Notamos que você possui
um ad-blocker ativo!

Para acessar todo o conteúdo dessa página (imagens, infográficos, tabelas), por favor, sugerimos que desabilite o recurso.

Economia

14/04/2022

Empresas dependentes da China precisam estar atentas à possível anexação de Taiwan

Roberto Dumas, economista especializado no gigante asiático, indica que eventual invasão ao país insular pode comprometer comércio com Pequim

Ajustar texto: A+A-

Empresas dependentes da China precisam estar atentas à possível anexação de Taiwan

"Se a China sofrer as sanções que a Rússia está sofrendo, seria uma hecatombe na economia mundial", afirma Dumas
(Foto: Divulgação)

As empresas brasileiras que importam da China ou tem a nação asiática como o principal destino de suas exportações precisam diversificar os negócios na Ásia e ficar atentas a uma possível anexação de Taiwan por Pequim. Isso porque, se a China for sancionada pelo Ocidente – como acontece atualmente com a Rússia –, as trocas com o maior parceiro comercial do Brasil podem ficar seriamente comprometidas. Este é o alerta de Roberto Dumas, professor de Economia Internacional do Insper e um dos maiores especialistas em China.

Em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Dumas destaca que, como parte de um projeto de projeção global, a China tem diversificado os seus fornecedores e investido na criação de organismos multilaterais sob a sua liderança.

Confira mais entrevistas do UM BRASIL
Inflação e conflito entre Rússia e Ucrânia arriscam segurança alimentar do Brasil e do mundo
Mais do que o “inchaço” do Estado brasileiro, precisamos discutir como melhorar sua capacidade de funcionar
Globalização é irreversível e solução contra desigualdade mundial

“Eles [a China] não vão substituir [o Brasil], mas já estão desenvolvendo novos fornecedores na Rússia e na África”, pontua o professor. “Eles estão fazendo o trabalho de casa, diversificando vendedores. E nós? Estamos diversificando compradores ou saindo ‘cantando de galo’ que a China sempre vai precisar de nós? Vai, mas tem um termo que mostra que a tendência não é nossa amiga”, complementa, citando um possível ponto de inflexão no comércio entre os maiores países da Ásia e da América do Sul.

Fazendo um paralelo com a situação da Rússia, que recebeu sanções econômicas em volume inédito em razão da invasão à Ucrânia, Dumas salienta que a anexação de Taiwan segue nos planos do Partido Comunista chinês – e pode acontecer em um futuro não tão distante.

“Xi Jinping [atual presidente chinês] está falando. Pode ser que ele mude de ideia com estas sanções [a Moscou], mas é bom todas as empresas brasileiras já levarem em consideração como estratégia”, sugere. “Se a China sofrer as sanções que a Rússia está sofrendo, seria uma hecatombe na economia mundial”, alerta o economista.

Mestre em Economia Chinesa pela Universidade Fudan, em Xangai, e autor de diversos livros sobre o gigante asiático, Dumas sinaliza que, diante da possibilidade de invasão, não é recomendável se tornar dependente de Pequim.

“O que temos de fazer? Mais do que nunca, diversificar o comprador e o vendedor da China. Se tenho isso mais ou menos na minha análise do que pode acontecer, o que as empresas estão esperando para diversificar?”, questiona. “País não tem amigo, quer vender e comprar. Por que não estou ‘paquerando’ Vietnã, Bangladesh, Índia? Não tem fornecedor? Desenvolva, construa”, recomenda.

Assista à entrevista na íntegra e se inscreva no Canal UM BRASIL no YouTube.

Fechar (X)