a inflação do grupo de alimentação atingiu 1,65%, bem acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) geral de 0,58%, pressionando os custos de insumos em bares e restaurantes e se refletindo nos preços cobrados ao turista.
São Paulo lidera faturamento; Acre tem maior variação porcentual
Na análise regional (que exclui o transporte aéreo), o Turismo brasileiro faturou R$ 16,3 bilhões em maio, com crescimento de 2,2% na comparação anual [tabela 2]. Ao todo, 15 Unidades da Federação registraram alta no período, enquanto 12 sofreram queda.
[TABELA 2]
Faturamento do Turismo Nacional em maio — Estados
Fonte: IBGE/FecomercioSP

São Paulo manteve a liderança nacional, com faturamento aproximado de R$ 6,7 bilhões, equivalente a 41% do total do País. O crescimento de 3,8% no mês reforça o bom momento do Estado, que acumula alta de 4% nos cinco primeiros meses de 2026, sustentada pelo fluxo contínuo de eventos corporativos, feiras e congressos que dinamizam a economia da capital paulista durante todo o ano.
O Acre apresentou a maior variação porcentual entre os Estados, com alta de 13,5%, ainda que em faturamento reduzido (em torno de R$ 14 milhões). O Mato Grosso avançou 11%, somando R$ 406 milhões, e a Bahia cresceu 9,5%, alcançando R$ 764 milhões e mantendo acumulado de 7,6% no ano, um dos melhores desempenhos consistentes do ano. Já o Rio de Janeiro cresceu 5,9%, chegando a R$ 1,5 bilhão.
No campo negativo, Maranhão (-8,7%), Ceará (-6%), Tocantins (-5,5%) e Piauí (-5,1%) registraram as maiores retrações. Minas Gerais, segundo Estado com maior faturamento do Brasil, com cerca de R$ 1,4 bilhão, recuou 1,7% na comparação anual.
A FecomercioSP mantém a projeção de crescimento acima de 4% para o faturamento do Turismo em 2026. O mercado de trabalho aquecido e o acesso ao crédito pelas famílias, sobretudo no cartão de crédito parcelado, devem continuar estimulando a demanda por viagens. O principal fator de risco segue sendo a escalada do conflito no Irã e seus efeitos sobre o preço do petróleo no mercado internacional, que pode intensificar a pressão sobre as tarifas e encarecer o acesso ao turismo nas próximas temporadas.
Análise completa do setor
A Carta Setorial do Conselho de Turismo da FecomercioSP, edição de julho, aprofunda os resultados do faturamento do Turismo nacional, analisa os reflexos da guerra no Oriente Médio nos custos de transporte e hospedagem, apresenta o panorama das viagens corporativas e mais! Clique aqui para fazer o download.