Negócios
06/08/2026Viagens corporativas mantêm ritmo de crescimento e renovam recorde em 2026
Levantamento da FecomercioSP e da Alagev revela faturamento de R$ 17,9 bilhões, com demanda aquecida mesmo com a alta dos custos
As viagens corporativas seguem promovendo a cadeia do Turismo no Brasil. Em maio, os gastos das empresas com serviços de viagens de negócios alcançaram R$ 17,9 bilhões, o maior faturamento já registrado para o mês e um crescimento de 6,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isso, o setor acumula quase R$ 85 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, alta de 6,2% sobre igual intervalo um ano antes. Os dados são do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) em parceria com a Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev).
O resultado chama a atenção porque foi alcançado por intermédio de uma base de comparação elevada. Em maio de 2025, o mercado havia avançado 12,7%, um dos melhores desempenhos da série histórica. Ainda assim, o segmento voltou a crescer, provando que a demanda por viagens de negócios permanece resiliente e continua sustentando boa parte da atividade turística nacional.
Os indicadores dos principais segmentos da cadeia confirmam esse quadro. A aviação doméstica transportou 8,3 milhões de passageiros em maio, o maior volume da história para o período. Ao mesmo tempo, a tarifa média das passagens subiu 11,2%, passando de R$ 568,90 para R$ 632,50. Na hotelaria, a taxa de ocupação permaneceu praticamente estável, em 63,4%, enquanto a diária média avançou 5,4%, chegando a R$ 451,71.

Empresas adaptam estratégias sem reduzir mobilidade
Esses números mostram que a expansão do faturamento tem sido incentivado, cada vez mais, pelo aumento dos preços do que pela expansão do volume de viagens. Para o mercado, isso ressalta a necessidade de aprimorar negociações comerciais, políticas de viagens e estratégias de gestão de despesas, especialmente em um ambiente de custos elevados.
Outro fator que exige atenção das empresas é o cenário internacional. Segundo a análise do levantamento, a retomada das tensões no Oriente Médio pressiona o preço do petróleo e, consequentemente, do querosene de aviação, elevando o custo das passagens aéreas. Por isso, parte das empresas tende a substituir deslocamentos de curta distância pelo transporte rodoviário ou pela locação de veículos, buscando reduzir despesas sem comprometer as atividades presenciais.
Apesar desses impasses, a perspectiva permanece positiva. A manutenção da atividade econômica e do ambiente de negócios continua estimulando a realização de viagens corporativas, consideradas essenciais para negociações, eventos, relacionamento com clientes e expansão das empresas. Para hotéis, companhias aéreas, locadoras, agências de viagens, organizadores de eventos e demais prestadores de serviços turísticos, o cenário reforça a expectativa de demanda aquecida ao longo de 2026.
O levantamento ainda indica que, embora o crescimento passe a depender mais da evolução dos preços do que do aumento do número de viagens, o turismo corporativo segue demonstrando capacidade de adaptação e permanece como um dos principais motores da cadeia turística brasileira.
